Melhorar a resposta a doentes crónicos exige abordagem multidisciplinar - Fotos Antes e Depois
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Melhorar a resposta a doentes crónicos exige abordagem multidisciplinar

Melhorar a resposta a doentes crónicos exige abordagem multidisciplinar

Médicos de família e internistas devem liderar equipas

A prevalência das doenças crónicas em Portugal aumenta a cada dia. Actualmente, estima-se que haja 600 mil pessoas a viver com cinco ou mais patologias deste género. Uma possível resposta face a esta realidade é a criação de equipas multidisciplinares, onde devem estar presentes os especialistas em Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar.

O impacto das doenças crónicas e a forma de articular as estruturas na área da Saúde em prol dos doentes afectados foram os principais temas discutidos no II Fórum Internacional sobre o Doente Crónico, que se realizou no passado dia 30 de Abril, em Lisboa, e foi organizado pelo Núcleo de Estudos de Doenças AutoImunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. O ritmo de crescimento das doenças crónicas representa “cerca de um por cento ao ano na população em geral e cerca de 2, 5 por cento nos idosos”, afirmou Luís Campos.

O coordenador do NEDAI explica que estas “são doenças que estão a crescer em todo o mundo ocidental, com o aumento da esperança de vida, mas também devido aos comportamentos e ao aumento dos factores de risco, como a obesidade e o tabaco”. Em Portugal “calcula-se que haja entre 500 e 600 mil pessoas a viver com cinco ou mais doenças crónicas”, referiu o presidente do II Fórum Internacional sobre o Doente Crónico.

O médico lembrou que, em 2005/2006, o Inquérito Nacional de Saúde concluiu que 52 por cento da população tinha pelo menos uma doença crónica e 26 por cento duas ou mais. No entanto, o especialista acredita que “a tendência é para os números subirem”, uma vez que “o inquérito é feito com dados auto-reportados, logo, não incluem casos não diagnosticados”.

Mudar a abordagem terapêutica

De acordo com Luís Campos, “muitos doentes crónicos são tratados nos serviços de Urgência de uma forma reactiva, baseada nos episódios agudos”. O resultado é que “mais de 70 por cento dos grandes frequentadores das Urgências recorrem a estes serviços por descompensação de doenças crónicas. Cerca de metade tem má adesão às recomendações médicas, apenas uma minoria, quando está internado, recebe conselhos para modificar comportamentos de risco”, assegura o coordenador do NEDAI.

Para melhorar a resposta a estes doentes, o médico internista explicou que “devem existir equipas multidisciplinares, onde deverão estar presentes duas especialidades, a Medicina Interna e a Medicina Geral e Familiar. Depois, estas equipas também deveriam integrar outros profissionais, como os enfermeiros, os assistentes sociais, os farmacêuticos, os dietistas, entre outros”.

Segundo o especialista do Hospital de São Francisco Xavier, “estas equipas têm de actuar de forma pró-activa em relação a estes doentes, articular e coordenar os cuidados, avaliar o tipo de necessidades das pessoas e programar uma resposta adequada”. A Medicina Interna e a Medicina Geral “são fundamentais para obter o sucesso ao nível médico, pois todos os programas que marginalizaram os médicos, que se basearam essencialmente noutro tipo de profissionais, falharam na redução do número de admissões e de internamentos. Se os médicos não tiverem um papel de liderança nestas equipas, estes programas estão condenados ao fracasso.

E, de facto, penso que estas duas são especialidades essenciais na liderança destas equipas”, enfatizou. A este facto, Luís Campos acrescentou ainda a importância de existirem sistemas informáticos que facilitem a circulação da informação clínica do doente sempre que necessário. ”Os sistemas de informação são fundamentais para fazer chegar o conhecimento e os protocolos aos profissionais”, disse.

A Medicina Interna e a Medicina Geral “são fundamentais para obter o sucesso ao nível médico, pois todos os programas que marginalizaram os médicos, que se basearam essencialmente noutro tipo de profissionais, falharam na redução do número de admissões e de internamentos”, salientou Luís Campos.

Novo Plano Nacional de Saúde

“A incidência crescente da doença crónica decorre do aumento da esperança de vida, que se traduz numa população envelhecida, e dos estilos de vida menos saudáveis, nomeadamente em meio urbano e suburbano, onde vive mais de metade da população. Depende, ainda, das políticas de Saúde na área da prevenção e do impacto das políticas de outros sectores”, afirmou Maria do Céu Machado.

Segundo a Alta-Comissária da Saúde, “controlar a mortalidade precoce na doença crónica e a incapacidade obriga não só a uma acção concertada dos serviços de saúde, o que inclui a promoção da saúde e a prevenção da doença e das sequelas, mas também o envolvimento de outros ministérios, da sociedade civil e, ainda, a capacitação do cidadão”. A responsável destacou, ao referir o Plano Nacional de Saúde 20112016, que este “foca-se nas desigualdades, privilegiando a equidade de acesso, a qualidade, as políticas e a promoção da cidadania, no sentido da educação para a saúde”.

No novo plano, “a abordagem ao doente crónico deve ser holística e compreensiva, com ênfase para o alto potencial de manutenção da independência do doente através da prevenção, detecção e gestão precoces das complicações e exacerbações, que deve incluir a vigilância à adesão terapêutica”, explicou.

MINISTRA PEDE MAIS ARTICULAÇÃO ENTRE SERVIÇOS

“O peso destas doenças [crónicas] em termos de prevalência é enorme e, do ponto de vista económico, tem um grande peso nos custos das despesas de Saúde”, realçou a ministra da Saúde, na sessão de abertura do evento. Segundo Ana Jorge, “os serviços de saúde modernos têm de ser capazes de responder de forma eficaz aos doentes crónicos”. Para isso, “os serviços primários e hospitalares têm de se articular cada vez mais”, insistiu. E acrescentou: “Vale a pena reforçar o uso das tecnologias de informação entre as equipas de profissionais de saúde, pois, em relação aos doentes, tal é uma mais-valia”.

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