Ilha de Marajó

A Ilha de Marajó conhecida como a ilha dos búfalos.

Eles estão por todo o lado, enfiados em charcos de água, ruminando pacificamente sem incomodar ninguém. Em Marajó, a maior ilha fluvial do mundo, situada entre os rios Tapajós e Amazonas, os búfalos dominam a paisagem. Há versões desencontradas sobre como chegaram à ilha. Alguns defendem que foram levados de Goa pelos colonos portugueses, mas a maioria prefere uma história com contornos mais românticos, dizendo que os búfalos de Marajó são descendentes de meia-dúzia de animais que sobreviveram a um naufrágio ao largo da ilha.

A Ilha de Marajó é um sossego e uma beleza. Nesta ilha situada a três hora e meia de barco de Belém (30 minutos de avião) a taxa de criminalidade é muito baixa e as pessoas ainda fecham a porta das casas só com o trinco. Em Salvaterra, os polícias fazem a ronda montados em búfalos, e na vizinha Soure as crianças jogam à bola no meio das ruas, só parando quando passa um carro bissexto.

Grandes áreas de Marajó ficam submersas pelas águas dos rios no Inverno, o que faz com que os barcos e os cavalos sejam ainda os principais meios de transporte. As fazendas com milhares de hectares há muito que deixaram de estar apenas dependentes da criação de gado e hoje quase todas oferecem instalações para turistas com espírito de aventura.

Lá pode-se andar a cavalo (os pequenos animais de raça marajoara são extremameente dóceis, ideais para quem não tem experiência de montar), ajudar a reunir uma manada de búfalos ao final da tarde, cruzar os igarapés e os furos para avistar animais, ou tomar banho nas praias de areia branca, com água a rondar os 27 graus.

São praias fluviais, de água salobra, mas mais parecem praias de mar, uma vez que o rio chega a ter uma largura de mais de 20 quilómetros. E não se preocupe: existem, sim, crocodilos no Tapajós e no Amazonas, mas preferem ficar em zonas de águas paradas nos igarapés, raramente sendo avistados nas praias. Não há registo de um ataque destes animais nos últimos anos, mas se suspeitar que algo não está a correr bem o melhor é sair da água. A correr

Onde ficar alojado

A Fazenda São Jerónimo (Rodovia Soure-Pesqueiro, km3, www.marajo.kt) é uma excelente alternativa. A diária numa suite com ar condicionado, rede e outras mordomias custa 90 reais (30 euros). Um pacote de três dias e duas noites, com passeios pela floresta, cavalgada, trilha ecológica e espectáculo de carimbó fica por 400 reais (à volta de 130 euros).

A fazenda Sanjo ([email protected]), a duas horas de barco de Salvaterra, está também preparadas para receber turistas. A grande atracção é a cavalgada no estilo marajoara por atoleiros, campos firmes, e zonas de pântano. Os preços rondam os 90 reais por noite.

Muito interessante para pernoitar é a Pousada dos Guarás, em Salvaterra, um conjunto de “bungalows” junto à praia. Os preços são mais em conta do que as fazendas e o restaurante recomenda-se. Informações podem ser obtidas em Belém, na agência Mururé Turismo, Rua Manoel Barata.

Santarém

O encontro das água

Uma das maiores atrações de Santarém, uma cidadezinha a meio caminho entre Belém e Manaus, é o o encontro das águas barrentas do Amazonas com as águas verde-esmeralda do Tapajós, que ocorre mesmo em frente ao porto fluvial. O espectáculo pode ser visto por quem chega de avião a Santarém, mas nada bate uma curta viagem de barco até ao sítio exacto onde as águas dos dois rios chocam no mesmo canal (que embora seja muito largo não está preparado para um volume semelhante de água), seguindo depois a par durante mais de 70 quilómetros, até o Amazonas engolir finalmente o Tapajós.

Os dois rios têm cores diferentes e temperaturas diferentes. Vindo das alturas dos Andes, o Amazonas é barrento e frio (à volta de 14 graus), enquanto o Tapajós é verde e cálido (à volta de 27 graus). A escassa largura do canal e o choque térmico fazem com que as águas do rio demorem a misturar-se, causando um espectáculo inesquecível. Na zona do encontro das águas existe os espectáculo acrescido dos botos (golfinhos pequenos, alguns cinzentos, outros cor de rosa), dóceis e brincalhões, que acompanham o barco durante quilómetros.

Outra das maiores atrações de Santarém é a praia fluvial de Alter do Chão, a cerca de 32 quilómetros de distância, que podem ser cumpridos de barco. Alter é uma jóia. Uma vilória sossegada, com um largo cinematográfico (que já serviu, aliás, de cenário a alguns filmes americanos, como Medicine Man, com Sean Connery e Lorraine Bracco) e uma praia de sonho. Ali fica o Lago Verde, cujas águas vão mudando de cor ao longo do dia e que permite o acesso uma espécie de floresta líquida, com água pela copa das árvores devido à subida da maré.

É um sítio estranho, mágico, onde os barcos avançam em total silêncio pelo meio das árvores, enqunto no fundo das águas transparentes se agitam plantas, ervas animais. Aconselha-se o maior cuidado com o sítio onde se põem as mãos, porque muitas vezes as árvores escondem cobras e outros animais

Alojamento

Uma excelente alternativa é fazer um cruzeiro regional de sete dias, percorrendo as cidades colonizadas pelos portugueses, proposto pela Eco Travel .O barco, com cabines confortáveis, parte de Belém e passa por Melgaço, Almeirim, Porto de Mós, Santarém, Alenquer, Óbidos, Faro e Alter do Chão. Informações sobre os preços podem ser solicitadas para o seguinte endereço electrónico: [email protected]

Quem optar por fazer um cruzeiro mais curto a partir de Santarém pode contactar a Santarem Tur ([email protected]).

Em Alter do Chão nada bate o Belo Alter Hotel (www.beloalter.com.br), uma unidade confortável, virada para o Lago Verde, rodeada de floresta, com diárias a partir de 70 reais e com pessoal muito simpático e eficiente. O restaurante é também excelente, e quem quiser pode optar por dormir numa casa construída numa árvore. Neste caso, tem que abdicar do ar condicionado.

Onde comer

Em Santarém, o restaurante Mascotinho (em frente ao porto) vale pela vista e pelo ambiente. Mas nada bate a Peixaria Piracatu (Av. Mendonça Furtado, 174) que oferece sempre peixe fresquíssimo e muito bem preparado.

Pequeno Glossário Amazonense

Decifrar o linguajar dos habitantes do delta amazonense nem sempre é fácil, em especial porque na região existem muitos produtos quase desconhecidos do resto do mundo. Aqui fica um pequeno glossário para facilitar a vida a quem visita a região

Açai – Fruta pequena, redonda, que faz lembrar as cerejas. Dela é extraído uma bebida não-alcoólica que pode ser misturada com mandioca. De alto valor energético, virou moda nas academias de ginástica do Brasil

Brega – Género musical da Amazónia, faz lembrar uma mistura frenética entre a música caipira e o defunto “disco sound”. Os principais artistas de Brega vendem milhões de discos e viajam pela região em aviões particulares.

Caboclo – Mestiço de branco e índio, mora tradicionalmente em aldeamentos construídos em palafitas nas margens dos rios.

Carimbó – Dança tradicional de Marajó, a maior ilha fluvial do mundo. Mistura folcore português com ritmos indígenas.

Cerpa – A mais conhecida cerveja da região. Produzida pelas Cervejas do Pará, é vendida em garrafas de litro e transformou-se numa unanimidade regional, não dando chances à concorrência. Nos bares ninguém pede uma cerveja, toda a gente pede uma Cerpa.

Círio de Nazaré – Uma giganteca procissão que revive a lenda da imagem da santa que era levada para casa por um caboclo mas que reaparecia sempre no mesmo lugar. Atrai à volta de 1,5 milhões de visitantes a Blém no mês de Outubro.

Copaíba – A copaíba é um antibiótico da selva, que já salvou vidas de muitos caboclos e índios seriamente feridos. Em algumas regiões, o chá da casca é bastante utilizado como anti-inflamatório. Em Belém pode ser comprada em garrafas no Ver o Peso.

Cupuaçu – É uma árvore de porte pequeno a médio que pertence à mesma família do Cacau e pode alcançar até 20 metros de altura. A fruta de Cupuaçu foi uma fonte primária de alimento na floresta amazônica tanto para as populações indígenas, quanto para os animais. Tornou-se conhecida por sua polpa cremosa de sabor exótico, que é usada para fazer sumos, cremes de sorvete, geléia e tortas.

Igarapé – Canais dos manguezais, que permitem a navegação entre diversos pontos do delta do Amazonas. Quando são muito pequenos são designados por furos.

Maniçoba – Parece uma feijoada mas não é. Leva maniba, folha de mandioca-brava extremamente venenosa, que é cozida durante sete dias a fio para perder a toxicidade. É um prato para aventureiros.

Pirarucu – É um peixe considerado o “rei do rio Amazonas” pelo seu grande tamanho. Chega a alcançar três metros e a pesar mais de 150 quilos. A carne é tenra e deliciosa. Os locais chama-lhe “o bacalhau da Amazónia”.

Pororoca – O fenômeno da Pororoca ocorre na na foz do Amazonas, e manifesta-se pela elevação súbita das águas provocada pelo encontro das marés ou de correntes contrárias. Quando o rio choca de frente com a água do mar na altura da marés vivas, formam-se ondas de três a seis metros, que atraem surfistas de todo o mundo. A designação “pororoca” pertence aos índios tupi e traduz o ruído feito pelas águas, audível a quilómteros de distância.

Pupunha – Fruto muito comum em algumas áreas da Amazônia tropical, é uma palmeira nativa de florestas do norte da América do Sul. Possui muitos espinhos em seu tronco e produz anualmente muitos frutos com uma única semente. Os frutos são utilizados para consumo humano , as sementes utilizadas para obtenção de óleo comestível, e as folhas, para alimentação animal.

Tacacá – É uma espécie de sopa feita com tucupi, goma de mandioca cozida, jambu, camarão seco e pimenta de cheiro. No mercado de Ver o Peso há muitas barracas que vendem este prato popular, cujos ingredientes são misturados na hora.

Tucupi – Molho amarelo que acompanha carnes e peixes, feito do suco da mandioca ralada. O suco é cozido longamente e depois misturado com folhas de jambu, uma verdura que causa ligeira dormência na língua. O pato à tucupi é uma dos pratos mais conhecidos e requisitados da região.

Turu – O Viagra da Amazónia. É um molusco com aspecto de lombriga, que vive na madeira apodrecida do manguezal. Come-se cru, com sumo de limão para enganar o sabor, ou então frito em tirinhas. Quem provou diz que é eficiente como afrodisíaco.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:13 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)