Luxuoso Comboio Hotel Turístico da India

Através das janelas do mais recente e luxuoso comboio turístico da India, vimos desfilar um país de contrastes, frenético e apaixonante.

Entrámos no comboio pouco passava das dez horas, numa das centenas de estações ferroviárias de Nova Deli. A luz pálida da manhã e um grupo de músicos e bailarinos dão as boas vindas aos passageiros. “Welcome to Maharajas’ Express!᾿, diz a tripulação, à medida que entramos para o sumptuoso palácio que nos levará pela imensa India durante dez dias. Agra, Gwalior, Khajuraho, Bandhavgarh e Varanasi integram a rota Classical India do mais recente e luxuoso comboio turístico da India.

Contudo, antes de partirmos, a nossa atenção prende-se na que é uma das maiores e mais complexas redes ferroviárias do mundo. Diariamente, mais de 8.300 comboios percorrem perto de 80 mil quilómetros, sem contar com as linhas secundárias. Nestes comboios, viajam diariamente mais de 12,5 milhões de passageiros e cerca de 1,3 milhões de toneladas de mercadorias: um polvo gigantesco que emprega mais de um milhão e meio de pessoas e que é de tal forma poderoso e importante que tem um ministério próprio. Aqui, os comboios representam muito mais do que uma infra-estrutura – a rede ferroviária da ndia é tão complexa e fundamental como o sistema linfático. Nos milhares de quilómetros de ferrovias circula a alma e o coração da ndia. E esta é, sem dúvida, a “viagem᾿ por detrás da viagem que estamos prestes a começar.

Por outro lado, viajar de comboio tem a vantagem do conforto e da comodidade de um hotel, com o mesmo serviço de qualidade, mas sem os inconvenientes dos check-in, embarques e transferes – este aspecto é importante, especialmente quando se trata de viajar num país tão extenso como a ndia. E o Maharaja, tal como o nome indica, tem a classe e a sumptuosidade dignos de um marajá.

Com espaço para 80 passageiros e cerca de 50 tripulantes, tem 20 cabinas standard, 18 suites junior, duas deluxe e uma suite presidencial – todas com casa-de-banho, duche quente, bar, roupeiro, Internet sem fios, televisão por cabo e DVD, e esta última, a presidencial, com três quartos, uma sala de estar, duas casas-de-banho e direito (mediante reserva antecipada) a limousine com motorista à espera dos passageiros em cada local de visita.

O comboio tem ainda dois restaurantes, com estilos e menus diferentes, mas igualmente elegantes e requintados, e dois bares. A lista de predicados de luxo não fica por aqui, mas estão já referenciadas uma série de razões para em­barcar no Maharaja Express à descoberta da ndia.

A primeira paragem é em Agra. É lá que repousa o todo omnipresente Taj Mahal, na sua brancura imaculada, vibrante, inocente. A história do Taj Mahal, uma das Sete Maravilhas do Novo Mundo, é lendária e sobejamente conhecida, mas, ainda assim, apaixonante. Foi mandado construir pelo imperador Shah Jahan para homenagear a sua esposa preferida, Aryumand Banu Begam, a quem carinhosamente tratava por Mumtaz Mahal, a “jóia do palácio᾿.

Construído em mármore branco, a cúpula foi costurada a ouro, as paredes eram originalmente incrustadas com pedras semi-preciosas e nelas podem ler-se várias inscrições do Corão. Os indianos gostam de dizer que o Taj Mahal não é um monumento, mas a mais bela prova de amor de todos os tempos e o símbolo inequívoco da supremacia da cidade de Agra sobre as gigantes Deli, Calcutá (Kolkata, na grafia actual) e Bombaim (agora Mumbai).

A India é como um jogo de mosaicos enorme, com imensos contrastes culturais, sociais e paisagísticos – de tal forma, que cada estado da ndia é como um país com identidade própria. No entanto, a espiritualidade e uma devoção religiosa incondicional, embora natural e espontânea, são transversais a todo o subcontinente. As cores, quentes, vivas e intensas, irrompem nas fiadas de flores penduradas em todo o lado, nos belos saris das mulheres, nas frutas e vegetais, nos pequenos montes de tinta natural, tudo à venda nas ruas, nas centenas de pequenas barracas onde os homens se juntam para beber chá e conversar, nos outdoors que cobrem os edifícios…

Gwalior, no estado de Madhya Pradesh, está longe da grandiosidade de Nova Deli ou de Kolkata, mas é uma cidade antiga e bela, guardada por uma das jóias do império, o Forte de Gwalior. Construído no século VIII, de acordo com os registos históricos existentes, Gwalior é composto por um imenso e laborioso edifício solitário rodeado por vários outros: a cerca de um quilómetro e meio de distância, o conjunto adquire a forma de um anfiteatro. Para além das muitas histórias que o Forte guarda, ele foi também palco de um momento decisivo na história da Humanidade, já que foi ali que o número “zero᾿ foi utilizado pela primeira vez. De resto, longe de ser um monumento solitário e cristalizado, o Forte de Gwalior é local de passagem diária de estudantes e crianças, budistas e velhos, o que faz dele um local vivo, cheio de energia.

A lógica da viagem de comboio le­va-nos a viajar de noite e a acordar, todas as manhãs, num destino diferente. Todas as refeições são feitas a bordo, exceptuando os almoços, que têm lugar em hotéis de luxo onde nos deliciamos com autênticos banquetes.

Segue-se Khajuraho. Este é um dos locais turísticos preferidos dos próprios indianos. O complexo de templos de Khajuraho, Património Mundial da Humanidade, foi construído entre 950 e 1050 e representa o maior e mais importante grupo de templos Hindus medievais. A construção inicial contava com mais de 80 templos, dos quais apenas 22 estão actualmente em bom estado de conservação, mas o impacto da construção mantém-se. O conjunto original era protegido por uma muralha com oito portões, cada um dos quais com duas palmeiras de ouro. Parcialmente soterrados e cobertos por vegetação selvagem e espessa, seriam descobertos casualmente pelos ingleses no século XX, e só então foram recuperados e protegidos.

Célebres pelas esculturas de cenas lascivas e eróticas entre humanos, estas respeitam apenas dez por cento do total das esculturas, e existem apenas no exterior dos edifícios. Os crentes deveriam deixar o desejo sexual e outras “paixões da alma᾿, fora dos templos, para se concentrarem exclusivamente na espiritualidade e nas divindades hindus ali representadas, nomeadamente na trindade Brahma, Vishnu e Shiva.

Finalmente, a mais ansiada das cidades desta viagem. Varanasi é considerada uma das cidades mais antigas do mundo, com mais de cinco mil anos. Varanasi, cujo nome designa “porta do céu᾿, ou “porta do paraíso᾿, é a cidade sagrada da ndia, e fica situada no estado do Uttar Pradesh, nas margens do rio Ganges. A cremação dos mortos na margem do Ganges, ao amanhecer ou ao entardecer, e a turba de gente que se movimenta, dança, canta e reza sem parar, constitui uma experiência inesquecível. Morrer em Varanasi, significa superar, de uma só vez, todos os capítulos da existência até ao Nirvana, chegando ao fim o interminável ciclo de reencarnações. De uma pequena embarcação, ao largo da margem do rio, avistam-se as labaredas das piras funerárias e a surdina dos rituais de cremação – um quase silêncio abate-se sobre todos os presentes e o momento é de vigília e recato.

Nos grandes centros urbanos que visitámos – qualquer um deles com mais habitantes do que Portugal – a ndia explode, literalmente, diante dos nossos olhos. Milhares de pessoas, riquexós, táxis, carros, motos e bicicletas movimentam-se incansavelmente de um lado para o outro, sem uma ordem aparente, enquanto as vacas passeiam, vagarosas e indiferentes, a todo este frenesim, a todo este caos colorido e ensurdecedor. Mas, fora dos grandes centros – a ndia é uma das maiores economias do mundo e um dos principais centros mundiais de investigação e desenvolvimento das tecnologias de ponta -, nas aldeias, ainda se pratica o mercado de troca directa e ali o tempo parece ter parado há muito.

Terminamos em Kolkata, a “cidade da alegria᾿, o grande símbolo da “Jóia da Coroa᾿ inglesa, fundada em 1690 pela Companhia Inglesa das ndias Orientais, e capital britânica da ndia entre 1772 e 1911. Com uma área metropolitana com mais de 16 milhões de habitantes, as ruas são caóticas, frenéticas e fascinantes. E, como noutras cidades por que passámos, sentimos que Kolkata é uma cidade viva, onde tudo está a acontecer, em todo o lado e ao mesmo tempo. Mas Kolkata, apesar dos problemas urbanísticos e da pobreza, mantém a majestade imperial do colonialismo, com os seus grandiosos edifícios administrativos e avenidas longas e amplas, que nos dão uma ideia muito próxima da espectacularidade de outros tempos.

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Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Mara Azevedo Reply

    qual o valor desta viagem ? deve ser uma fortuna …..poderiam comentar o preço por favor ?

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