Escrever um Diário - Adolescência - Fotos Antes e Depois
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Escrever um Diário – Adolescência

Escrever um diário na adolescência permite ao seu filho exprimir a sua revolta, os seus medos os seus instantes de felicidade. Mas este amigo de papel ajuda-o igualmente.

“Iniciei um diário há cerca de um ano, quando o Pedro, meu namorado me deixou”, conta Maria, de 15 anos. “Estava muito deprimida. Ao princípio rabisquei algumas palavras, depois comecei a escrever todos os dias. A tristeza não desapareceu logo de imediato, claro, mas de qualquer modo esta opção fez-me bastante bem.”

Caderno quadriculado, agenda de espirais fechada a cadeado, folhas dispersas – o tipo de suporte utilizado é quase infinito. São muitos os adolescentes que lançam desordenadamente sobre o papel inquietações, mal estares, alegrias e sonhos.

Um mundo de emoções

São sobretudo as raparigas apaixonadas que auscultam as batidas dos seus corações. Mas não se julgue que são as únicas, longe disso. Os rapazes que não açaimam as suas emoções, atiram, também eles, alegrias e sofrimentos para o papel.

Passada a primeira página em branco, os nossos adolescentes, de sensibilidade à flor da pele, lançam-se na aventura. Alguns com paixão, outros com receio. Qualquer que seja a postura, procuram libertar essa vaga emocional que os submerge num oceano de confusão.

E, depois, é bom sinal isolarem-se na sua própria redoma para colocar o coração e a alma a nu. A criatividade tem também uma palavra a dizer: é assim que desenhos e colagens sobrevivem lado a lado com narrativas incendiárias ou poéticas.

“A escrita é um suporte que permite ao adolescente exprimir o que sente e abordar as questões essenciais da sua identidade”, defende o psiquiatra Alain Braconnier. Dividido entre a sua necessidade de independência e a segurança do casulo familiar, embaraçado por um corpo em plena transformação, assaltado por desejos contraditórios, o adolescente desabafa com os seus amigos.

Mas não ousa dizer-lhes tudo, por pudor ou porque teme abusar da paciência deles. Enquanto o diário, esse, pode recolher todas as suas confidências. Alguns dão-lhe uma designação afectuosa, como “meu querido diário” ou “meu amigo”, dirigindo-se-lhe como a um interlocutor real.

Conhecer-se melhor

Outros privilegiam o “eu” ou o “ela” para organizar as suas questões existenciais, a sua fúria e o seu desespero: “Este é o diário de uma louca que não sabe se tem vontade de viver ou de morrer”, escreve Ana, 17 anos, citada no livro de Odile Amblard e Pierre de Givenchy. “Uma louca que prefere gritar a sua loucura em folhas de papel, mais do que nas ruas diante de todas as pessoas.” O diário tem uma função descompressora. Mas terá ele um valor terapêutico?

Exprimir a gama de emoções e de sentimentos no papel constitui uma ajuda preciosa quando o resto soçobra. Mas um diário continua a ser um objecto e nunca poderá substituir a atenção avisada e os conselhos de um psicoterapeuta. A vigilância impõe-se, sobretudo diante de um adolescente frágil, agarrado ao seu diário, fechado sobre si mesmo ou mergulhado em pensamentos sombrios.

“O adolescente deprimido experimenta a necessidade de descobrir uma imagem viva de si mesmo, quando tudo, à sua volta, parece não ter interesse”, acrescenta Alain Braconnier.

Quantas lágrimas derramadas sobre aquele caderno! Quantas alegrias, também, como nos conta Miguel, de 16 anos: “Quando assisti a um concerto dos Cranberries, o meu conjunto preferido, senti-me tão feliz que tive necessidade de o escrever. Tinha vontade de registar aqueles instantes mágicos no papel. Quando penso que sempre detestei redacções…”

Preservar intimidades

Qual a coisa mais terrível que pode acontecer a um adolescente? Que metamos o nariz nos seus preciosos escritos. Como o caso daquela mãe que, preocupada por ver o seu filho com constantes variações de humor, não conseguiu resistir à tentação de abrir o famoso caderno íntimo.

Ler o diário de um filho é penetrar, cometendo uma infracção, no seu jardim secreto e trair a sua confiança. Evite-o com todas as suas forças. Noutros casos, apesar de tudo, o jovem com problemas de comunicação deixa o seu diário aberto e à vista de todos para que os pais o folheiem na sua ausência. Não confunda este género com o do adolescente de cabeça no ar que, muito simplesmente, se esqueceu de esconder o seu diário.

3 Perguntas a Manuela Cruz, Psicóloga Clínica

Por que razão as raparigas gostam tanto de manter um diário?
Este amigo fiel é um cúmplice a quem podem confiar sem receio todos os seus segredos. O diário tem um valor transitivo para a autonomia e ensaio da vida de adulto. Ao confiarem as suas ansiedades e pensamentos mais secretos ao diário, as jovens iniciam numa aventura solitária: o confronto com as suas inquietações vivenciais.

Ao mesmo tempo estão a fazer a separação da figura materna, até aqui demasiado presente e próxima. Ao registarem os seus segredos e as suas paixões é como se as tornassem menos assustadoras e se livrassem de uma carga emocional excessiva para a sua ainda frágil personalidade.

O diário, para algumas jovens, é organizador de uma vida psíquica e emocional. Substitui o interlocutor real e, para os jovens que têm dificuldades em partilhar emoções, tem uma função descompressora da ansiedade.

Como reagir com um adolescente que o não tem?
Nem todos os adolescentes têm diário. Nem todos têm necessidade deste espaço íntimo. Se o seu filho ou filha não tem um diário não se preocupe. Não é problemático. Eles vão descobrir outras formas de partilha e outros espaços de criação pessoal.

Os jovens mais extrovertidos preferem fazer confidências aos amigos e receber destes o apoio e o feed-back para as suas inquietações. O que é importante é manter canais de comunicação com os jovens e estar atento às suas dificuldades e inseguranças sem, obviamente, ser demasiado intrusivo e sem invadir a sua privacidade.

Por que razão muitos de nós mantê-mos um diario na vida adulta?
Os diários são próprios da adolescência. Contudo há adultos que mantêm o gosto por escrever um diário. Pessoas com dificuldades de comunicação ou com pouca confiança nos outros preferem manter os seus segredos na intimidade do papel.

Contudo, para adolescentes e adultos, os diários têm sempre uma função de organizador psíquico e de desconstrução de conflitos. São muitas vezes um bom meio de descarga de ansiedade. Hoje em dia já existem até formas de escrever um diario online, fazendo-se uso dos blogs, blogspot, sapo, wordpress, etc.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

One Comment

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  1. EU QUERIA COMENTAR EU TENHO 16 ANOS E E JA ESCRVI VARIOS DIARIOS E SEMPRE TODOS ELES ME VEM A CABEÇA UMA IMAGINAÇAO DE UMA MENINA SOLITARIA SEM A,MIGOS QUERIA SABER SE ISSO E NORMAL ?

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