Depressão em crianças e Adolescentes - Detectar sinais precocemente
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Depressão Nas crianças e Adolescentes – Detectar sinais precocemente

Atualizado em 13 dezembro 2017

Depressão em crianças e Adolescentes – Crianças e adolescentes com um transtorno que se desenvolve Silenciosamente

A depressão, muitas vezes, desenvolve-se sem perturbar ou chamar a atenção das pessoas próximas, por isso é fundamental que seja reconhecida precocemente para se iniciar o tratamento.

“A mania pertence à doença bipolar e caracteriza-se pela alteração do humor e aumento da auto-estima, hiperatividade e ausência da necessidade de dormir”, explica Maria João Carnot, a primeira palestrante do segundo dia do II Congresso de Psiquiatria e Medicina Geral e Familiar no qual se falou sobre ‘os Sinais nas Perturbações do Humor e Doença Bipolar’.

Segundo a psiquiatra do Hospital Júlio de Matos, “poucas investigações têm sido feitas nesta área”, por isso “há que obter mais conhecimentos para definir melhores estratégias de intervenção precoce”.Depressão na juventude - fotoAs estratégias para identificar os primeiros sinais passam, na opinião da especialista, por “fazer estudos prospectivos, operacionais e sistemáticos de sujeitos identificados com base no histórico familiar de doença bipolar nas fases anteriores ao eclodir da sua doença”.

A médica realçou que “durante o período que precede o aparecimento do primeiro episódio maníaco, os doentes atravessam uma fase prodrómica marcada pela presença de flutuações do humor, perturbações do sono, irritabilidade, raiva, etc.

Estes sintomas estão associados a factores de risco e os marcadores de vulnerabilidade permitem um diagnóstico mais precoce do primeiro episódio de mania e, secundariamente, uma estratégia mais indicada de intervenção e de tratamento, que propicia um melhor prognóstico da doença”.

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Depressão nas crianças e adolescentes

Augusto Carreira considera que “as crianças estão cada vez mais agitadas, têm mais dificuldade em se concentrar e é maior o número de crianças que não consegue aprender nas escolas porque não conseguem estar quietas”.

De acordo com o médico de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital Dona Estefânia, “existem factores de natureza ambiencial que estão a fazer com que as crianças tenham este diagnóstico de hiperactividade com défice de atenção”. Por exemplo, “nos últimos anos, verifica-se que as crianças são separadas mais cedo dos cuidadores.

Por outro lado, a partir dos três meses, quando vão para os infantários, passam a ter a vida programada.
Ou seja, os horários destas crianças são horários que dependem dos horários dos adultos”.

Em relação às perturbações do humor nos adolescentes, o especialista referiu que “há, por vezes, uma sobreposição de quadros que confunde o diagnóstico de perturbação do humor com a questão de hiperactividade”.

E explicou: “uma das grandes dificuldades ao fazer o diagnóstico das perturbações do humor na adolescência tem que ver com a forma dos adolescentes se manifestarem. Por vezes, os adolescentes são exuberantes por natureza, outras vezes isolam-se e estão deprimidos”.

No que respeita ao humor, “as queixas dos episódios depressivos nos adolescentes começam, muitas vezes, com as queixas somáticas. São as dores de cabeça, dores abdominais, etc. ”.

Segundo o pedopsiquiatra “a tendência para que a doença domine a vida das pessoas é absolutamente negativa. Quando os pais e os familiares são capazes de descrever o doente para além da doença e encontram outras características é um bom sinal de prognóstico.

Quando, pelo contrário, descrevem aquela pessoa só com o sintoma da doença é um sinal de péssimo prognóstico”.

José Falé, docente na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, considera que “aquilo que está à volta da criança transforma o seu percurso. A acumulação dos acontecimentos da vida constitui um factor de favorecimento para a depressão”.

Auto-depreciação, comportamento agressivo, perturbações do humor, modificação das performances escolares, diminuição da socialização, queixas somáticas, perda da energia habitual, modificações do apetite são alguns dos sintomas.

“Destes, os mais encontrados são o comportamento agressivo, a perturbação do humor e as queixas somáticas”. De acordo com o enfermeiro, “as respostas possíveis para estas crianças são a psicoterapia individual, psicofarmacologia e psicoterapia de grupo”.

Interpretar os sinais da depressão precocemente

A abordagem psicológica nos cuidados de saúde primários da depressão na criança e no adolescente tem, para Lígia Pereira, “um papel de relevo no acompanhamento de quadros clínicos de depressão infantil e na adolescência.

Não só a nível da função assistencial directa individual, como também a nível de articulação com outros profissionais de saúde e encaminhamentos para consultas de especialidade”.

A psicóloga clínica do Aces Oeste-Sul deixou um alerta para o facto da depressão desenvolver-se “muitas vezes silenciosamente, sem perturbar ou chamar a atenção das pessoas próximas”. Daí ser “fundamental reconhecê-la precocemente para iniciar o tratamento”.

Nos cuidados primários, a descrição das perturbações depressivas pós-parto tem duas formas: “a sensação de depressão” e “situações graves de depressão que têm de ser tratadas pelos serviços especializados”, afirma Josefina Marau. Segundo a médica de família na USF Cidadela, no ACES de Cascais, os primeiros sinais aparecem nas consultas maioritariamente dentro de um destes grupos.

“Quase sempre aparecem mães que manifestam sentimentos de grande incapacidade de tratar do bebé. Há uma grande parte das mães que passam por isto temporariamente e que não estão deprimidas no sentido da doença depressiva grave”.

De qualquer modo, “temos que saber integrar estas dificuldades no quadro clínico e não facilitar pensando que vai tudo passar com o tempo”, sublinha a Chefe de Serviço.

“E é aqui que nós somos extremamente importantes, é apanhar estes primeiros sinais de tal forma que possamos evitar o caminho para a doença. A nossa formação, o nosso trabalho, as nossas estratégias têm de ser para detectar as coisas o mais cedo possível”, acrescenta.

O psiquiatra Manuel Cruz também realçou a importância de saber interpretar os sinais da depressão mas, neste caso, no envelhecimento. Para o Chefe de Serviço no Hospital Júlio de Matos “o confronto com a realidade do tempo curto começa a criar um clima de depressividade.

Não é o envelhecimento em si, é a condição e esta perspectiva de vida que está a condicionar o campo emocional do idoso”. Segundo o especialista, “a partir dos 60 e poucos anos, o que acontece é um conjunto de perdas continuadas, uma diminuição do suporte familiar, do status ocupacional, de um físico continuado.

Para fazer uma leitura apropriada, devemos ter em conta que o relato dos sintomas no idoso não é tão directo e temos de estar sensibilizados para interpretar o que quer dizer uma anorexia, uma fadiga, uma apatia, o que é que isto interfere no funcionamento global”. E sublinha: “não é o envelhecimento que cria o aparecimento da depressão, a depressão existe com todas as suas formas e sintomatologias, tem de ser tratada com outra sensibilidade”.

Tratar uma depressão pode ser complicado, mas é possível. Para tal, o médico tem de cuidar de si mesmo e estar em boas condições de poder enfrentar um conjunto de patologias e a sobrecarga de trabalho e, mesmo assim, ajudar os pacientes.

Aqui, os Grupos Balint são uma resposta possível ao problema: “são como um pequeno laboratório para lidar com este tipo de situações em que há uma actividade fundamental, uma especulação criativa por parte de todo o grupo relacionada com a situação que é colocada pelo médico que a sofre”, explica Jorge Brandão, presidente da Associação Portuguesa de Grupos Balint.

NÚMEROS QUE ALERTAM O MUNDO

A perturbação bipolar começou a ser diagnosticada há 10, 15 anos. Tem uma prevalência constante na população mundial de cerca de 1, 6 por cento em ambos os sexos.
Tem elevados riscos emocionais e sociais e tem um risco de suicídio de 15 por cento.
20 a 30 por cento dos adultos começam esta doença na adolescência.
12 anos é a idade média para o aparecimento dos primeiros episódios.
Cerca de 30 por cento dos adolescentes bipolares consomem determinadas drogas.
40, 50 por cento dos adolescentes bipolares têm múltiplos parceiros e não tomam precauções nas condutas sexuais.
Estima-se que a prevalência média de depressão no idoso ande à volta dos 13 por cento.

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