Hipertensão: exames físicos para uma melhor prevenção e tratamento

O reforço e rigor no diagnóstico e nos exames físicos para uma melhor prevenção e tratamento foi um dos temas principais abordados em mais um workshop sobre hipertensão.

Embora existam várias combinações fixas de drogas, a de lercanidipina+enalapril parece ser uma das terapias mais promissoras no tratamento da hipertensão, defenderam Mariano Pêgo e Pedro Monteiro num workshop organizado pela Semana Médica.

Hipertensão Arterial

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“Gerir a hipertensão é o grande desafio e não o seu tratamento”, quem o disse foi Mariano Pêgo, cardiologista e um dos palestrantes demais um workshop realizado sobre a temática da hipertensão, no passado dia 7 de Novembro, em Coimbra.

Este desafio é ainda maior pela natureza assintomática da hipertensão, o que aumenta o nível de compromisso que doentes, médicos e sociedade têm de ter, avisou ainda o médico, no que foi apoiado por Pedro Monteiro, docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Referindo-se à sua experiência clínica, Mariano Pêgo alertou para a importância do rigor na avaliação e diagnóstico da hipertensão, referindo alguns procedimentos a considerar, como o facto da tensão arterial dever ser medida como indivíduo sentado e depois de ter repousado previamente durante cinco minutos, sem ter ingerido álcool, café ou ter fumado.

O médico frisou também que é importante registar sempre o valor da pressão obtido na escala do manómetro, que varia de 2mmHg em 2mmHg, evitando-se arredondamentos, e que, em cada consulta, deverão ser realizadas, no mínimo, duas medições, com intervalo de um a dois minutos entre elas.

Combinações imprescindíveis

De acordo com o cardiologista Mariano Pêgo, até agora, existe evidência de que ao duplicar a dose da monoterapia é possível prevenir um evento coronário agudo ou um AVC, enquanto que na terapêutica combinada esse número sobe para quatro eventos prevenidos.

Mas se se usar uma combinação de três fármacos, de classes diferentes, em vez de dois passamos a obter os seguintes resultados:

a pressão arterial diastólica reduz mais cerca de 2 mm Hg (a descida passa de 9 para 11 mm Hg) com redução prevista nos eventos coronários de 46 por cento (40 por cento com2 fármacos) e no AVC de 63 por cento (54 por cento com dois fármacos).

Por outro lado, relembra Pedro Monteiro, “o foco principal do tratamento deve ser atingir a meta da pressão arterial sistólica.

A maioria dos indivíduos hipertensos, especialmente aqueles com mais de 50 anos, vai atingir a meta para a pressão arterial diastólica depois de se atingir a meta para a pressão sistólica”.

Isto porque uma pressão arterial inferior a 140/90 está associada a uma diminuição de complicações cardiovasculares.

No entanto, acrescenta o docente, “o tratamento para os níveis inferiores pode ser útil, especialmente para prevenir a ocorrência de enfartes, para preservar a função renal e para evitar ou retardar a progressão da insuficiência cardíaca.

A pressão arterial deve ser alvo <130/80 mm Hg para pacientes com diabetes, e <125/75mmHg para pacientes com insuficiência renal e proteinúria >1 gr/24 horas”.

E é precisamente na obtenção da pressão arterial desejada que a terapia combinada é necessária, sobretudo quando a monoterapia não consegue atingir os objectivos e como tratamento de primeira linha em determinadas situações, tais como valores acentuadamente elevados de pressão arterial, quando os alvos mais baixos são necessários em alto ou muito alto risco cardiovascular.

“As vantagens da terapia combinada estão bem documentadas, com uma maior eficácia anti-hipertensiva, como resultado da inibição simultânea de diferentes mecanismos de acção e com uma menor incidência de eventos adversos, por causa das possíveis respostas compensatórias e as baixas doses utilizadas.

Os bloqueadores dos canais de cálcio são drogas eficazes no tratamento da hipertensão”, refere Pedro Monteiro.

A eficácia da lercanidipina foi avaliada em vários estudos comparativos e não comparativos “mostrando uma grande eficácia com uma boa tolerabilidade.

Por outro lado, a inibição do sistema renina-angiotensina parece ser muito benéfico no tratamento de doentes com hipertensão.

O enalapril é um eficaz e bem tolerado inibidor da enzima conversora da angiotensina”, reforça Mariano Pêgo. Embora existam várias combinações fixas de drogas, a combinação de lercanidipina + enalapril parece ser uma das terapias mais promissoras no tratamento da hipertensão.

No entanto, alertam os palestrantes, são necessários mais estudos que avaliem os efeitos desta associação na reversão da hipertrofia ventricular esquerda ou na progressão da doença renal.

“A combinação de mais do que um fármaco de classes diferentes pode ser cinco vezes mais eficaz do que a monoterapia, ainda que em dose dupla.

Esta eficácia acompanhada por um mais rápido controlo da pressão arterial, pela diminuição dos efeitos secundários, pela simplificação do regime de toma do fármaco (toma única) que aumenta a aderência e eventual redução no preço, faz da combinação fixa a atitude a adoptar na maioria dos estadios da HTA”, sintetiza Mariano Pêgo.

Além disso, considerando o actual estado da arte no tratamento da HTA, o médico admite a introdução de terapêutica antihipertensora tripla-fixa em determinadas situações clínicas.

“À luz das evidências actuais a primeira associação fixa poderia incorporar um diurético, antagonistas dos receptores de angiotensina (ARA) e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC).

A necessidade imperiosa de actuarmos no sistema RAA tecidular ou renal coloca os fármacos que actuam naquele eixo, como fármacos imprescindíveis ao tratamento da HTA”, conclui.

Cuidados Especiais

Nos indivíduos idosos, portadores de disautonomia, alcoólatras e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva, a pressão arterial deve ser medida também na posição ortostática.

Para esta faixa etária, Pedro Monteiro reforçou alguns cuidados a ter, nomeadamente no que respeita à subvalorização da verdadeira pressão sistólica devido, sobretudo, à maior frequência de hiato auscultatório.

Outro cuidado a ter é a pseudo-hipertensão, caracterizada por um nível de pressão arterial falsamente elevado devido ao endurecimento da parede da artéria.

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Última atualização da página em 29/07/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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