Cuidados Paliativos

Cuidados Paliativos

Vamos neste artigo clarificar o que são os cuidados de saúde que respondem às necessidades dos doentes terminais.
Estes têm o nome de cuidados paliativos, correspondem a cuidados de saúde estruturados, multiprofissionais, aliando o melhor das competências técnicas que a Ciência e o Humanismo têm para dar aos doentes com doença grave e/ou incurável, avançada e progressiva.

Estes cuidados rigorosos e científicos, na sua vertente médica, assumem-se como uma verdadeira especialidade – a Medicina Paliativa –, já reconhecida há décadas em países como a Grã-bretanha e, mais recentemente, o Canadá, os EUA, a Austrália e a Nova Zelândia.

Estes cuidados de saúde destinam-se a doentes de todas as idades e patologias, oncológicas e não oncológicas, e são prestados ao longo de meses, semanas e até anos. Importa clarificar que um doente terminal define-se como aquele que tem, em média, um prognóstico de três a seis meses e, no caso dos doentes moribundos, o prognóstico será de dias ou horas.

Um doente a carecer de cuidados paliativos não será necessariamente um doente terminal ou moribundo. Para prestar cuidados a estes doentes, exige-se hoje uma preparação técnico-científica rigorosa em diferentes âmbitos, e nunca poderemos falar desta fase como uma em que se dispensa preparação científica adequada.

Infelizmente, sabemos que na prática, e por profundo desconhecimento que só prejudica os doentes, é ainda muito frequente achar que estes doentes só precisam de “mimos e carinhos” e são aqueles sobre quem se diz, também por desconhecimento, que “não há que investir” (como se “investir num doente” fosse apenas sinónimo de utilizar medidas invasivas…). Desta forma, colam-se aos cuidados paliativos ideias de menorização e de cuidados de saúde de segunda, que efectivamente não são.

De facto, existem hoje sociedades científicas credíveis de cuidados paliativos – a nível nacional existe a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e, a nível internacional, destacamos a European Association for Palliative Care, que terá o seu próximo congresso em Lisboa, em Maio de 2011.

Existem compêndios de Medicina Paliativa, revistas de reputada e inquestionável qualidade onde se revela investigação robusta e credível praticada por médicos e outros profissionais credenciados, existem mesmo recomendações da própria Comunidade Europeia sobre a obrigatorie dade de ensino da Medicina Paliativa nas faculdades de Medicina (o que infelizmente não é cumprido na maior parte das faculdades portuguesas, sendo no entanto de ressaltar o trabalho pioneiro da Faculdade de Medicina de Lisboa) e também a nível pósgraduado.

Aquilo que se investiga, aquilo que se deve ensinar e depois praticar, é Medicina no seu melhor, onde intervenções sobre o controlo sintomático, sobre a comunicação adequada, sobre o apoio à família e sobre o trabalho em equipa são rigorosamente tratadas. Só com Ciência e Humanismo se tratarão bem os doentes, em qualquer circunstância de doença, seja ela aguda ou crónica, precoce ou terminal.

Importa ter sempre isto em mente e contribuir, através da difusão de conceitos correctos e actualizados, para que os verdadeiros fins da Medicina – acompanhar os doentes em sofrimento, quer eles se curem ou não – sejam cumpridos na sua plenitude, assegurando, dessa forma, que os doentes em fim de vida não sejam incorrectamente tratados e votados a um sofrimento que ninguém deseja.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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