Febre do Nilo (Vírus do Nilo Ocidental)

Informação sobre a febre do Nilo, também designada Vírus do Nilo Ocidental: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento.

Prevenção:

O modo mais eficaz de prevenir a transmissão do vírus do Nilo é reduzir o contacto humano com o vector. Para prevenir a doença em animais domésticos e em seres humanos, os serviços de saúde pública precisam dispor de meios para o controle adequado de vectores. Elemento fundamental para prevenir e controlar a transmissão de doença por meio de um vector é a educação do público sobre estas doenças. Outras precauções podem ser adoptadas para reduzir o contacto com o vírus em casa, como descrito a seguir:

  1. Colocar redes nas janelas e vedar possíveis aberturas por onde os mosquitos possam entrar na casa.
  2. Vestir calças compridas e camisas de mangas compridas, especialmente quando permanecer ao ar livre por longos períodos, nos horários de actividade dos mosquitos.
  3. Reduza, ao mínimo, as actividades ao ar livre durante o amanhecer e o entardecer, quando as picadas de mosquito são mais comuns.
  4. Use repelentes de insectos com até 35% do composto activo DEET em adultos e até 20% em crianças.

O modo mais económico e eficaz de controlar os mosquitos é reduzir a fonte de larvas. A experiência mostra que a melhor maneira é por meio de programas para reduzir os locais de proliferação, monitorar as populações de mosquitos e iniciar as medidas de controle antes de a doença ser transmitida a seres humanos e animais domésticos. Os programas também podem ser usados como uma resposta de emergência de primeira linha para o controle dos mosquitos quando a actividade viral é identificada em determinada área ou a doença é notificada em seres humanos. O controle de populações adultas do mosquito por meio do borrifo aéreo de insecticidas serve, em geral, como um último recurso. Além de prevenir o contacto com os mosquitos, nos Estados Unidos, o USDA-APHIS ( Serviço de Inspecção de Saúde Vegetal e Animal do Departamento de Agricultura dos EUA) concedeu uma licença provisória para a aplicação de uma vacina á base de vírus mortos para os cavalos.

Diagnóstico:

O seu médico pode diagnosticar a presença do vírus do Nilo Ocidental recolhendo um pouco do seu sangue para análise em laboratório. Se estiver infectado, o seu sangue vai revelar:

Um aumento dos níveis de anticorpos ao vírus. Proteínas que o seu sistema imunitário põe em acção para travar o ataque das substâncias estranhas ao organismo, como os vírus. Um teste positivo nível positivo de ácido ribonucleico (constituinte do citoplasma e do núcleo das células). E presença confirmada do vírus. Se o seu médico suspeitar que a infecção pode evoluir para uma meningite ou encefalite, terá de fazer diagnósticos.

Punção Lombar – Um dos métodos mais comuns para diagnosticar meningite é analisar o fluido da medula espinal. Com uma agulha introduzida entre a vértebra é retirado um pouco desse liquido para análise. O resultado pode revelar um aumento de leucócitos (as células sanguíneas de aspecto branco que sofre variações conforme os diferentes estados patológicos) e a presença do vírus na medula espinal.

Exame ao Cérebro – Uma tomografia compturizada ou ressonância magnética pode revelar uma inflamação ou dilatação do cérebro, que ocorre em casos de encefalite.

Tratamento:

Como não existe vacina ou tratamento específico para a doença, o mais aconselhável é evitar a picada pelos vectores e, sobretudo, eliminar os reservatórios de água que possam hospedar larvas do mosquito transmissor. Há tratamentos antivirais específicos contra o vírus do Nilo Ocidental. Nos casos de encefalites ou meningites, o paciente terá de ser hospitalizado e receber uma terapia de fluidos intravenosos e para alivio da dores. Para infecções agudas que colocam em risco a vida, recorrer-se ao tratamento adicional numa unidade de cuidados intensivos. Esta alternativa surge quando os pacientes já necessitam de apoio respiratório (ventilação). Os médicos podem ainda tratar os sintomas específicos evitando o desenvolvimento de infecções secundárias, como a pneumonia. A emergência das doenças está ligada não apenas a mutações dos vírus, que se tornam mais contagiosos, mas está relacionada também ao processo de desbravamento e uma série de desequilíbrios ambientais que modificam o ciclo dos vectores e fazem com que seu contacto com seres humanos ganhe maior frequência.

Vírus do Nilo: origens

O vírus do Nilo apareceu em 1937 no Uganda e ressurgiu na década de 1990 em consequência da seca na África, de onde passou para a Europa e Estados Unidos, onde os primeiros casos foram detectados em 1999 na região de Nova Iorque. Também conhecida por febre Nilo Ocidental, a doença é transmitida pela picada de mosquitos adaptados a áreas urbanas. Tem um período de incubação de 3 a 14 dias. O insecto é apenas o vector, passa a doença às aves, cavalos, às pessoas e outros animais mas não se transmite entre humanos. O ciclo de transmissão funciona da seguinte forma:

Um mosquito que picou uma ave infectada com o vírus do Nilo Ocidental fica contaminado. Quando o vírus entra na corrente sanguínea do insecto mantém-se nela por alguns dias antes de se fixar nas glândulas salivares. Quando o mosquito picar um outro animal ou humano, o vírus entra na corrente sanguínea do passageiro/receptor onde pode causar uma grave infecção.

Causada por um vírus da família do flavivírus (que inclui, entre outros, os da febre amarela e do dengue) identificado pela primeira vez em 1937 no Uganda, a doença é assintomática em 80 por cento dos casos. Nos restantes, provoca quase sempre sintomas semelhantes a uma simples gripe, mas pode evoluir para uma inflamação cerebral (encefalite ou meningite), o que se estima acontecer em menos de um por cento dos casos. Apesar dos mamíferos não desenvolverem níveis suficientes para infectar mosquitos, e portanto não podem servir como reservatórios, a infecção nos mamíferos pode resultar em meningo-encefalite severa e potencialmente fatal.

A transmissão directa de uma pessoa para outra não está comprovada, embora alguns cientistas americanos tenham descoberto que as transfusões de sangue e transplantes podem passar o vírus. Muitos mamíferos, como os humanos e cavalos, os cães e gatos são hospedeiros eventuais que ficam infectados, quando picados pelo mosquito doente que deles se alimenta. No caso dos Estados Unidos, uma possível explicação para o surgimento do vírus, é que um mosquito vector infectado tenha viajado para os Estados Unidos num avião e foi inadvertidamente solto, introduzindo o vírus em populações de aves nativas.

Em 2002, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano registrou 4.156 casos da doença, com 284 mortes. Em 2003, foram 9.388 casos e 264 mortes, com possível aumento de infecções em 2004. Os cientistas estão atentos à propagação do vírus do Nilo Ocidental, em especial durante os meses de verão. A incidência do vírus nos Estados Unidos é recente, mas estendeu amplamente no país nos últimos seis anos, e até o momento também foram identificados casos de infecção em humanos neste ano no Texas, Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Nebraska, Novo México, Nova York, Dakota do Sul e Wyoming. Na grande maioria dos estados foram encontradas aves selvagens migratórias infectadas pelo vírus. Os especialistas acreditam que não há razões para alarme na Europa, ainda que a doença esteja em expansão e tenham surgido focos nos últimos anos, nomeadamente na Roménia, em 1996, na Rússia, em 1998 e no Sul de França, e agora em Portugal.

Vírus do Nilo: sintomas e consequências

Animais selvagens ou domésticos como os corvos, gaios, pombos e pardais são os amplificadores primários do vírus do Nilo Ocidental. São as migrações de aves já infectadas que acabam por levar o vírus para outras regiões; há sempre um mosquito que pica esses animais e acaba por propagar o vírus aos humanos. Humanos, cavalos, cães, e muitas outras espécies animais são hospedeiros susceptíveis do vírus, que pode causar encefalite severa e até a morte.

Dores de cabeça intensas, febre, rigidez do pescoço, desorientação, convulsões são sinais de alerta. Não há notícia de contaminação entre seres humanos, salvo nos casos de transfusão sanguínea e de transplante de órgãos, e que são raros. O vírus do Nilo Ocidental não é transmissível entre as pessoas e só 1% dos casos evolui para situações graves, como encefalites. Os sintomas, que são raros, são semelhantes aos da gripe. A maioria das pessoas que já foram infectadas pelo vírus do Nilo Ocidental não apresentam sinais ou sintomas. Apenas 20% das pessoas desenvolvem a doença que também pode assumir a variante da infecção conhecida por febre do Nilo. Os sintomas mais comuns são:

Febre
Dores de cabeça
Fraqueza muscular
Falta de Apetite
Náuseas
Desorientação
Dor de costas
Erupção cutânea
Inchaço nas glândulas linfáticas

Em menos de 1% dos infectados, o vírus causa efeitos severos, como encefalites, meningite ou paralisia. Os sinais ou sintomas dessas doenças são:

Febres altas
Dores de cabeça muito fortes
Nariz congestionado
Desorientação e confusão
Tremores e espasmos musculares
Sinais ou sintomas da doença de Parkinson
Descoordenação motora
Convulsões
Paralisia parcial

Os sintomas mais leves da febre do Nilo Ocidental são parecidos com os da gripe e persistem durante alguns dias. Mas os efeitos mais graves de encefalites ou meningite podem perdurar várias semanas. Efeitos no sistema nervoso central, tais como a paralisia podem tornar-se permanentes.

Vírus do Nilo: Factores de risco

Vários estudos já realizados apontam para a existência de duas linhas virais causadoras da febre do Nilo: uma dispersa no mundo e outra exclusiva dos países africanos. Quem for mordido por um mosquito infectado corre o risco de contrair o vírus. Mas o risco de contrair a doença depende ainda de:

Estações do ano – O vírus do Nilo Ocidental segue um padrão que começa no final da Primavera, sendo o auge da infecção no final do Verão, começo da Outono.

Localização geográfica – Visitar ou viver em zonas onde é comum a presença de vectores aumenta os riscos de ser infectado pelo vírus do Nilo Ocidental.

Tipo de profissão – Se trabalha ao ar livre, terá maiores hipóteses de ser picado por um mosquito infectado.
Se for picado por um mosquito infectado, o seu risco de ficar doente é pequeno. A maioria das pessoas que foi infectada pelo vírus recupera por completo. O risco de infecção grave é maior para as pessoas com mais de 50 anos ou com um sistema imunitário frágil. Em casos muitos raros, há registo de outras vias de transmissão :

Transplante de órgãos e transfusões de sangue: Em 2002, nos E.U.A quatro pessoas desenvolveram uma infecção do vírus do Nilo, depois de receberem órgãos de um dador que já se encontrava contaminado. Outras 23 pessoas , foram infectadas depois de submetidas a transfusão de sangue de 16 dadores contaminados. Perante tais situações, as autoridades sanitárias dos E. U. A. decidiram recusar doações de sangue a pessoas que tiveram febre e dores de cabeça uma semana antes da data da transfusão. Mas coloca-se ainda o problema dos dadores que estão infectados, mas que não tiveram sintomas nenhuns e não sabem que são potenciais reservatórios.

Gravidez e recém-nascidos: Em 2002 na cidade de Nova Iorque, uma mulher gravida de 6 meses contraiu o vírus do Nilo Ocidental. Cinco semanas depois, quando bebé nasceu, os médicos detectaram a presença de anticorpos ao vírus. A criança tinha problemas de retina e alguns danos em zonas do cérebro. Este caso foi a primeira prova de que a doença pode ser passada de mãe para filho, através do cordão umbilical.

Amamentação: Em 2002, no estado de Michigan uma mulher contraiu a infecção do vírus ao receber uma transfusão de sangue após o parto. Algumas semanas depois, as análises ao seu filho revelaram a presença do vírus. No entanto, o bebé não desenvolveu nenhum sintoma. Nesse ano, registaram mais dois casos de transmissão do vírus por amamentação mas sem consequências. Apesar dos alertas, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano (CDC) entendeu que neste caso não se justificava alterações nas recomendações sobre amamentação da Academia Americana de Pediatras e Academia Americana de Médicos de Família. Os dois grupos defendem a importância da amamentação até ao primeiro ano de vida.

Contaminação laboratorial: No mesmo ano, dois microbiologistas contraíram o vírus do Nilo Ocidental através de ferimentos na pele ao lidarem com animais infectados no laboratório. Os dois funcionários estavam envolvidos na pesquisa e análise do vírus do Nilo. São casos raros, mas que reforçam a importância da precaução nas situações referidas acima. No entanto, não justificam alarmismo. O vírus só pode ser transmitido aos humanos por picada de mosquito. Não é transmissível por tocar ou beijar alguém infectado. Não está provado que o vírus se pode propagar ao tratar de um cavalo infectado ou comendo carne de caça infectada. Regra geral, deve ser sempre bem cozinhada antes de ingerida.

Foto acima: Em exames experimentais, o mosquito Aedes albopictus (também conhecido como o Tigre Asiático) tem sido declarado como o principal vetor do vírus do Nilo Ocidental.

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Faça um Comentário
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:05 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)