Lentes de contacto

Actualmente, a maior parte das alterações de visão podem ser corrigidas por lentes de contacto. No entanto, a sua utilização nem sempre é fácil. Esclareça as suas dúvidas com as nossas sugestões.

A partir de que idade é possível usar lentes de contacto?

Podem ser utilizadas desde os três meses de idade, em bebés operados a catarata ongénita, situação que ocorre muito raramente. A indicação poderá colocar-se, sobretudo, em crianças que praticam desporto, pelo inconveniente que pode representar para uma criança, dançar ou praticar judo com óculos. Em certos casos, quando as crianças estão motivadas, podem iniciar o uso de lentes aos sete/oito anos. No entanto, a indicação deve ser sempre dada pelo oftalmologista.

A tolerância é variável?

Sim, mas é possível avaliá-la previamente. Existem testes que permitem detectar a existência de “olho seco”, o qual constitui uma contra-indicação relativa, bem como o uso da pílula. No entanto, nada substitui o ensaio com umas lentes adaptadas aos seus parâmetros. Na realidade, a tolerância é também uma questão de motivação. E contrariamente ao defendido pelo senso comum, a cor dos olhos não exerce qualquer interferência na adaptação às suas lentes. Também os fumadores podem utilizá-las apesar do risco de poeiras ser mais significativo.

As lentes para a presbiopia

Apesar dos progressos técnicos conseguidos nos últimos anos, não existe um sistema ideal que se adapte a todas as pessoas com presbiopia.

Actualmente dispomos de duas opções: as lentes ditas progressivas, que possuem vários focos, ou um sistema de báscula composto por uma lente que favorece a visão à distância no olho dominante e outra para a visão ao perto no olho contralateral. Deste modo, 40 por cento das pessoas afectadas com presbiopia, que desejam usar lentes de contacto, adaptam-se rapidamente a uma destas soluções. Também aqui a motivação do doente é fundamental, associada ao grau de presbiopia: quanto menor melhor a adaptação. Os doentes que não conseguem enquadrar-se numa destas opções, provavelmente vão ter de renunciar ao uso de lentes de contacto.

Em que situações a correcção é mais benéfica?

Embora dependendo do tipo de lente utilizada, a hipermetropia e a miopia são, habitualmente, bem corrigidas. De resto, a miopia corrige-se melhor com lentes de contacto do que com óculos, pois as lentes permitem encontrar um campo visual completo sem ter necessidade de rodar a cabeça. Relativamente ao astigmatismo a correcção pode ser mais difícil e a tolerância mais complicada.

Como proceder na escolha das lentes de contacto?

As opções são mais ou menos alargadas segundo a patologia existente. Perante uma situação de miopia ligeira praticamente pode-se escolher qualquer tipo de lente. No entanto, uma alteração mais complexa (maior grau de miopia associada a astigmatismo elevado, por exemplo), necessita de um tipo específico de lente. Também o factor preço pode interferir na sua opção.

As lentes de contacto coloridas têm riscos?

Existem dois tipos de lentes com cor: umas simples, que proporcionam um reflexo diferente e podem ser utilizadas durante um longo período de tempo sem problemas, e outras mais sofisticadas, que, possuindo uma íris colorida, condicionam uma ligeira mudança da cor dos olhos. Têm o inconveniente de não serem permeáveis ao oxigénio e impedirem a visão correcta durante a noite. Não devem ser usadas em permanência e, principalmente, durante a condução nocturna.

É necessária a prescrição do oftalmologista?

É altamente aconselhável na aquisição do primeiro par. Embora possa recorrer directamente às casa de óptica, é preferível conhecer a opinião do oftalmologista. De qualquer modo, algumas horas após ter colocado as lentes é necessária uma avaliação, permitindo ao oftalmologista verificar qual o tipo de lentes que melhor se adaptam ao seu caso em particular, a qualidade de visão conseguida e a sua tolerância (ausência de irritação).

O Que fazer em caso de intolerância?

Primeiro verificar se as lentes não estão danificadas ou possuem depósitos e trocá-las nos prazos adequados. Se forem gelatinosas ainda tem a possibilidade de as substituir por lentes rígidas. Para estas últimas já o problema se torna mais complicado, habitualmente necessitando da ajuda do oftalmologista para melhorar a tolerância. Outra solução passa por usá-las com menor frequência ou por períodos mais curtos.

Podem surgir complicações?

O olho vermelho ou edemaciado é sinal de conjuntivite ou início de infecção. A dor pode revelar erosão da córnea ou algo mais grave como uma úlcera infectada. Quando se retira a lente gelatinosa, a percepção de um arco-íris junto de fontes luminosas pode indicar edema da córnea. Enfim, pode acontecer que um olho sofra de isquemia (falta de oxigénio) ou a córnea perca a sua transparência ao ser invadida por pequenos vasos. Geralmente, as complicações devem-se a uso excessivo, lentes danificadas ou manuseamento incorrecto por falta de higiene e podem ser tão graves que resultam em perfuração da córnea e cegueira.

Como escolher as lentes de contacto

As lentes rígidas
Vantagens:
melhor tolerância a longo prazo. Não se moldam ao olho e riscam-se com menor frequência.
Inconvenientes: podem deslocar-se do local exacto e exigem maior período de adaptação, nem sempre conseguida.

As lentes hidrófilas tradicionais
Vantagens:
adaptação indolor e rápida.
Inconvenientes: as eventuais alterações (irritação, infecção) podem passar despercebidas durante vários meses em virtude da sua excelente tolerância. Escolha limitada nas correcções.

As lentes diárias
Vantagens:
sempre novas não necessitam de iniciação. Ideais para a utilização episódica (desporto, saídas).
Inconvenientes: escolha limitada e qualidade inferior.

Lentes semanais ou mensais
Vantagens:
não têm tempo para se deteriorarem. Menos dispendiosas que as tradicionais. Preferíveis em adolescentes cuja graduação evolui e viajantes. Menos risco de alergias.
Inconvenientes: escolha restrita de correcção.

6 regras para evitar problemas

1. Lavar as mãos antes de colocar ou retirar as lentes.

2. Desinfectar sempre as lentes e o estojo com um produto específico. Não utilizar água corrente pois aumenta a exposição a infecções e principalmente a abcessos amebianos graves do olho.

3. Consulte um oftalmo-logista à mais pequena anomalia. Não mude de lentes convicta que tudo se resolve.

4. Faça um exame oftalmo-lógico anual.

5. Tenha sempre os óculos actualizados para quando retira as lentes e, principal-mente, se conduzir.

6. Tire sempre as lentes quando chega a casa, pois comportam-se como uma barreira entre o oxigénio do ar ambiente e o seu olho.

Mais Perguntas e respostas …

Quais as diferenças entre os vários tipos de lentes de contacto?
Existem dois tipos: as semi-rígidas e as hidrófilas. Ambas são indicadas para corrigir quase todos os problemas de visão. A principal diferença é que as hidrófilas são mais flexíveis e a adaptação é mais fácil do que com as semi-rígidas. Há lentes hidrófilas descartáveis – diárias, quinzenais e mensais – e não descartáveis que duram cerca de dois anos.

O uso de lentes de contacto pode causar problemas da córnea?
Não é exactamente a utilização das lentes que pode provocar este tipo de problemas. O que por vezes acontece é a interposição de um corpo estranho (maquilhagem, por exemplo) entre a lente e a córnea. Ao movimentar o olho e, simultaneamente, o corpo estranho pode danificar a córnea. No entanto, é uma situação pouco frequente.

As lentes de contacto provocam com frequência irritações oculares?
As irritações oculares em utilizadores de lentes são relativamente frequentes. É comum a quem usa lentes de contacto sofrer de pequenas irritações nos olhos. Isto porque as lentes tornam a córnea mais sensível, o que facilita o aparecimento de irritações.

As lentes permitem uma boa oxigenação dos olhos?
Não. As lentes de contacto, mesmo sendo de um material permeável, reduzem a quantidade de oxigénio que chega à córnea. Por isso, é importante que não durma com as lentes colocadas.

Quantas horas por dia posso usar lentes de contacto?
O máximo recomendado são 10 horas. Os olhos precisam de repousar e de ser correctamente oxigenados. Um problema que não acontece com óculos.

Quando se está a utilizar o computador é mais vantajoso usar óculos que lentes?
Ainda existe a ideia generalizada que, neste caso, os óculos protegem mais os olhos que as lentes. Mas a radiação que os monitores mais recentes emitem é tão reduzida que esta dúvida deixou de fazer sentido.

A utilização de lentes de contacto é contra-indicada na praia e em piscinas?
Deve ser evitado o contacto das lentes com água. O ideal será não as usar nestas circunstâncias. Se o fizer, tenha o máximo cuidado. Feche os olhos quando mergulhar, até porque pode simplesmente perder as suas lentes. Se as usa na praia, lembre-se que o vento e a areia podem fazer das suas. No caso das piscinas, deve mesmo evitar a sua utilização, pois o cloro pode danificar as lentes.

Com que frequência um utilizador de lentes de contacto deve visitar o oftalmologista?
O utilizador de lentes de contacto deve consultar o seu oftalmologista com mais frequência do que quem opta por usar óculos. No entanto, e se não existir nenhum problema, duas visitas anuais será o suficiente.

Em caso de irritação ou alergia posso usar as lentes?
Apesar de muitas pessoas continuarem a usar as lentes mesmo quando têm uma irritação ou alergia ocular, este comportamento não é aconselhável e prejudica a visão.

Como escolher a melhor solução de limpeza?
É importante cumprir as regras de limpeza das lentes para assegurar a sua correcta utilização e manutenção. As soluções peróxida e salina são mais indicadas para as lentes não descartáveis que requerem uma limpeza mais a fundo. No entanto, a solução que tem mais adeptos é a solução única. É, sem dúvida, a mais prática. Com o mesmo produto pode limpar, enxaguar, desinfectar e lubrificar as lentes.

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Última atualização da página: 13/01/2018 às 2:56 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)