Excesso de peso

Mais de metade da população tem excesso de peso em Portugal

O estudo epidemiológico PRESOPE avaliou a prevalência do excesso de peso e da obesidade em Portugal e concluiu que 65 por cento da população tem excesso de peso e 22, 2 por cento sofre de obesidade. Os hábitos de vida sedentária e o acesso fácil a alimentos ricos em gordura podem estar na origem destes números.

Mais de 80 por cento dos entrevistados com excesso de peso admite que ganharia em termos de saúde se perdesse peso e mais de metade referiu ganhar auto-estima e confiança.

A obesidade é um problema de Saúde Pública. A expressão tem sido recorrente no discurso dos especialistas. O mais recente estudo epidemiológico sobre a prevalência da obesidade em Portugal vem corroborar as preocupações dos clínicos. O PRESOPE, apresentado dia 27 de Abril em Lisboa, inquiriu, através de chamadas telefónicas, 1500 indivíduos com idade superior a 15 anos.

Da amostra, 52, 9 por cento são do sexo feminino e 47, 1 por cento do sexo masculino, apresentando uma idade média de 47 anos. Uma das conclusões a retirar do estudo é que 65 por cento da população portuguesa inquirida apresenta excesso de peso, sendo que 22, 2 por cento tem já obesidade. Entre os indivíduos que têm excesso de peso, 15, 5 por cento confessam já ter feito dieta e, desta percentagem, pouco mais de metade recorreu a um profissional durante a dieta.

Relativamente à população obesa, 28 por cento diz já ter feito dieta e, entre esta, 72, 1 por cento foi acompanhada por um profissional. “A obesidade é a mãe de um certo número de doenças”, afirmou Jacinto Gonçalves, da Fundação Portuguesa de Cardiologia. Tendo em conta esse factor, o estudo avaliou a prevalência de doenças associadas à obesidade.

“Quanto à comorbilidade, concluise que, entre as pessoas com excesso de peso, 15, 5 por cento tem hipertensão, 20, 3 por cento tem hipercolesterolemia e 6, 9 por cento sofre de diabetes. Nos obesos, verificamos que 37, 5 por cento tem hipertensão, 35, 7 por cento apresenta sinais de hipercolesterolemia e 16, 1 por cento diabetes”, explica Maria João Salgado, da Eurotrials, Consultores Científicos, empresa responsável pela elaboração do estudo PRESOPE.

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Prevenção e multidisciplinaridade
O maior problema do doente obeso é não ter consciência da sua condição. “Pesamos 150 quilogramas, mas conseguimos fazer tudo. O problema é reconhecido quando o colesterol já está muito alto, a diabetes já existe, entre outros problemas”, confessa Carlos Oliveira, ex-obeso e presidente da Associação de Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO).

As dificuldades em reconhecer a doença são corroboradas pela psicóloga do Hospital de Santa Maria, Maria João Fagundes. O estudo revela que 30, 4 por cento dos obesos afirma ter o peso ideal, percentagem que sobe para os 56, 9 por cento nos casos de excesso de peso. A especialista defende, assim, que é necessário apostar na prevenção e, neste campo, o médico de Medicina Geral e Familiar tem um papel relevante.

“O médico de família já está sobrecarregado e não pode chegar a todos os aspectos. O seu papel é fundamental na prevenção, mas é necessário haver equipas multidisciplinares, com apoio de enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais”, frisa.

Quadro: Obesidade em numeros

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03. junho 2010 by admin

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