Medicamentos para deixar de fumar

Medicamentos para deixar de fumar – Que terapêutica farmacológica temos disponível?
Segundo as recomendações para o tratamento do uso e dependência do tabaco baseadas na evidência cientifica e emanadas pela Organização Mundial de Saúde e por várias sociedades cientificas, todos os fumadores que querem parar de fumar, devem ter acesso a terapêutica farmacológica para a dependência da nicotina.

O recurso a terapêutica farmacológica duplica as possibilidades de sucesso. Segundo as recomendações podemos considerar dois tipos de fármacos: os de 1ª linha, muito eficazes e com poucos efeitos secundários e os de 2ª linha menos eficazes e que causam mais efeitos adversos. Nos de 1ª linha incluem-se os Substitutos de Nicotina, o Cloridrato de Bupropiona e a Vareniclina. Os de 2ª linha são a Nortriptilina e a Clonidina .

A terapêutica de substituição da nicotina (TSN) foi o primeiro tratamento farmacológico com eficácia comprovada na cessação tabágica. Existe actualmente disponível no mercado nacional sob a forma de gomas 2 e 4 mg, pastilhas 2mg e 1,5 mg, comprimido sub-lingual e sistemas transdérmicos de 15mg, 10mg, 5mg para uso nas 16 horas e 21mg, 14mg e 7 mg, para uso nas 24 horas. A duração do tratamento é variável, regra geral entre 8 e 12 semanas, a dosagem deve ser individualizada de acordo com a dependência do fumador e com redução progressiva da dose.

É importante usar a dose correcta de nicotina de modo a obter níveis plasmáticos adequados e aliviar os sintomas de abstinência. Pode combinar-se a terapêutica com discos e pastilhas ou gomas, em fumadores muito dependentes, para resolver sobretudo a necessidade urgente de fumar. O Cloridrato de Bupropiona não tem qualquer relação química com a nicotina, é um antidepressivo. O mecanismo de acção é desconhecido, mas presume-se que seja mediado por mecanismos dopaminérgicos e/ou noradrenérgicos a nível cerebral. Esta acção imita os efeitos da nicotina associados á dependência e á privação. Existe sob a forma de comprimidos de libertação prolongada de 150mg. O fumador deve parar de fumar na segunda semana de tratamento.

A bupropiona tem sido usada em associação com TSN em doentes muito dependentes com bons resultados e aumento das taxas de sucesso. A vareniclina é um agonista parcial e selectivo dos receptores nicotínicos da acetilcolina. Reduz a dependência da nicotina e atenua os sintomas de privação. Os comprimidos são doseados a 0,5mg e 1mg, e aconselha-se pelo menos 12 semanas de tratamento. Nos fármacos de 2ª linha a Nortriptilina é um antidepressivo tricíclico que mostrou ser eficaz na cessação tabágica.

A clonidina é um agonista β2 adrenérgico, usado no tratamento da hipertensão arterial, também diminui os sintomas de privação da dependência do álcool e opiáceos. Há alguma evidência da sua eficácia na cessação tabágica.

Em linhas gerais que medidas preventivas devem ser adoptadas relativamente ao tabagismo?
O tabaco é a principal causa de morte prevenível a nível mundial. Mata mais de cinco milhões de pessoas por ano – mais do que a tuberculose, o VIH/SIDA e a malária, em conjunto. A menos que se tomem medidas urgentes, o tabaco poderá matar mil milhões de pessoas neste século. Os meios necessários para conter a epidemia do tabagismo são claros e encontram-se ao nosso alcance. Os países podem reduzir as doenças, as mortes e os prejuízos económicos causados pelo tabaco, aproveitando a assistência técnica da OMS para aplicar a Convenção, Quadro para o Controlo do Tabagismo, marco histórico da saúde pública mundial e de prevenção do tabagismo, a que aderiram 170 países. As seis medidas gerais propostas pela OMS têm uma boa relação custo-eficácia, e podem salvar muitas vidas.

As seis medidas do pacote MPOWER da OMS são:

1. Vigiar o consumo de tabaco e as políticas de prevenção. São necessários dados para aplicar e avaliar as politicas eficazes de controlo do tabaco. Só medindo com precisão a epidemia do tabagismo e as intervenções levadas a cabo para as controlar, se conseguirá gerir eficazmente e melhorar estas intervenções.

2. Proteger as pessoas do fumo passivo de tabaco. Não existe um nível seguro de exposição ao fumo de tabaco. Mesmo uma exposição breve pode causar graves danos. Todas as pessoas têm direito a respirar ar puro. A legislação a favor dos espaços livres de fumo foi bem acolhida onde foi implementada.

3. Oferecer ajuda para deixar de fumar. Os mais de mil milhões de dependentes do tabaco no mundo, são vitimas da epidemia do tabagismo. Os sistemas de saúde têm a responsabilidade principal do tratamento da dependência do tabaco.

4. Advertir sobre os perigos do tabaco. São poucos os fumadores que compreendem cabalmente os riscos que corre a sua saúde. As advertências nos maços e as imagens explícitas sobre as doenças provocadas pelo tabaco, podem ser muito eficazes para convencer os fumadores a deixar de fumar.

5. Fazer cumprir a proibição de toda a publicidade, promoção e patrocínio do tabaco. A indústria tabaqueira gasta todos os anos milhares de milhões de dólares em publicidade promoção e patrocínio dos seus produtos. A proibição total pode reduzir substancialmente o consumo de tabaco e proteger as pessoas, sobretudo os jovens das técnicas de venda desta indústria.

6. Aumentar os impostos sobre o tabaco. Aumentar o preço do tabaco subindo os impostos, é a medida mais eficaz para levar as pessoas a deixar de fumar e evitar que os jovens comecem a fumar.
Graças a estas medidas mesmo os países de baixos recursos, podem dar grandes passos para combater a epidemia do tabaco e cumprir os compromissos assumidos com a OMS.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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