Modernizar o Serviço Nacional de Saúde

Modernizar o Serviço Nacional de Saúde

Daniel Serrão
Professor Jubilado da Faculdade de Medicina do Porto

Já me referi à necessidade absoluta de vertebrar o Serviço Nacional de Saúde por meio das TIC- Tecnologias de Informática e Comunicação, para que se possam conhecer todos os acontecimentos e decisões com influência nos custos de todos os serviços disponibilizados aos cidadãos em toda a rede de prestadores públicos. Esta globalização da informação é rigorosamente necessária para uma gestão moderna, oportuna e eficiente.

Também salientei as vantagens de criar as condições para que se possa dispor do processo clínico electrónico (PCE) cujas múltiplas vantagens são enfatizadas por todos os especialistas desta área da tecnologia informática. Mas não se trata apenas de colocar em rede informática os dados do processo clínico clássico. O que se pretende é que o doente exista virtualizado e possa ser “usado”, por diversos intervenientes, para o seu tratamento.

Vai tornar-se perfeitamente possível ao médico monitorizar a saúde dos seus doentes por tecnologia sem fios e em tempo real.
No caso, por exemplo, de doenças crónicas – como diabetes, cardiopatias, asma, Alzheimer – que são as mais frequentes há esta possibilidade de monitorizar os doentes em tempo real e sem a presença física do doente. Para além dos pequenos e leves electrocardiógrafos e dos medidores de tensão arterial já existentes estão a surgir outros pequenos dispositivos electrónicos que possibilitam o envio de informações de saúde para telemóveis, computadores pessoais e outras aplicações remotas por Internet. Por exemplo, simples pulseiras que transmitem os sinais vitais ou os níveis de glicemia, os quais são enviados directamente para o médico assistente, em tempo real, incluídos no PCE e arquivados numa base de dados central.

O doente terá sempre consigo, em suporte electrónico, como uma pen, o seu PCE, com imagens radiológicas e outras que poderá disponibilizar a um médico em especial num serviço de Urgência a que tenha tido necessidade de recorrer. O médico que o atende pode ter imediatamente no ecrã do seu computador toda a informação do doente em causa. E a tecnologia de alerta médico pode mandar uma mensagem de texto para um familiar informando que a pessoa está a ser tratada em tal serviço de Urgência. Ter ou não ter esta tecnologia pode ser salvar ou não uma vida humana.

A importância e as vantagens do PCE são tais que o Governo dos Estados Unidos disponibilizou 19 mil milhões de dólares para incentivar a expansão do PCE até Janeiro de 2012. Será então possível uma conversa por e-mail, entre doente e médico, com o equipamento de bio-monitorização a transmitir os dados a partir do doente para o médico e para o doente, em tempo real. Assim será muito mais fácil tomar uma decisão respeitando a regra do consentimento informado.

Em muitas outras actividades, em especial as que estão ligadas ao mundo da economia de produção e distribuição de bens e serviços, as tecnologias informáticas estão em constante desenvolvimento, tornando mais fácil, mais rápida e mais barata a comunicação entre os interessados.

A prestação de cuidados de saúde, que é a mais sensível das actividades sociais, não pode deixar-se ficar fora deste desenvolvimento. E a apresentação das suas particularidades de comunicação aos especialistas fará com que se inventem mais equipamentos para aplicação na prática médica. É sabido como a necessidade de assistir aos astronautas desenvolveu meios espantosos para captar nos seus corpos a informação com interesse médico destes viajantes do espaço.

Muito pode já ser feito em Portugal. Imagino que serão os prestadores privados que irão avançar neste caminho como já o fazem em certos campos, onde a electrónica está disponível como é o caso da Imagiologia.
Modernizar é preciso. E o SNS não pode ficar indiferente ao progresso.

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Última atualização da página em 29/04/10 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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