Eunice Muñoz

Revisado por Andre a 28 outubro 2018 - Publicado a 15 de maio de 2012

Eunice do Carmo Muñoz nasceu em Amareleja, no Alentejo profundo, a 30 de Julho de 1928. Nascida no seio de uma família de atores amadores, a representação surgiu de forma natural na sua vida.

Eunice Muñoz Antes e Depois

Durante a sua infância acompanhou o grupo de teatro da sua família, a Companhia Mimi Muñoz, em tournées ao longo do país. Pisou pela primeira vez o palco com cinco anos de idade, mas nessa altura sonhava em ser médica.

Fez a sua educação primária em Fornos de Algodres e posteriormente foi viver em Lisboa. Com o sonho de alcançar uma carreira profissional partiu cedo para Lisboa. Já na capital, o seu talento despertou a atenção de Amélia Rey Colaço que a convidou para participar na peça “Vendaval”, colocada em cena no Teatro Nacional Dona Maria II, pela Companhia Rey Colaço – Robles Monteiro. Naquela companhia pontificavam nomes como Raul de Carvalho, João Villaret e Palmira de Bastos.

Apesar de contar com apenas 13 anos, aquando da sua primeira atuação, Eunice Muñoz impressionou de imediato pelo talento inato, avançando fulgurantemente na sua carreira.

Foto cedida por Júlio Jorge Valente.

Em 1942, participou na peça “Raparigas Modernas”. No ano seguinte, juntou-se a Palmira Bastos em “Riquezas da Sua Avó”. Também em 1943, vestiu a pele de Maria, em “Frei Luís de Sousa”.

Em 1944, sobe à cena com “Labirinto”, de Pressler e com “A Portuguesa” de Carlos Vale e direção de Maria Matos. Ainda do verão do mesmo ano, foi protagonista da opereta João Ratão. Entrou, entretanto para o Conservatório Nacional de Teatro, que concluiu com média de 18 valores.

Em 1945, alcançou notoriedade em “A Casta Susana”, de Okonkowikski. Após ter terminado o seu curso, recebeu o convite de Vasco Santana, para participar na comédia “Chuva de Filhos”, no Teatro Variedades. Juntando-se assim ao próprio Vasco Santana e a Mirita Casimiro.

Estreou-se no cinema em 1946, no filme “Camões”, de Leitão de Barros. A sua estreia não poderia ter saído mais positiva, já que recebeu de imediato o prémio para melhor atriz, atribuido pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação).

Em 1947, com 19 anos casou-se com o arquiteto Rui Couto. Nos anos seguintes dividiu-se entre o teatro e o cinema. No grande ecrã, participou em “Um Homem do Ribatejo” (1946), Os Vizinhos do Rés-do-Chão (1947), A Morgadinha dos Canaviais (1949), Ribatejo (1949), Cantiga da Rua (1950). E nos palcos de teatro esteve presente em: “A Noite de 16 de Janeiro” (1947), “Outono em Flor” (1949), “A Loja da Esquina” (1951), “João da Lua” (1952).

Após “João da Lua”, Eunice Muñoz resolveu retirar-se da vida artística, trabalho nos três anos seguintes como caixeira. A sua decisão apanharia de surpresa o meio do teatro nacional, a crítica e o próprio público.

Reapareceu em 1955, com “L’Alouette” e deu início a uma série de participações que a consagraram de forma decisiva como uma das melhores atrizes portuguesas da época: “Joana d’Arc” (1956), A Continuação da Comédia (1957), “Noite de Reis” (1957), “Um Serão Nas Laranjeiras” (1958) e “Os Pássaros de Asas Cortadas” (1959).

Foi protagonista na peça “O Milagre de Anna Sulivan” (1963), no Teatro Monumental, atuação que lhe granjeou novo Prémio de Melhor Atriz do SNI, que partilhou com Laura Alves.

Na década de 60, Eunice Muñoz tornou-se presença regular na televisão, através da gravação de várias peças como: “A Dama das Camélias”, “O Pomar das Cerejas”, “Recompensa” e “Os Anjos Não Dormem”. Participou ainda numa série de doze episódios, realizada por Costa Ferreira, que teve a particularidade de juntá-la à sua mãe, Mimi Muñoz.

Quando em 1965, Raúl Solnado fundou a Companhia Portuguesa de Comediantes (CPC), Eunice Muñoz foi convidada para a integrar, recebendo em contrapartida, o maior salário alguma vez pago a uma atriz portuguesa: 30 contos mensais.

A CPC teve o privilégio de estrear o novo Teatro Villaret, espaço no qual, Eunice Muñoz participou em peças como: “O Homem Que Fazia Chover”, “Verão e Fumo”, “O Cão do Jardineiro” e “As Raposas”.

Em 1970, participou, com José de Castro, em “Dois Num Baloiço”, peça que a levou a fazer uma longa tournée por Moçambique e Angola.

Em 1971, quando se preparava para estrear “A Mãe”, peça em que iria ser protagonista, a censura vetou o espetáculo. Nos anos que se seguiram, Eunice Muñoz dedicou-se à divulgação de poesia, de autores como Florbela Espanca e António Nobre, fazendo-o em disco e ao vivo, em recitais. Juntou-se depois à companhia de Carlos Avilez, para levar as peças “Fedra” e “A Maluquinha de Arroios”, a África.

O seu regresso aos palcos portugueses iria acontecer apenas em 1978, juntando-se à nova companhia do Teatro Nacional Dona Maria II. Durante a década de 80 continuou a somar participações no teatro e no cinema.

Em 1991 comemorou 50 anos de carreira no teatro, tendo sido condecorada pelo então Presidente da República Mário Soares.

Em 1993, estreou-se nas telenovelas, com uma interpretação de grande nível em “A Banqueira do Povo”. Em 2006, representou no Auditório a que deu o nome: Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras. A peça em cena, foi “Miss Daisy”.

Em Maio de 2008, Eunice Muñoz recebeu o Globo de Ouro de Mérito e Excelência. Eunice Muñoz é aclamada e unanimemente reconhecida como a melhor atriz portuguesa de sempre.

Aos 83 anos de idade, a atriz continua a representar, dando corpo a uma das carreiras artísticas mais preenchidas do teatro português. Eunice Muñoz participou em mais de 70 peças de teatro e mais de uma dúzia de filmes e uma dúzia de telenovelas.

Apesar das suas participações frequentes no cinema e na televisão, a atriz já mostrou sentir-se verdadeiramente em casa nos palcos de teatro, algo que fica bem patente se olharmos para as sete décadas de carreira da atriz.

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