Doação do cordão umbilical

A doação do cordão umbilical – Muitas mães interrogam-se, durante a sua gestação, sobre a possibilidade de doar o cordão umbilical dos seus filhos. Ao longo de toda a gravidez, este foi o caminho pelo qual os nutrientes maternos passaram para o bebé que agora vai nascer.

O cordão umbilical tem também uma ligação “sentimental” para a mãe, que durante nove meses, alimentou, por esta via o seu pequeno tesouro. Agora estamos na sala de parto e, esse tesouro acabou de nascer. Está na hora da separação mas… É frequente que muitas delas sintam que ao doar o cordão que as ligou, durante toda a sua gestação, ao seu filho seja como doar uma parte de si próprias.

Mitos:

Diferentes culturas do passado, demonstravam profundo respeito pelo cordão umbilical mesmo quando já separado do bebé. Nos nossos dias, existem ainda algumas tribos africanas, cujos nativos aguardam pacientemente que as suas crianças, após os nascimento, percam o cordão umbilical para lhes darem um nome. Este gesto, é uma profunda demonstração de que estes nativos só consideram a criança “nascida para a vida” quando perde o seu último vestígio da união com a sua mãe.

Algumas culturas pré colombianas acreditavam que, dependendo do local onde o cordão umbilical, depois de seco, fosse enterrado, este teria uma influência mágica sobre a futura vida da criança na comunidade. Assim, se a criança era do sexo masculino, o cordão seria depositado num campo de batalha para que a criança fosse um ágil guerreiro. Se, se tratava de uma rapariga, o cordão era enterrado ao lado do fogo, visto o fogo ser o símbolo do lar.

Qual é a função do cordão umbilical?

Este órgão temporário funciona como ligação entre a mãe e o filho de modo a que este tenha o aporte necessário de oxigénio (através de vasos comunicantes), a alimentação para a sua sobrevivência e, através das duas artérias por que é composto possa eliminar as várias substâncias nocivas que produz ao seu organismo. Este fluxo sanguíneo mantém-se por mais algum tempo mas a mãe não precisa de recear o corte do cordão já que este não contém ramificações nervosas e, como tal, não provoca dor quer para ela quer ao seu bebé.

Quando cortar o cordão umbilical?

Quaisquer pais sentem este momento como o que define a independência do seu bebé, pois a partir deste momento o seu organismo é único, singular. Terá de sobreviver por si só. Este momento é também controverso. Há quem defenda que o corte do cordão umbilical se deve efectuar imediatamente enquanto que outros defendem que se deverá esperar quatro ou cinco minutos. Esta teoria deve-se ao facto de no momento do parto, a criança estar a receber oxigénio quer pelo cordão, quer pelos pulmões.

Neste caso, ao cortar imediatamente o cordão umbilical, o bebé sofre uma grande transformação na sua vida e os seus pulmões começam a funcionar bruscamente, sofrendo a adaptação brusca da passagem dum meio aquático em que vivia para um meio aéreo. É preferível que os pulmões comecem a funcionar pausadamente e só depois se corte o cordão.

Seja como for, a enfermeira irá colocar duas pinças, com dez centímetros entre si, e cortar entre estas.
De seguida, faz-se a laqueação do cordão do bebé, com uma pinça plástica, a um centímetro do abdómen da criança e corta o cordão em excesso. Dez dias depois (aproximadamente), esse irá sofrendo progressivamente um processo de mumificação e irá soltar-se. Até lá, convém verificar e desinfectar diariamente o cordão para o caso de surgir alguma infecção. Deve também ser deixado ao ar para não se infectar por pseudomonas o que seria muito grave.

Nem tudo se perde

Para além disso, através de uma amostra de sangue do cordão, é possível detectar se o bebé sofreu de hipoxia (falta de oxigenação) que lhe venha a provocar danos. Para este teste é necessário que o corte do cordão aconteça antes do bebé chorar ou respirar pela primeira vez (devido ao aumento da oxigenação).

Outra das hipóteses é doar o cordão umbilical. O sangue nele existente permite o transplante para leucemias infantis. Quase todas as maternidades aceitam este procedimento, sendo somente necessário o acordo da mãe do recém-nascido. A doação está dependente do tipo de parto, que deverá ser 100 por cento normal (não pode ser cesariana), que ambos – mãe e filho – sejam saudáveis e que não tenham quaisquer doenças congénitas ou infecciosas.

Doar para salvar

O sangue do cordão umbilical é rico em “stem-cells”, as células-mãe. Estas encontram-se juntamente com os outros componente da corrente sanguínea (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas).

Na realidade há 20 e poucos anos que se sabe que o sangue do cordão umbilical contém muitas células para transplante mas só em 1988 se realizou o primeiro transplante. Desde então, muitos dos transplantes têm sido feitos desta maneira quer seja de um doador relacionado como um irmão, quer seja um doador não relacionado, como o banco de sangue do cordão umbilical.

Estes bancos ficam com o sangue recolhido nas maternidades e doam-no voluntariamente quando é necessário. Este armazenamento é feito através da congelação do sangue a uma temperatura de 196 graus negativos. Assim, quando o doente necessita de um transplante e não tem um doador, recorre-se ao banco de sangue.

Em Portugal, o primeiro transplante deste tipo ocorreu em 1994, no Centro de Lisboa do Instituto Português de Oncologia, mais precisamente na Unidade de Transplantes de Medula Óssea. A menina recebeu o transplante, do seu irmão (doador relacionado), que havia nascido nesse ano.

Desde então, esta prática tornou-se uma realidade no nosso país, quer através dos doadores relacionados, quer através de bancos de sangue do cordão umbilical dos Estados Unidos, quer da Europa.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Ministério da Saúde Reply

    Olá blogueiro,
    É muito importante também incentivar a doação de órgãos e conscientizar as pessoas sobre a importância deste gesto de solidariedade.
    Para ser doador de órgãos não é preciso deixar nada por escrito. O passo principal é avisar a sua família sobre sua vontade. No entanto, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte.Divulgue e salve vidas!
    Para mais informações: [email protected]
    Ministério da Saúde

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 3:00 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)