A Mulher Ideal - “inventar” a mulher ideal - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

A Mulher Ideal – “inventar” a mulher ideal

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Se eu pudesse “inventar” a mulher ideal, ela seria fatal, misteriosa, glamourosa, cerebral, uma bandida que seduz homens poderosos e depois os manda literalmente pastar. Uma Jacqueline Kennedy, uma Xica da Silva, uma Madame de Pompadour, uma Marlene Dietrich, uma Lucrécia Bórgia, uma Cleópatra, uma Hilda Hilst, uma Mata-Hari, uma Coco Chanel, uma Katharine Hepburn, uma Doris Lessing.

Um feminino planejado, cultivado, fantasiado com bom gosto. Ela teria escritores e intelectuais como companhia, falaria com a mais absoluta sinceridade e autoridade, leria jornais e muitos livros, faria da cama uma arena insaciável sem qualquer constrangimento, e o seu coração egoísta só amaria seus próprios prazeres. Anti-modismos, usaria roupas desenhadas em função de sua própria personalidade e jamais acharia importante frequentar festas aborrecidas ou ter o seu retrato em colunas sociais.

Seria uma deusa que riria raramente, mas ao sorrir soaria vital e do fundo d’alma, e nunca sairia do seu flat quando a melancolia batesse na porta. Não teria filhos, criando cães serenos e gatos indiferentes, cercada por plantas (principalmente orquídeas, e inclusive falando com elas). Ouviria jazz, blues, bossa-nova e Chico Buarque de Holanda; fumaria charuto e usaria meias de seda permanentemente.

Não digo que seria o modelo tradicional de mulher, pois ai de nós, homens, com tal vamp como regra, mas esta é a minha fêmea sonhada, minha musa fictícia, aquela que repetiria sem pudor a célebre frase da devassa italiana Messalina: “Cansada, sim, saciada, nunca”.

Segundo a polêmica pensadora Camille Paglia: “O destino da mulher é dominar o homem. A maior parte dos homens precisa de uma mulher para seu centro gravitacional, uma mulher que os ligue ao submundo da verdade emocional”. Pode ser, caso fossem recuperadas milhares de submissas, apaixonadas, respeitosas, escravas do macho. Essas condenadas que informam aos companheiros sobre todos os seus passos. Creio que muitos dos crimes passionais e casamentos infelizes resultam desse comportamento passivo.

Sem dúvida, o que chamamos de civilização, do pensamento à ação, tem como causa central o masculino. Mas os homens não são mais inteligentes do que as mulheres, nem o contrário; a inteligência independe do sexo e depende mais da bagagem existencial, espiritual e intelectual que se leva. É burrice copiar fórmulas arcaicas. Conheço políticas, escritoras, professoras e empresárias que repetem a mesma inócua agressividade masculina. As mulheres também não são os seres mais belos da face da terra, todos os seres são belos, e se destacam independentes se são crocodilos ou mariposas.

A maternidade nunca foi um privilégio, como muita gente prega, ainda mais nesta época de clones, inseminação artificial e superpopulação.

Dia desses, na fila de um caixa de supermercado, um jovem marido chamou a bela e melancólica esposa de ridícula em alto e bom som, ao lado dos dois filhotes do casal. “Não faça escândalo”, sussurrou a loura envergonhada. “Faço o que quero e você fica calada!”, gritou o homem bem vestido, classe média alta. O diálogo absurdo iniciou-se quando ela alertou para a falta de um chester. “Chester? Você sabe lá o que é isso. Você não entende nada, sua ridícula. E não vamos comprar mais nada. Creio que se enganou na escolha do marido, deveria ter casado com o Ronaldinho Gaúcho”, atacou.

Fiquei constrangido e irritado, mas algumas pessoas da fila sufocaram um riso cúmplice. Ele deve ser um desses porcos chauvinistas que deixam a esposa em casa, enchem a cara, fazem comentários bizarros sobre as mulheres alheias e transam com a primeira anta que rebole, oxigene o cabelo e fale asneira. É fácil criticar o próximo não estando na sua pele, mas uma situação dessas seria para deixá-lo plantado com o carrinho cheio de compras e os filhos inocentes, apanhando o primeiro táxi para a casa de alguém de confiança, só conversando com o troglodita vinte e quatro horas depois, pronta para uma decisão radical. A aceitação de ofensas verbais e morais, públicas ou não, leva a mágoa, dor, violências e diversas enfermidades.

A mulher sofre violência física quando é espancada, restando marcas como hematomas, cortes, arranhões, queimaduras, mordidas, manchas, fraturas ou agressões semelhantes. A mulher sofre violência sexual quando é forçada a ter relações sexuais sem querer ou quando está doente e sua saúde corre perigo, quando é obrigada a praticar atos sexuais que não lhe agradam ou sexo sádico. A mulher sofre violência psicológica e emocional quando é ofendida moralmente (ou qualquer familiar seu é ofendido). A violência machista não escolhe raça, idade ou classe social. A única diferença está no silêncio das mulheres de classe social mais elevada, que raramente dão queixa por agressões sofridas. São vários os motivos que as fazem calar: dependência financeira, medo, vergonha etc.

A violência é a expressão mais cruel do baixo status feminino na sociedade. Várias culturas aprovam, toleram ou mesmo justificam certo grau de violência contra a mulher. Essas atitudes são fruto de normas de conduta distorcidas a respeito do papel e das responsabilidades do homem na sociedade. O Banco Mundial estima que a violência contra a mulher no mundo cause mais danos e mortes do que o câncer, acidentes de trânsito ou até mesmo guerras.

Pelo menos uma em cada três mulheres sofre violência física, sexual, psicológica ou alguma outra forma de abuso, usualmente pelas mãos de um parceiro íntimo ou membro da família. É uma violação explícita aos direitos humanos. É preciso prestar queixa na Delegacia da Mulher, fazer exame de corpo-delito no Instituto Médico Legal – IML, ou, por fim, prostra-se no IML pronta para a autópsia.

Nós, homens, perdemos o charme e a gentileza há muito tempo. Acabamos reduzidos a animais ávidos por sexo. A imagem masculina está em baixa. Mas o que seria uma mulher moderna e consciente? Entre outras coisas, as que vão com amigas a bares, vestem o que realmente gostam e combina com a sua forma de ser, lêem livros de qualidade e revistas como a PROFASHIONAL e pelo menos já ouviram falar em Simone de Beauvoir.

Mas não é tão fácil encontrá-las. Certa vez, num shopping-center, entediado, à espera do horário da sessão de um filme, passei a contar mulheres que passavam trajadas de calças apertadas e curtas, saltos altos, cabelos de qualquer jeito e blusas sintéticas justas, sobrando gordurinhas – essa farda tão vulgar! Parecem cantoras de trio elétrico ou concubinas ordinárias de ricos jogadores de futebol, loucas pela fama.

Depois de 47 delas (acreditem!), suspirei aliviado ao surgir uma morena de saia de linho, blusa de seda de corte moderno, cabelos escovados e passos elegantes como uma formosa sereia bailando languidamente nas águas. Não se deve acreditar na moda que se vê nas novelas da Globo ou na revista Caras, pode ter-se certeza que a elegância não habita esse mundo banalizado.

Em 2003, passei dias carnavalescos em Pernambuco, com um grupo esquisito que incluía a socialite “emergente” carioca Vera Loyola. Não acreditei, caro leitor, ela parece uma caricatura de mulher esculpida pelo mais perverso dos gays (culpados também pela infame e assexuada estética “carne-e-osso”). Senti vergonha do meu Brasil por idolatrar estereótipos femininos como a nossa “rainha das quentinhas”. A mulher não nasceu para usar farda ou participar de um exército fracassado e massificado. Ela deve ser única, original, maravilhosa.

Infelizmente o universo feminino se repara e se mede, e até se odeia, não suportando a companhia das mais bonitas, das mais charmosas, das mais bem vestidas, das mais inteligentes e das mais bem sucedidas. É preciso quebrar esse tabu, adotando união e confiança.

E para terminar, gostaria de aplaudir todas as mulheres que lutam contra as adversidades, as que acreditam no amor e na liberdade, as aventureiras e as boas de coração, as ninfas e as sereias, as bruxas e as ciganas, as sacerdotisas e as guerreiras, e principalmente as que entendem que a vida passa rápido e sabem que nenhum homem, nem mesmo o mais desejável de todos eles, tem o direito de maltratar quem quer que seja.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

One Comment

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  1. Adorei o texto, ainda que não concorde que a maldade confira um carácter sexy a alguém, seja do sexo feminino ou masculino, muito pelo contrário, assenta tb no estereótipo na femme fatale devoradora de homens que não olha a meios para atingir os fins (normalmente, quem o faz são até as mais feiozinhas e despeitadas, mas há de tudo em todo o lado :), creio que as Mulheres que Dignificam o Género são as que lutam pela sua liberdade e pela das outras, dado que cada caso que implique a reivindicação de direitos humanos inalienáveis é um passo para a mudança de mentalidades.
    Há muitas mulheres e muitos homens muito bonitos por fora e por dentro, com princípios, com carácter, com força interior, como tal, Aleluia! :)))

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