Esofago de Barrett

O esôfago de Barrett consiste na presença de mucosa gástrica, portanto colunar, revestido parte do esôfago, que normalmente seria revestido por epitélio estratificado.

A mucosa “fora do seu lugar normal” recebe o nome de metaplasia. Esta mucosa metaplásica tende a sofrer uma alteração chamada displasia que é pré-cancerosa, advindo daí a importância do Esôfago de Barrett.

O encontro de mucosa intestinal especializada acompanha-se de maior risco de malignização. Quando as alterações estendem-se por mais de 3 cm de esôfago, são chamadas Barrett longo, e acompanham-se de deficiência maior nos mecanismos de controle natural do refluxo gastroesofágico.

Não há consenso quanto à melhor forma de tratar os pacientes portadores de Esôfago de Barrett, exceto que a longo prazo é importante prevenir a exposição da mucosa metaplásica ao ácido e submeter o paciente a endoscopias regulares e biópsias para detecção de eventuais alterações malignas.

Operar ou tratar com medicamentos? Se por um lado dispomos de potentes drogas para controlar a acidez, por outro o desenvolvimento da cirurgia laparoscópica reduziu a morbidade, mas não conhecemos os resultados a longo prazo da fundoplicatura – que é o nome técnico do procedimento cirúrgico – laparoscópica.

Recomendações para diagnóstico e acompanhamento:

  1. Endoscopia com biópsia nos 4 quadrantes a cada 1 ou 2 cm.
  2. Se não houver displasia ==> examinar a cada 2 anos;

Se houver displasia:

  1. confirmar com patologista experiente;
  2. gradação baixa ==> repetir a cada 6 meses
  3. gradação alta ==> ressecção, acompanhamento
  4. mais frequente ou ablação.

A base do tratamento consiste na redução da acidez esofágica. Usa-se preferencialmente Inibidores da Bomba de Prótons em dose que deve ser acompanhada por pH-metria, uma vez que o informe clínico não é confiável porque a sensibilidade esofágica reduz com a contínua exposição ao ácido dos pacientes portadores do Esôfago de Barrett.

Informação para profissionais de saúde e estudantes de medicina:

ESOFAGO DE BARRETT

. O esôfago de Barrett é assintomático, porém muitos pacientes apresentam-se com sintomas da doença por refluxo gastresofágico (DRGE): disfagia, pirose e regurgitação em decúbito dorsal.
. A endoscopia alta com biopsia revela a substituição do epitélio escamoso por epitélio colunar.
. Pode ser complicado por estenose esofágica ou, na área do epitélio colunar, ulceração.
. O adenocarcinoma de esôfago pode acometer até 10% dos pacientes.

DIAGNOSTICO DIFERENCIAL

. DRGE
. Acalasia
. Tumores esofágico ou mediastinal
. Membrana esoflágica
. Estenose benigna
. Aumento do átrio esquerdo ou derrame pericárdico

TRATAMENTO

. Supressão do ácido (pH > 4) com inibidores da bomba de prótons
. Fundoplicatura cirúrgica em determinados pacientes
. Terapia fotodinâmica ou a laser endoscópica em determinados pacientes com displasia que não sejam candidatos à cirurgia
. Esofagoscopia de vigilância com biopsia a intervalos de 1 a 3 anos, de acordo com a presença e grau de displasia

Dica
Quando ocorre hemorragia digestiva alta ativa em paciente com esôfago de Barrett, deve-se suspeitar defístula cardioesfágica – é rara, mas potencialmente fatal.

Referência
Shalauta MD, Sand R: Barrett’s esophagus. Am Fam Physician 2004

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Última atualização da página em 29/05/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Esta matéria tem 1 Comentário
  1. SOLANGE Reply

    NA CONCLUSÃO DO MEU EXAME DEU HÉRNIA HIATAL DE PEQUENAS PROPORÇÕES ASOFAGITE EROSIVA DISTAL GRAU A-CLASS.LOS ANGELES PANGASTRITE ENDOSCOPIA ENANTEMATOSA LEVE?…………….QUERO SABER OQUE SE TRATA

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Última atualização da página: 29/05/2018 às 9:34 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)