Medicamentos fitoterápicos

Publicado por Equipe Editorial a 19 de dezembro de 2010 - Atualizado em 3 junho 2018

Conheça os riscos no consumo de medicamentos fitoterápicos.

Apesar de serem naturais, os medicamentos fitoterápicos requerem tanta atenção quanto os medicamentos sintéticos, principalmente quando ministrados com chás.

Por serem feitos à base de plantas medicinais muitas pessoas acham que podem tomar sem nenhuma orientação ou mesmo disciplina. Cada droga vegetal possui vias específicas de administração, seja oral, inaladas ou usadas em gargarejos. A padronização dos procedimentos de preparo e uso também é essencial, pois influenciam diretamente na ação terapêutica.

Enganam-se quem acha que esses medicamentos não passam por estudos apenas por terem suas matérias-primas a partir de plantas. Os riscos envolvidos são os mesmos e por isso os fitoterápicos passam por estudos clínicos como qualquer outro medicamento, uma vez que o rigor, as questões éticas e muitos outros aspectos de pesquisa são os mesmos para ambos.

Em 10 de março deste ano foi aprovada a RDC 10/10 que regulamenta especificamente as indicações, contra indicações e efeitos adversos de mais de 60 tipos de drogas vegetais comprovadamente eficazes.  Para comercialização de tipo de droga, os produtos passam por testes de qualidade que garantem a sua indicação e ausência de contaminação por microorganismos.

Pior do que não fazer efeito, é trazer um problema ainda maior. Por isso, a população deve estar atenta onde compra ervas, preparados, chás e outras apresentações. O risco é muito grande no comércio irregular de supostos fitoterápicos, esses vendidos em feiras livres e mercados populares, sem controle algum de qualidade e o pior sem a orientação do farmacêutico.

Um exemplo típico e muito usado de fitoterápico é o guaco. Essa planta medicinal tem efeito coagulante e pode provocar hemorragia se utilizada de forma inadequada. É uma planta nativa brasileira difundida no tratamento de problemas respiratórios. Além de comprovada eficácia, sua boa aceitação ocorre por se tratar de um produto natural, a partir do qual são preparados xaropes e infusões.

Mas a interação de fitoterápicos à base de guaco com outros medicamentos podem provocar reações adversas. Um estudo realizado constatou a possibilidade de queda acentuada no número de plaquetas em indivíduos que utilizarem superdosagens de fitoterápicos feitos com a planta, ou que o receberam concomitantemente com outros fármacos com efeito anticoagulante, entre os quais alguns tipos de analgésicos, como ácido acetilsalicílico.

A criação da RDC 10/10 exige do farmacêutico maior confiabilidade e responsabilidade e conhecimento técnico, uma vez que ele deve ter conhecimentos dos riscos, interações e indicações para ter condições mínimas de indicar uma droga vegetal.