Exame da Creatinina e Ureia

Publicado por Equipe Editorial a 20 de março de 2015 - Atualizado em 22 outubro 2018

Quando pretende-se avaliar como anda a eficácia do funcionamento dos rins, o paciente é convocado a realizar exames de sangue a fim de se determinar quais são os níveis de ureia e creatinina presentes na corrente sanguínea.

Quando essas duas substâncias demonstram discrepância com relação aos volumes esperados, fica mais fácil diagnosticar doenças renais logo no início da enfermidade, o que também contribui para aumentar as chances de sucesso do tratamento adotado.

Exame da Creatinina e Ureia

Definição de creatinina

Um equívoco muito comum é a associação estabelecida entre creatina e creatinina. Contudo, trata-se de compostos bem distintos.

Todas as massas musculares necessitam de doses energéticas para conseguirem executar as funções  que lhe são características. Tal energia é obtida através da creatina fosfato (CP), uma espécie de proteína que é produzida com base nas proteínas contidas nos alimentos ingeridos pelo organismo. Essa creatina fosfato é sintetizada no fígado para depois ser alojada nas massas musculares.

Tendo em vista que mesmo durante o sono os músculos permanecem em constante atividade, o consumo de creatina fosfato nunca é interrompido. Com isso, surge a creatinina, que nada mais é do que o lixo metabólico que advém de todo esse processo.

Depois de ser criada, a creatinina é imediatamente liberada na corrente sanguínea. Em seguida, essa substância é excretada do organismo através da urina, ou por meio dos rins.

Em resumo, o processo de desenvolvimento da creatinina tem origem nas proteínas obtidas por meio da alimentação, que por sua vez resultam na sintetização da creatina fosfato, continuamente absorvida pelos músculos. Ao término desse consumo frequente surgirá a creatinina, futuramente eliminada pelos rins.

Fazendo uma análise aproximada, 2% da creatina fosfato alojada nos músculos é transformada em creatinina após os processos metabólicos típicos desses órgãos.

Por que a creatinina é utilizada para analisar o funcionamento dos rins?

Em um organismo saudável, a creatinina não é considerada nociva à corrente sanguínea, uma vez que essa substância é sintetizada e excretada com muita frequência pelo organismo.

Porém, em situações nas quais os músculos não tenham sofrido nenhuma alteração significativa com relação ao tamanho, mas o corpo aponte para a ampliação da concentração de creatinina na corrente sanguínea, isso deve ser encarado como um indício de que a referida substância não está sendo eliminada como deveria. Como os rins têm um papel importante nesse processo, isso também significa que eles não estão funcionamento corretamente.

Mais do que estarem debilitados com relação apenas à extirpação de creatinina, é bem possível que os rins também estejam com dificuldade para expelir outras substâncias, como as toxinas. Por esse motivo, a ampliação da taxa de creatinina na corrente sanguínea é uma clara evidência de insuficiência renal.

Ao lado da creatinina, a ureia é igualmente sintetizada pelo fígado. O processo também tem início nas proteínas que são absorvidas pelo organismo durante a alimentação. Ao fim de todas as etapas, teoricamente a ureia deve seguir o mesmo curso da creatinina, ou seja, ser excretada pelos rins.

Com isso, pode-se deduzir que doses elevadas de ureia na corrente sanguínea também indicam a insuficiência renal. Desse modo, tanto os níveis de ureia como os de creatinina no sangue são considerados para determinação do mau funcionamento dos rins. Porém, as concentrações de creatinina são tidas como mais precisas, apresentando resultados mais fidedignos.

A importância da concentração nivelada de creatina e ureia

Ter disfunção renal não é algo exatamente incomum. Pelo contrário, milhões de indivíduos ao redor do mundo apresentam algum mau funcionamento dos rins. O problema é que essa deficiência passa despercebida em mais de 70% dos casos. Para que a insuficiência renal seja tratada logo no início da doença é vital que o paciente realize os exames que determinarão a concentração de creatinina na corrente sanguínea.

Insuficiência renal: um problema quase assintomático

Embora existam diversas enfermidades que podem culminar na doença renal crônica, seis acontecem com mais frequência: infecções urinárias recorrentes, rins policísticos, hipertensão, glomerulonefrites, cálculos renais contínuos, e diabetes.

De uma forma geral, é preciso salientar que o mau funcionamento dos rins não está limitado à excreção da urina, ou a sensações doloridas – dois equívocos cometidos com muita frequência pela esmagadora maioria dos pacientes.

Na verdade, caso o corpo seja acometido por uma insuficiência renal crônica, dificilmente ele apresentará sintomas claros, salvo exceção quando a doença já estiver alcançado estágios bem avançados. Seguindo a mesma linha de raciocínio, a ausência de dores na região dos rins não significa muita coisa, uma vez que esse tipo de incômodo só é gerado quando os referidos órgãos estão infectados ou possuem cálculos renais.

Do mesmo modo, urinar regularmente não é equivale a ter rins saudáveis. Isso porque gerenciar o equilíbrio da água contida no corpo é somente uma das funções exercidas por esses órgãos. No início do problema, eles podem ser incapazes de eliminar toxinas, mas não água.

Nos casos em que o paciente nota uma diminuição da quantidade de urina, isso significa que a disfunção renal já se encontra em um estágio muito avançado, no qual torna-se inevitável que o paciente realize hemodiálise.

Por isso, a avaliação da concentração de creatinina na corrente sanguínea é essencial para que se obtenha um diagnóstico preciso durante a fase inicial da insuficiência renal. Isso ajuda a impedir que a doença avance e produza complicações graves.

Ademais, a insuficiência renal crônica evolui de maneira vagarosa e em silêncio. No decorrer de vários anos, caso ela não receba o tratamento adequado o paciente corre o risco de ter diversas funções corporais executadas pelos rins prejudicadas, tais como: controle do nível de massa óssea; gerenciamento do índice de pH da corrente sanguínea; estabilidade da pressão arterial; administração da função de coagulação sanguínea; controle sobre a concentração de potássio, magnésio, fósforo, cálcio, e sódio; produção de hormônios responsáveis por controlar o índice de hemácias; e eliminação de uma série de compostos presentes na corrente sanguínea, como toxinas, e medicamentos.

Quem deve mensurar a concentração de creatinina

Qualquer pessoa pode efetuar os testes que irão apontar a real concentração de creatinina presente na corrente sanguínea. Entretanto, quando houver histórico médico que seja favorável ao desenvolvimento do problema, a mensuração de creatinina no sangue deve obrigatória.

Dentre os indivíduos mais propensos a ter disfunção renal (em variados níveis) estão aqueles que apresentam uma série de fatores, como diabetes; idade superior a 50 anos; hipertensão; histórico médico familiar positivo para rins policísticos, insuficiência renal crônica, glomerulonefrite; cálculos renais frequentes; anemia que não tenha um agente motivador específico; infecção urinária constante; edemas; urina com coloração estranha; utilização intensa de medicamentos anti-inflamatórios; doenças do coração (essencialmente insuficiência cardíaca); obesidade; falhas de crescimento na infância; tabagismo;  emagrecimento; fadiga frequente; náuseas matinais; e perda de apetite.

Procedimento clínico

Embora a creatinina seja mais exata quanto à análise do funcionamento dos rins, o mais comum é que a taxa de ureia seja examinada em conjunto a primeira. A confiança extra depositada nos índices da creatinina se devem ao fato da ureia estar sujeita a alterações causadas por hemorragias do sistema digestivo, doença do fígado, desidratação do paciente, dieta com excesso de proteínas, consumo de elementos diuréticos, dentre outros fatores.

Partindo do princípio que tanto a creatinina quanto a ureia são produzidas no mesmo ritmo em que são excretadas pelos rins, a concentração dessas duas substâncias na corrente sanguínea deve permanecer em perfeito equilíbrio. A partir do momento em que os rins deixam de executar suas funções com a mesma eficácia, a consequência imediata será o acúmulo de creatinina e de ureia no organismo.

Assim, a avaliação clínica leva em consideração o nível de acúmulo dessas substâncias no sangue, estabelecendo uma relação entre este índice e o estado atual dos rins.

A solicitação de um exame simples de urina (tipo 1), simultaneamente à dosagem da creatinina e da ureia, também não está descartada.

Concentrações normais de creatinina

As concentrações de creatinina na corrente sanguínea que são consideradas normais  oscilam entre 0,6 mg/dL e 1,3 mg/dL. Entretanto, é importante que se diga que essas são apenas médias, e que os resultados precisam ser avaliados pelo médico.

A avaliação subjetiva é essencial durante o processo, haja vista que diferentes ritmos de vida apresentam taxas de creatinina distintas. Pessoas que praticam exercícios voltados para o ganho de massa muscular, por exemplo, podem ter 1,4 mg/dL de creatinina sem necessariamente apresentar qualquer disfunção renal. Por outro lado, um indivíduo da terceira idade que esteja excessivamente magro e com taxa de 1,2 mg/dL pode ter um dos rins comprometidos.

Esses dois exemplos ilustram bem por que as taxas de creatinina podem produzir interpretações distintas. Visando não incorrer em falhas de interpretação desses dados, cabe ao médico levar alguns itens em consideração, como a idade, o peso, e o sexo. Contudo, discrepâncias superiores a 1,5 mg/dL devem ser vistas com cautela, pois na maioria das vezes revelam a existência de alguma doença renal.

A partir do resultado da creatinina no sangue chega-se à clearance de creatina, que indica qual é o volume sanguíneo filtrado pelo rins em um minuto. O normal é que esses órgãos consigam filtrar cerca de 180 litros de sangue no decorrer do dia, o equivalente a 120 ml de sangue a cada minuto. Caso o resultado apresente a metade desses valores, provavelmente o paciente possui insuficiência renal em um estágio bem avançado.

Como reduzir os níveis de creatinina

Não existe um remédio destinado à reduzir a concentração de creatinina na corrente sanguínea. Além disso, a referida substância não é causadora da insuficiência renal, e sim um elemento usado para detecção dessa doença.

Nesse ponto, cabe informar que existe a insuficiência renal crônica, e a insuficiência renal aguda. No primeiro caso, os rins atingiram um estado crítico de degradação em virtude de complicações causadas pelo diabetes, uso de remédios nocivos aos rins, pressão elevada nas artérias, etc. Nessas circunstâncias, o processo de restauração dos rins é nulo, assim como qualquer tentativa de minimização dos índices de creatinina.

Já em se tratando da insuficiência renal aguda, há melhores chances de os rins responderem ao tratamento de recuperação dos órgãos

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