Marraquexe

Pelos “souks” de Marraquexe

Tapetes e peles são, provavelmente, os objectos que fazem dos souks (mercados) da Medina de Marraquexe um lugar de passagem obrigatória para todo o aficionado das compras, hábil na arte de regatear preços. E, afinal, não é esta a grande especialidade dos portugueses?

É verdade, os souks da medina de Marraquexe são considerados um dos melhores lugares para a compra de trabalhos em couro, tapetes berberes e especiarias variadas, que fazem esta região famosa. Não se aflija, no entanto, quem procura outro tipo de artesanato pois, para além das suas especialidades, Marraquexe oferece uma ampla escolha de barros, latoaria, peças de madeira incrustada de prata, cestos, embutidos, jóias, bordados e, ainda, um sem-fim de objectos e quinquilharia de utilidade duvidosa, que fazem as delícias de qualquer aficionado pelas compras hábil na técnica de regatear os preços.

Antes, no entanto, de deitar mão aos Dirham (DH, moeda marroquina equivalente a cerca 20 escudos) e lançar-se, solitariamente, à descoberta dos souks de Marraquexe, recomenda-se a contratação de um guia que, numa primeira incursão, ajudará os seus clientes a orientarem-se por entre as ruelas labirínticas da medina ou parte velha da cidade, situada dentro das muralhas da quarta maior urbe marroquina.

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Um mustafá ao seu dispor…

É com este objectivo que são solicitados os serviços de Mustafá, que chega apressado à recepção do hotel, de tarbouch na cabeça e vestido até aos pés com um djellaba de linho listrado, cuja manga larga usa para limpar o suor que lhe escorre da testa. “Francês, italiano, inglês, espanhol?”, pergunta às duas turistas portuguesas que se lhe apresentam. É em espanhol que acertam entender-se e que começam desde logo a negociar, estabelecendo os honorários: 100 Dirhams (10 euros) por duas horas de compras nos souks de Marraquexe.

Chegados a acordo, Mustafá, cujo nome depressa se constatará que é alcunha adoptada por todos os guias de Marraquexe, faz sinal a um “petit taxi”, um Renault 5 para três passageiros – e, por isso mesmo, mais barato do que um “grande” destinado ao dobro dos clientes -, e que, depois de regateado o preço, faz a viagem por 2 euros até à Praça Jemâa el-Fna, ponto de partida para o passeio.

Deste local agitado, afamado pelo movimento característico oferecido pelas suas personagens típicas – desde encantadores de serpentes, domesticadores de macacos, vendedores de produtos medicinais milagreiros aos contadores de histórias – e que fazem de Marraquexe uma cidade única entre todas as cidades marroquinas, o pequeno grupo encaminha-se para o acesso principal dos souks, Rue Souk as-Smarrine. À entrada, mulheres vestidas com “djellabas” coloridos e cara coberta com o foulard (lenço) da mesma cor apregoam as qualidades dos seus cestos e meias de lã.

Na rua brilham os latões, pendurados lado a lado com casacos de peles, babuchas, balghas (sapatos típicos marroquinos) e as malas coloridas dos tuaregues. Grupos de turistas franceses cruzam-se com outros, alemães e italianos, todos chamando pelo “seu” Mustafá. De cócoras, de volta de cestos largos e carregados, mulheres berberes de pele curtida pelo sol vendem pão árabe por um Dirham.

Aceitam-se todos os cartões!

Cruzam o souk das lãs, onde no interior de pequenos compartimentos se tinge o fio para tapetes, malas e roupas. Param por instantes para que o guia beba água de um pote colocado junto à porta de uma casa, justamente para matar a sede aos transeuntes, e chegam à zona dos têxteis e vestuário. Encontra-se aqui todo o tipo de indumentárias e acessórios usados pelos árabes para se protegerem do sol ardente do deserto, e de Marraquexe, onde as temperaturas no Verão podem chegar facilmente aos 40º.

Desde o djellaba, que são as túnicas típicas marroquinas, feitas em algodão, cetim ou linho, usadas pelos homens por cima do tchamir (traje que se completa com o tarbouch ou o chapéu típico marroquino), aos fatos femininos – a takcheta, de duas peças, que elas cobrem com o djellaba sempre que saem à rua, combinado com um foulard de cor igual.

Perante o interesse demonstrado, e afirmando conhecer um lugar onde a qualidade dos tecidos é “garantida”, Mustafá faz questão de encaminhar as suas clientes para uma loja, onde são recebidas por um árabe de sorriso afável que se desfaz em atenções. Aceitam-se cartões American Express, Diners Club, Visa e MasterCard. “Qu’est-ce que vous voulez, madame?”

Um chá e um tapete, por favor

Elas já sabem que daquele lugar dificilmente vão conseguir sair sem comprar nem que seja um par de babuchas. Mas, afinal, é para comprar que aqui estão e lançam uma contraproposta aos 900 Dirhams (nada menos que 90 euros) oferecidos pelo vendedor pela compra de uma túnica de algodão. Aliás, estas mudanças bruscas de humor vão verificar-se sempre que a venda não se concretizar ou que o preço acordado não for totalmente satisfatório para o vendedor.

Finalmente, chega-se a um consenso e fecha-se negócio: 200 Dirhams, ou seja, 20 euros, por um “djellaba” e um par de babuchas de pele. Se estivesse em jogo uma túnica de seda bordada, provavelmente o custo apenas desceria até aos sete ou seis contos. O preço conseguido poderá depender do tempo que cada um estiver disposto à negociação.

Muitas vezes os interessados não se inibem de deixar tudo no ar e voltar no dia seguinte, ou tantas vezes quantas as necessárias, até chegarem a um entendimento. O que é preciso é não desistir e até mesmo quem julga não ter nascido para regatear rapidamente lhe apanhará o gosto. Aliás, só assim se consegue levar por um preço razoável um bom tapete, cujo processo de negociação passa por um ritual que pode durar horas.

Ao turista é-lhe apresentada uma cadeira ou um banco para se instalar confortavelmente. Oferecem-lhe, em seguida, um chá quente de hortelã muito usado para matar a sede. Por esta altura, já lhe será difícil dizer “olhe, enganei-me, não era bem tapetes que eu queria”, com receio de ser indelicado ou de ferir susceptibilidades. E é aí que lhe começam a mostrar, um por um, tapetes dos mais variados tamanhos, origens e materiais.

Perante a variedade de desenhos, cores e qualidade do trabalho, poucos resistirão a comprar, pelo menos, um exemplar. Aí, um preço de base muito razoável pelo qual poderá começar a licitar um tapete berbere de lã pura poderá ser entre os 150 a 200 Dirhams (15 a 20 euros) por metro quadrado. Os valores podem, no entanto, ir até aos 500 Dirhams (50 euros) ou mais por metro quadrado.

A verdaderia descoberta…andando sem destino

São 11 horas da manhã e Mustafá dá mostras de impaciência. Passaram-se já as duas horas contratadas e ele apenas quer saber se os seus serviços continuam a ser necessários; caso contrário, ele tem outros compromissos. A verdade é que o guia já cumpriu a sua função, e a sua companhia é dispensável.

Para quem gosta de descobrir uma nova cidade, andando sem destino, o guia acaba por limitar os movimentos e por se tornar dispendioso já que, muitas vezes, a sua preocupação é levar os turistas às lojas que entende que são “de qualidade” onde, provavelmente, ganha uma comissão sobre as vendas, não dando tempo nem espaço aos clientes para verem outros estabelecimentos.

Daí que, a partir do momento em que o turista se sente mais à vontade e começa a orientar-se por entre os souks, o ideal será partir para a descoberta. Recomenda-se, naturalmente, muito cuidado com os carteiristas. Caso, repentinamente, se sinta perdido, o que não é difícil de acontecer, lembre-se que tem sempre como referência a Praça Jemâa el-Fna, onde todas as ruelas da medina acabam por ir dar. Não hesite, por isso, em perguntar para que lado fica a praça. De modo geral, os habitantes de Marraquexe não lhe recusarão ajuda e indicar-lhe-ão a rota certa a seguir.

Conselho de amigo: não aceite quem se ofereça para lhe ensinar o caminho, prestando-se a acompanhá-lo. O mais certo é, chegando ao destino, pedirem dinheiro pelo “serviço de guia”.

Segundo conselho: tratando-se de compras pequenas, prefira levar sempre dinheiro consigo, já que a intenção de pagar com cartão de crédito limita o poder de negociação dos preços.

Mesquita da Kutubia

Praça Jemaa el-Fna - Marrakech

Palácio

 

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 3:08 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)