Fotos Antes e Depois

Febre Reumática

Apesar do nome, a febre reumática não afecta gravemente as articulações e, apesar de a artrite poder acontecer, não produz nenhuma incapacidade permanente. A febre reumática é importante porque pode afectar o coração e os danos daí resultantes podem ser graves e permanentes. O sistema nervoso também pode ser afectado. Estas três características da doença foram identificadas desde 1889 quando o médico William Cheadle verificou a associação da febre reumática com inflamação do coração, a artrite passando de articulação em articulação, a amigdalite, a dança de São Vito (um problema com o sistema nervoso), nódulos e placas na pele.

A febre reumática de hoje em dia é, normalmente, uma enfermidade muito mais moderada do que era há 60 anos atrás. Em muitos casos, nem o coração nem o sistema nervoso estão envolvidos e a situação está restringida a dores nas articulações. Isto contraria, de forma evidente, a febre reumática nos países em desenvolvimento em que a enfermidade, muitas vezes, é grave (por vezes levando imediatamente à morte) e é susceptível de ter graves complicações. Ocasionalmente, os primeiros sintomas não são visíveis e a lesão gradual do coração ocorre sem que haja dor nas articulações ou qualquer indício da doença, exceptuando fadiga generalizada. Nalguns casos, a lesão lenta, mas progressiva do coração pode, ao longo das semanas ou meses, evoluir ao ponto de ocorrer a insuficiência cardíaca.

Causas da febre reumática:

As causas da doença são desconhecidas, mas a febre reumática segue-se sempre a uma infecção da garganta, com uma estirpe particular da bactéria streptococcus, o denominado streptococcus hemolítico do Grupo A. Não é provocada pelos processos normais de infecção e, geralmente, acredita-se ser uma espécie de doença auto-imune induzida pelos streptococcus. Não surgiu ainda qualquer prova positiva desta suposição. A febre reumática não é uma infecção, e a infecção noutras partes do corpo com a mesma bactéria streptococcus não conduz à febre reumática. Somente uma infecção de garganta o faz. A doença, geralmente, acredita-se ser um distúrbio auto-imune induzido pelos streptococcus. Não apareceu, ainda, nenhuma prova positiva disto, mas foram descobertos alguns factos interessantes.

Em cada surto de infecção da garganta causada pelas estirpes de bactérias que originam a febre reumática, cerca de metade das pessoas que já sofreram de febre reumática têm uma recaída. Naquelas que nunca tiveram a doença, somente 2% a contraem. A forma mais provável em que a doença se desenvolve é a seguinte: todos os germes transportam nas suas superfícies exteriores grupos de químicos denominados antigenes que podem ser identificados pelo sistema imunitário. No caso de certas estirpes de bactérias streptococcicas, os antigenes parecem ser muito semelhantes aos grupos de químicos transportados pelos tecidos nas articulações, no músculo do coração e no seu revestimento, no sistema nervoso e na pele. Quando estes streptococcus invadem o organismo, o sistema imunitário produz anticorpos para os atacar. Infelizmente, os anticorpos também detectam os grupos de químicos, de identificação semelhante, nos próprios tecidos do corpo e movem-lhes um ataque, causando inflamação e problemas. Neste caso, pode haver lesão do revestimento interno do coração, dos músculos do coração, das superfícies que revestem as articulações, os tecidos nervosos cerebrais e outras partes do corpo.

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Febre reumática – Sintomas e sinais

Há febre e inflamação de uma ou mais das mais proeminentes articulações, com dor e inchaço. Como os sintomas cedem numa articulação, tendem a instalar-se noutra. Por vezes, são afectadas várias articulações ao mesmo tempo. O envolvimento do coração, muitas vezes é gradual e imperceptível; pode não haver sintomas até que se atinja um estado mais avançado quando se constate a lesão do coração. A Coreia Sydenham (dança de São Vito) é um distúrbio gradualmente progressivo do sistema nervoso resultando de inflamação reumática. Apresenta movimentos incontroláveis e bruscos dos membros e do corpo e, normalmente, transtornos emocionais. Um ataque de febre reumática ocorre cerca de 19 dias após os primeiros sintomas de uma infecção da garganta causada por um vírus streptococcus. É assim que acontece quando há o primeiro ataque ou uma recaída. Há febre e inflamação de uma ou mais de uma das mais proeminentes articulações com dor, inchaço e vermelhidão. Como os sintomas desaparecem numa das articulações, tendem a instalar-se numa outra. Por vezes, várias articulações são afectadas ao mesmo tempo. Um ataque de febre reumática pode durar cerca de seis semanas ou pode continuar por muito mais tempo. Os sintomas são definitivamente tratados e, por vezes, é difícil estar seguro se o ataque cedeu ou não. Contudo, há vários testes que podem indicar se a doença está ou não activa.

Nódulos subcutâneos ocorrem desde cedo na doença em pontos de pressão cotovelos, joelhos e solas dos pés. Os nódulos são pequenos, diversificados e desaparecem rapidamente. Uma outra causa, o eritema marginado, é uma erupção cutânea de manchas múltiplas, levemente ásperas, achatadas e de cor vermelha na pele do tronco, propagando-se para fora deste. Esta particularidade sugere, frequentemente, que o coração pode estar envolvido. É mais proeminente durante a febre e as fases activas da doença. Apesar de indiciar ser a febre reumática, não é uma prova positiva da doença.

Diagnóstico – Como se Diagnostica:

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Este é feito na base das dores características das articulações ligeiras, queixas do coração, dilatação do coração, ou do desenvolvimento de sintomas do sistema nervoso. Os próprios anticorpos dos antigenes dos streptococcus produzidos pelo sistema imunitário também podem ser detectados. Se forem efectuadas duas medições por semana ou quinzenalmente, em separado, dos níveis destes anticorpos e se verificar que o segundo nível é mais alto do que o primeiro, esta é uma indicação clara de que houve uma infecção recente com esta estirpe de streptococcus. A isto designa-se de título crescente. A palavra título apenas significa o nível (concentração) dos anticorpos no sangue. Uma outra análise laboratorial testa a taxa de penetração (sedimentação) dos glóbulos vermelhos num tubo estreito. O comprimento da zona livre acima do nível da célula é medido em milímetros após exactamente uma hora. A isto chama-se velocidade de sedimentação e na febre reumática a medição satisfatória está acima dos normais de cerca de 10 a 15 mm por hora. Contudo, este não é um teste específico para a febre reumática, dado que a TSE surge dentro de uma larga variedade de estados inflamatórios.

Prevenção – Cuidados a ter:

A febre reumática pode sempre ser prevenida por tratamento imediato de infecção estreptocóccica na garganta com antibióticos. A eliminação da sobrepopulação e outras condições que estimulam a proliferação de infecções respiratórias (tossir e espirrar) revela-se, também, importante.

Riscos e Complicações:

O efeito mais comum e grave no coração é o espessamento das fibras e as feridas nas válvulas, tornando-as mais estreitas (estenose) ou causando alargamento (insuficiência). Isto pode interferir seriamente com a actividade do coração e causa efeitos secundários graves na saúde da pessoa afectada. O sistema nervoso pode, também, estar implicado, causando a Coreia de Sydenham (dança de São Vito). O efeito mais comum e grave no coração é o espessamento das fibras e as feridas nas válvulas, tornando-as mais estreitas (estenose) ou causando vazamento (insuficiência). Isto pode interferir seriamente com a actividade do coração e causa efeitos secundários graves na saúde da pessoa afectada. A lesão do músculo do coração também pode ser grave. Neste caso, a capacidade do coração bombear o sangue pode ser gradativamente reduzida até que não seja mais capaz de manter uma circulação eficaz do sangue. Este estado é chamado de insuficiência cardíaca. Contudo, a insuficiência cardíaca é, muitas vezes, a consequência de lesão da válvula.

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Febre reumática – Tratamento

A febre reumática aguda é tratada com repouso, aspirina e esteróides, depois de terem sido empregues antibióticos para destruir os streptococcus presentes. Os medicamentos à base de salicilatos, tais como a aspirina irão reduzir, rapidamente, a dor das articulações, a vermelhidão e o inchaço. Estes sintomas, frequentemente, irão ser atenuados dentro de 24 horas após se ter dado um salicilato. O repouso absoluto deve continuar enquanto durar o ataque que pode ser testado através da VS – velocidade de sedimentação ou da presença da substância denominada proteína C reactiva. Este repouso é necessário, devido à possibilidade de lesão do coração o que, caso venha a acontecer em definitivo, sempre irá ocorrer dentro das duas primeiras ou três semanas. As crianças que tiveram febre reumática estão protegidas de problemas posteriores através do uso preventivo de longa duração de penicilina, ministrada até que atinjam os 20 anos de idade aproximadamente.

A Coreia de Sydenham é favorecida por meio de tranquilizantes e sedativos. A substituição da válvula do coração pode ser necessária se a lesão do coração foi causada por falha da válvula.

Informação para profissionais de saúde e estudantes de medicina:

. Processo imune sistêmico que complica a faringite por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A.
. Em geral afeta crianças entre 5 e 15 anos de idade; rara depois dos 25 anos.
. Ocorre 1 a 5 semanas após a faringite.
. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Jones (dois critérios maiores ou um maior e dois menores) e confirmação de infecção estrepocócica recente.
. Critérios maiores: eritema marginado, poliartrite migratória, nódulos subcutâneos, cardite e coréia de Sydenham; o último é o mais específico e o menos sensível.
. Critérios menores: febre, artralgias, elevação da velocidade de hemossedimentação, proteína C reativa elevada, prolongamento do intervalo PR no ECG e história de faringite reumática.

Diagnóstico diferencial

. Artrite reumatóide juvenil ou do adulto
. Endocardite
. Osteomielite
. Lúpus eritematoso sistêmico
. Doença de Lyme
. Infecção gonocócica disseminada

Tratamento

. Repouso no leito até normalização dos sinais vitais e do ECG
. Os salicilatos e os antiinflamatórios não-esteróides baixam a febre e reduzem as queixas articulares, mas não afetam a evolução natural da doença; raramente usam-se corticosteróides
. Se a infecção estreptocócica ainda estiver presente, indica-se penicilina
. Prevenção da faringite estreptocócica recorrente em pacientes com < 25 anos de idade (utiliza-se mais comumente uma injeção mensal de penicilina benzatina).

Dica

A observação de taquicardia desproporcional em criança febril com faringite recente sugere este diagnóstico.

Referência
Rullan E, Sigal LH: Rheumatic fever. Curr Rheumatol

02. Fevereiro 2010 by admin

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