Disfunções sexuais – Falta de desejo sexual feminino frequente

Publicado por Equipe Editorial a 11 de junho de 2010 - Atualizado em 13 janeiro 2018

As Disfunções sexuais ainda são assunto tabu – A Falta de desejo sexual feminino é muito frequente.

Muitas mulheres têm mais de uma disfunção sexual e mais de uma causa que contribui para as suas queixas. Na conferência internacional “Female Sexual Disfunction”, que se realizou no passado dia 14 de Maio, no Hospital de S. José, a excitação sexual feminina e a sexualidade feminina no futuro da Urologia foram dois dos temas em discussão.

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“A excitação sexual nas mulheres não é um bónus, mas um requisito essencial para que tenham sexo sem dor e com prazer”, afirmou Ellen T. M. Laan, uma das prelectoras da conferência.

Para a psicóloga holandesa, “existe uma divergência acentuada entre a avaliação fisiológica e subjectiva de uma mulher com excitação sexual”.

Ou seja, entre o facto de uma mulher dizer que está sexualmente estimulada e a forma como o corpo realmente responde aos estímulos.

“A excitação sexual da mulher, ao contrário de um homem, não é baseada em sinais fisiológicos, depende de estímulos ambientais”, explica a especialista.

Mais acrescenta: “tanto os homens como as mulheres, quando assistem a algo relacionado com sexo, geram uma resposta automática nos seus corpos, mas isso não significa que as mulheres que respondam fisicamente tenham vontade de fazer sexo”.

Segundo Ellen T. M. Laan, uma das disfunções sexuais mais comuns é a falta de desejo, que “pode nem sempre ser espontâneo, pode surgir apenas quando a relação sexual foi já iniciada”.

De acordo com a psicóloga, “o grau de intimidade e tipo de relação com o companheiro/a, a auto-imagem, a estimulação sexual, a existência de depressão, o estilo de vida, a medicação e a idade são vários factores que podem estar na origem desta disfunção”.

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O contributo do médico de família no diagnóstico precoce das disfunções sexuais “pode ser mais importante do que foi até agora, até porque, partindo do princípio que esta disfunção está ocultada por uma série de motivações e de interferências culturais, sociais e emocionais, e que tem uma prevalência maior do que aquela que é aparente, deverá competir a este clínico dar o primeiro passo no sentido de descobrir a eventual presença dessa disfunção em elementos doutra forma insuspeitos”, explica Patena Forte à SM.

Segundo o especialista do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central, “isto levanta vários problemas e o essencial será o da oportunidade ou até da utilidade dessa descoberta em relação à consulta do médico de família”.

Em relação à oportunidade, “em alguns casos de disfuncionalidade genérica entre um homem e uma mulher, logo nos primeiros sinais de dificuldade sexual masculina poderá ser útil ao médico de família inquirir sobre o bem-estar físico e sexual da companheira.

Por outro lado, sempre que haja alguma intervenção médica sobre a mulher, poderá ocorrer também uma interferência na esfera sexual.

Daí que, sempre que haja um recurso a medicamentos psicotrópicos ou sempre que haja necessidade de alguma cirurgia, deva ser investigado o estado sexual anterior para que se possa avaliar ou contrariar o efeito, caso seja muito evidente”, explica o urologista.

No que respeita à capacidade de resposta, “para além da terapêutica comportamental numa unidade de sexologia ou de psicologia clínica, já existente nos hospitais estatais, o Serviço de Urologia podia ter uma vocação para isto e ainda não está preparado para responder a um grande número de doenças deste tipo.

O diagnóstico diferenciado entre cada um dos diversos tipos de disfunção ainda não está também ao alcance, para além de uma abordagem genérica”, admite Patena Forte.

Depois, está por conhecer de forma precisa qual a prevalência das disfunções sexuais na população portuguesa.

Segundo o especialista, “só se pode fazer uma comparação com o que existe noutros países porque, mesmo perguntando às mulheres, estas muitas vezes negam a existência de qualquer problema.

Ou, mesmo sabendo que existe um problema, negam que isso conduza à insatisfação”.

A nível internacional, de acordo com o urologista, “existe um conhecimento de que, em determinada medida, cerca de 40 por cento das mulheres poderão sofrer em maior ou menor grau de uma disfunção sexual.

A esmagadora maioria prende-se com alterações da esfera do desejo”.