Fundação Grunenthal - Inovação e desenvolvimento são o futuro da empresa - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Fundação Grunenthal – Inovação e desenvolvimento são o futuro da empresa

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Fundação Grunenthal aposta na área da dor
Em Novembro, a Grünenthal mudou de director-geral. Aos 33 anos, João Simões assume a liderança da farmacêutica e fala do caminho que a empresa quer seguir. A investigação na área da dor passa a ter especial enfoque. João Simões fala ainda da Fundação Grünenthal e dá a sua visão sobre a aposta do Estado nos medicamentos genéricos.
O novo director-geral da Grünenthal, João Simões, fala com a SM sobre os desafios da empresa.
O maior de todos, confessa, será contribuir para uma melhoria do tratamento da dor em Portugal. Numa conversa que decorre com leveza e com um discurso claro, o responsável adianta que gostaria “que o Ministério da Saúde acompanhasse a contenção de custos com uma maior preocupação ao nível de alguns indicadores de qualidade do serviço que é prestado”. Quanto à aposta nos genéricos, João Simões acredita que a poupança do Estado nos medicamentos genéricos poderá ser investida na introdução de novos medicamentos inovadores, que ofereçam novas opções terapêuticas.

Foi nomeado director-geral da Grünenthal em Novembro de 2009. Quais as linhas de orientação que pretende seguir?

O maior de todos os desafios será contribuir para uma melhoria do tratamento da dor no nosso país. Portugal é um dos países da Europa Ocidental que apresenta alguns dos indicadores mais baixos no tratamento da dor. O meu papel, e o desta empresa, será contribuir para que as barreiras existentes em Portugal, que dificultam a melhoria destes indicadores, sejam de alguma maneira ultrapassadas. Estas barreiras estão muito ligadas à sociedade em que vivemos e esta empresa tudo fará para as ultrapassar.
Falamos de barreiras culturais, com pensamentos enraizados, alguns também dentro da classe médica. Mas há indicadores que nos permitem perceber que estão a ocorrer mudanças. Se no passado o próprio Ministério da Saúde (MS) não pensava muito neste assunto, assistimos agora a uma maior abertura. Já tivemos alguns exemplos, como a comparticipação de opióides fortes, em alguns casos, a 95 por cento. De alguma maneira, gostaríamos de ser parceiros do MS e de qualquer outra entidade que esteja interessada nesta área, para podermos ultrapassar estas barreiras que existem no nosso país.

Qual a sua análise do sector farmacêutico em Portugal?

Da parte do Ministério da Saúde, a grande linha de condução tem sido a contenção de custos. Temos verificado que ao nível da organização dos cuidados de saúde estão a retirar doentes dos hospitais e a colocá-los nas redes de cuidados primários e de cuidados continuados, onde o tratamento é mais barato, tornando o processo mais eficiente. Ao nível da política do medicamento, ano após ano, somos surpreendidos com algumas medidas de contenção de custos que, na maioria dos casos, faz o seu sentido. Aquilo que nós gostaríamos era que o MS acompanhasse estas medidas de contenção de custos com uma maior preocupação ao nível de alguns indicadores de qualidade do serviço que é prestado. Se conseguissem introduzir mais indicadores qualitativos relativamente àquilo que é a gestão do MS e da sua política, penso que de alguma maneira poderíamos melhorar o Serviço Nacional de Saúde.

Pode pormenorizar…

Posso dar-lhe dois exemplos de indicadores qualitativos que penso que seriam fáceis de implementar. Um, que inclusivamente até já está a ser iniciado, é a contratualização com as unidades de saúde familiar de alguns serviços adicionais que teriam indicadores e remuneração próprias. Isto já foi anunciado, em alguns casos já foi contratualizado e, neste momento, o que está a faltar é o pagamento desses mesmos serviços. Em segundo lugar, a introdução de determinados indicadores qualitativos numa rede nova, como a rede de cuidados continuados, para a qual, neste momento, não temos qualquer indicador de qualidade. O que está a haver é uma política de contenção de custos mas não existe nenhum nível de indicador acerca do desempenho de cada unidade ou da própria rede. Se a gestão for complementada entre contenção de custos e indicadores qualitativos permite ao próprio MS apresentar um serviço de maior qualidade aos seus utentes. E nós, enquanto indústria farmacêutica, queremos ser parceiros e tentar ajudar naquilo que for possível. Não queremos ter apenas uma imagem de uma empresa que vende medicamentos, mas que é parceira do MS naquilo que são os objectivos do tratamento da saúde dos cidadãos.

Quais as perspectivas para o futuro na Grünenthal. Haverá novos fármacos, novas áreas de pesquisa?

O director-geral encara o mercado e as pessoas como orientadores da sua estratégia de gestão.

A Grünenthal tem perspectivas futuras muito positivas. Temos previsto o lançamento de dois novos fármacos nos próximos dois anos.
Um já no final deste ano, um sistema de aplicação cutânea com lidocaina para o tratamento da nevralgia pós herpética. No final de 2011, teremos o lançamento do novo fármaco, o Tapentadol®. Este será um fármaco revolucionário para o tratamento da dor intensa.
Apresenta uma eficácia equivalente a outros fármacos que existem no mercado, mas com efeitos secundários bastante baixos, o que ajuda a uma adesão à terapêutica bastante superior face a esses fármacos. Em termos de oferta, são todos canalizados para aquela que consideramos a área core desta empresa – a área da dor.

A empresa aposta fortemente na investigação. Quais os últimos avanços neste campo, na Grünenthal?

No último ano tivemos uma nova concentração estratégica, no âmbito da qual consideramos a dor como a área core da nossa empresa, tendo a Ginecologia ficado num patamar não tão importante em termos de investigação. Consideramos, ao nível internacional, a dor como um mercado muito interessante para o grupo, somos especialistas nesta área e temos um portfólio que fala por si. Temos também uma imagem muito forte junto da classe médica e um elevado know-how ao nível de investigação nesta área. Em termos de mercado, consideramos que este é um mercado com muito potencial e que apresenta um elevado crescimento.
Em resumo, é nesta área que iremos focar-nos, não só ao nível do desenvolvimento, mas também da promoção.

Numa altura em que o Governo apela para a redução dos preços dos medicamentos, de que forma gerem a investigação, que implica orçamentos elevados?

Não tem sido muito fácil gerir esta situação porque Portugal obviamente não está sozinho nestas políticas, ao nível internacional tem-se verificado uma pressão sobre os preços e sobre as margens dos produtos muito grande. Isto faz com que a capacidade de investimento diminua substancialmente.
Ao nível internacional, cerca de 20 por cento das nossas vendas são investidas em investigação e desenvolvimento e, a partir do momento em que as nossas margens se esmagam, temos menos possibilidade de continuar a investir nos mesmos moldes. Se até agora continuamos a investir em investigação é óbvio que, no futuro, isso dependerá muito das margens que consigamos alcançar nos próximos anos, já que a nossa capacidade financeira diminuirá substancialmente.

A partir de 1 de Julho de 2010 a comparticipação dos medicamentos passa a ter um valor fixo e deixa de ser feita mediante uma percentagem. Concorda com esta medida?

Todas estas alterações feitas ao nível das comparticipações prendem-se com o incremento do consumo dos genéricos.
Não consideramos que seja uma medida problemática. Parece-me que é uma boa medida, principalmente para o utente numa primeira fase, que passa a pagar menos pelos medicamentos, e numa segunda fase, é o próprio Estado que paga menos. O impacto para a nossa empresa existe, em alguns produtos mais maduros do nosso portfólio, mas o nosso posicionamento estratégico não é claramente nesta área. O nosso posicionamento é ao nível da área da dor, com produtos inovadores.
Em suma, todas essas medidas de incremento do consumo de genéricos não têm um impacto muito grande naquilo que é a estratégia da nossa empresa.
Pensamos que são medidas positivas, quer para o utente quer para o orçamento do Estado.

Acredita que a mudança na comparticipação dos genéricos pode contribuir para aumentar a venda destes fármacos?

Ao haver uma aposta nos genéricos, o Estado está a ter uma poupança clara. Está a libertar alguns fundos para poder apostar em novos fármacos, novas terapias, fomentando a inovação, e aí abre espaço para que algumas empresas, que apostam nesse sector, tenham também o seu papel.
Mas se houver uma excessiva contenção de custos, as empresas de inovação terão algumas dificuldades em sobreviver no futuro e apresentar novas soluções terapêuticas.
Nós, como empresa na área da inovação, esperamos por algumas medidas, complementares a esta, que permitam introduzir novos fármacos, ter processos de comparticipação mais céleres e que a própria população tenha acesso mais rapidamente a novos medicamentos.
Penso que o Estado terá de fazer algum balanceamento entre a contenção de custos e a componente qualitativa do Serviço Nacional de Saúde.

FUNDAÇÃO GRÜNENTHAL

A Fundação Grünenthal, entidade privada sem fins lucrativos, tem como finalidade a promoção e apoio de actividades no mundo das ciências e da Saúde, especialmente as relacionadas com a dor e a Medicina paliativa. Quais as iniciativas previstas para o futuro próximo?

A fundação tem duas finalidades. Uma é incrementar a importância social de um correcto tratamento da dor; a segunda, alargar o conhecimento do tratamento das síndromes dolorosas. As iniciativas são várias, mas gostaria de destacar duas: O prémio dor e o curso dor. O prémio dor que, no fundo, inclui dois prémios, porque atribuímos um de investigação clínica e outro em investigação básica, é uma actividade que fazemos desde a origem da fundação. Já vamos no sétimo ano.

Durante o primeiro semestre deste ano vamos anunciar os vencedores do prémio em 2009 e até 15 de Novembro temos inscrições abertas para os prémios de 2010.
Depois, temos o curso dor, que é um curso dirigido a profissionais de saúde, que já contou com mais de três mil participantes. Temos ainda a Comunidade Dor Online, que permite aos profissionais de saúde interagirem entre eles e trocarem experiências, trocar conteúdos e informação científica. Temos ainda um protocolo com a Plataforma Saúde em Diálogo, onde falamos um pouco sobre a dor e a importância clínica que o tratamento da dor tem, não só para os profissionais de saúde como, principalmente, para o doente.

Ainda na sequência da questão anterior, qual a importância que atribui à Fundação Grünenthal?

A fundação é inteiramente subsidiada pela Grünenthal e como tal os seus objectivos correm em paralelo aos objectivos da empresa, mas termina aí. A fundação tem uma autonomia completa ao nível daquilo que são as suas estratégias, iniciativas e planos, sendo que apenas um dos elementos do conselho de administração faz parte dos quadros da empresa, sendo as restantes pessoas externas à Grünenthal. Estas trazem as suas ideias, os seus próprios projectos para dentro da fundação.
Aquilo que para mim é mais importante na fundação é que a autonomia é total e não existe qualquer tipo de promoção de medicamentos

O PERCURSO DE JOÃO SIMÕES

Está na Grünenthal desde 2004. Este foi um percurso natural?

Tem sido um percurso muito interessante porque, ao contrário do que é comum, venho de uma área financeira e não de uma área comercial.
Tem sido também interessante para a própria organização ter novos métodos de trabalho, uma nova filosofia, uma forma de estar um pouco diferente. Tínhamos um director-geral que estava cá há 15 anos, que fez reformas fantásticas. Mas, como em qualquer empresa, penso que é positivo haver algumas mudanças. Julgo que a organização terá o benefício dessa própria mudança.

Quais as suas “fontes de inspiração” para orientar o seu trabalho?

Tenho duas fontes de inspiração. Uma é o mercado. Claramente temos de estar atentos àquilo que acontece no mercado para podermos posicionar a nossa empresa da melhor forma, tendo em conta os objectivos estratégicos da mesma. Outra das minhas fontes de inspiração são as pessoas. Não podemos esquecer que são as pessoas que fazem a diferença dentro das organizações.
A organização não é mais do que um conjunto de pessoas que está a lutar por um mesmo objectivo. Temos de balancear entre aquilo que são as alterações do mercado e aquilo que são os conhecimentos e motivações das pessoas que estão dentro da empresa.

Como auditor, actividade por onde começou a sua carreira, fez consultorias para a Pfizer. Foi uma aprendizagem útil quando chegou à Grünenthal?

Fui consultor durante cinco anos, ao longo dos quais tive experiências em variadíssimos sectores, entre os quais a indústria farmacêutica, o que me deu algum conhecimento adicional quando entrei nesta empresa. Foi bom ter conhecimento das várias abordagens existentes, nas várias empresas dos sectores em que estive. Assim, quando entrei aqui já trazia algumas ideias daquilo que gostaria de ver implementado. Penso que foi um início muito interessante porque a consultoria permite abrir horizontes. Mas, o grande conhecimento foi adquirido cá dentro e aquilo que a Grünenthal me permitiu até hoje foi uma constante promoção ao nível da carreira. E hoje em dia acabo por ter um desafio muito grande, que mostra aquilo que é o espírito da Grünenthal – um espírito de abertura para com as pessoas. As pessoas são avaliadas pela sua capacidade e não pela sua antiguidade ou idade e penso que isso é um bom princípio para todas as pessoas dentro desta empresa que quiserem ter um futuro neste grupo.  

Atualizado em 13 Janeiro 2018

One Comment

Participe no Forum. Deixe a Sua Dúvida ou Comentário

Campos de Preenchimento Obrigatório marcados com *


  1. Estará o senhor João Simões, disposto a falar com uma vítima da Talidomida em Portugal.
    Ficarei a aguardar o seu interesse pelo assunto.

Participe no Forum. Deixe a Sua Dúvida ou Comentário

Campos de Preenchimento Obrigatório marcados com *