Nova unidade de tratamento cirúrgico da obesidade – Faro

Nova unidade de tratamento cirúrgico da obesidade

O Hospital de Faro abriu uma Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade há três meses.

Os resultados, segundo o seu coordenador, mostram “uma eficácia de 100 por cento, seguindo o critério de perda de pelo menos 50 por cento de excesso de peso”.

fotos do balão intragástrico antes e depois - climedt endos

A Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (UTCO) do Hospital de Faro está a funcionar desde dia 5 de Março.

Esta nova estrutura foi criada para corresponder “a uma aspiração de todos os médicos e outros colaboradores que, desde 2004, se têm dedicado ao tratamento dos doentes obesos”, revela João Ribeiro.

Para o coordenador da UTCO, as vantagens “são indiscutíveis, já que a diferenciação dos cuidados a prestar garante e promove a eficiência e qualidade dos mesmos.

Trata-se ademais do cumprimento de uma directiva da Direcção-Geral da Saúde extensiva a todos os hospitais públicos e privados, definida por normas que se in serem no conceito específico da gestão integrada da doença já aplicada com sucesso noutras patologias”, sublinha.

A experiência em cirurgia de obesidade neste hospital algarvio remonta a 2004, “ano em fizemos a colocação da primeira banda gástrica”, conta João Ribeiro.

“Esta técnica foi por nós abandonada em 2006, quando só havíamos feito 58 bandoplastias, pelos resultados negativos e complicações que obrigaram e continuam a impor a sua remoção e conversão em bypass gástrico proximal”, explica o médico.

“Em 2005 fizemos o primeiro bypass gástrico e, em 2006, a primeira tubuloplastia gástrica, que recomendamos apenas para obesos com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 45, havendo a percepção de que os resultados são menos satisfatórios e consistentes do que os conseguidos com o bypass, cirurgia de eleição por nós realizada.

No total, estamos próximo das três centenas de operações realizadas por obesidade, das quais mais de metade são bypass, com tendência a assumir uma posição cada vez mais preponderante”, revela.

O especialista sublinha ainda que a intervenção efectuada por laparoscopia, que consiste na colocação de uma banda insuflável na parte superior do estômago, “hoje não é questionável. Só por si, constitui a principal base do sucesso e aceitação da cirurgia da obesidade”.

Resultados mais eficazes

“Temos introduzido algumas inovações técnicas que têm contribuído para a melhoria dos resultados, como sejam o nível de secção gástrica, de modo a preservar uma vascularização rica do coto gástrico bem como a técnica usada nas anastomoses e, ainda, um comprimento variável da ansa alimentar, entre 2. 5 m e 3. 5 m, em função do IMC”, explica João Ribeiro.

O resultado, segundo o coordenador da UTCO, “salda-se por uma eficácia de 100 por cento, seguindo o critério de perda de pelo menos 50 por cento de excesso de peso”.

Também “os benefícios colaterais imediatos à operação de cura da diabetes tipo 2 ou melhoria da diabetes insulino-dependente, incluindo alguns casos de cura desta, aproximam-se dos 100 por cento.

O mesmo acontece com a melhoria ou cura da hipertensão, cura da dislipidemia ou da melhoria da apneia do sono, tudo comorbilidades muito frequentes nos obesos”, sublinha.

Melhorar a acessibilidade

Segundo João Ribeiro, “o futuro passa pela consolidação da UTCO, com o estabelecimento de protocolos internos e externos que possam melhorar a acessibilidade dos doentes, bem como a eficiência do serviço prestado”.

Para tal acontecer, o médico diz que é preciso vencer a batalha da informação e comunicação, sabendo de antemão que esta é uma cirurgia delicada e de risco, desde logo relacionado a condição intrínseca da condição de obeso e das comorbilidades associadas”.

Outro objectivo a alcançar passa pelo “aperfeiçoamento técnico permanente dos cirurgiões” bem como “dos procedimentos de todos os colaboradores da vasta equipa multidisciplinar”.

Também “a avaliação periódica dos resultados, monitorizada com a criação de uma base de dados, é outro dos objectivos imediatos”.

De acordo com o responsável, “a investigação clínica em função dos resultados é a consequência imediata dos registos fiáveis e facilmente acessíveis”.

Efeitos e consequências

“O grande desafio é a compreensão da doença e dos efeitos que as operações, sejam o bypass ou a ablação gástrica parcial, causam nos neuropéptidos que regulam, directa ou indirectamente, a percepção do apetite e do controlo da saciedade”, enfatiza João Ribeiro.

“A grelina e o glucagon like-peptide 1 são dois bons exemplos. Hoje ninguém pode ignorar os seus efeitos”, afirma o especialista.

O coordenador da UTCO considera fundamental alertar a comunidade científica, “no sentido de que não basta que um procedimento possa provocar resultados imediatos e de curto prazo quanto à perda de peso, importa saber como funciona e que malefícios pode acarretar”.

Mais acrescenta: “O apoio e a disponibilidade para a formação de novos cirurgiões, que se queiram dedicar e partilhar o desafio de corrigir a obesidade cirurgicamente, são uma obrigação e um dever que assumimos de bom grado”.

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Esta matéria tem 6 Comentários
  1. viviane Reply

    Ola, gostava de saber se ainda existe essa equipa no Hospital de Faro. Pois já lá estive, e a maioria dos funcionarios que me atenderam, desconhecem ate o nome de tal procedimento.

  2. Angélica Reply

    CUIDADO

    com as cirurgias à obesidade, que parecem ser um sonho mas no entanto podem não voltar desse sonho ………. A probabilidade das complicações que levam à Morte existem e muito! A todos aqueles que pensam neste tipo de cirurgia, alerto para tentarem de uma outra forma menos evasiva antes de arriscarem a vida.

  3. admin Reply

    Ana, infelizmente em Portugal é assim. Mas, tenha paciência e força que tudo se resolverá.

  4. Ana Mendes Reply

    Olá de novo
    Já estive no HDF. Tive consulta em Julho (endocrinologia e cirurgia). Ainda não percebi o motivo, mas, a próxima é só em Dezembro (após fazer análises). Que expectativas posso ter quanto ao prazo de cirurgia? A carta que recebi a explicar as etapas do SIGIC não apresenta uma escala temporal, o que impede uma leitura do tempo de espera. Não deveria ser dado ao paciente uma melhor leitura? Continuo em expectativa e a piorar o meu quotidiano, agravando a minha situação de saúde, nomeadamente a minha mobilidade, que me impede de fazer uma vida razoável, já não falando de tudo o resto, pois a minha vida deu uma “cambalhota” completa. O que devo fazer para que o meu processo seja acelerado e eu poder ainda ter esperança de poder voltar a viver? Infelizmente, e lamento dizê-lo, não tenho “cunhas” nem a quem recorrer.
    Obrigada pela atenção

  5. Ana Mendes Reply

    Vivo em Faro.
    Tenho um IMC de 47.
    Infelizmente, tenho várias doenças associadas à minha obesidade, nomeadamente, artrite reumatoide, fibromialgia, ….
    Adquiri o meu peso (mais 50kg) em cerca de 2 meses (aconteceu há cerca de 5 anos).
    Que devo fazer para poder ser ajudada o mais rápido possível?

    • admin Reply

      Olá Ana Mendes. Sugiro que fale com o seu medico de familia para ele a encaminhar para um possivel tratamento. Tratamento este que poderá ser compartecipado pelo estado.
      Boa sorte ana.

      Tenha uma vida positiva.

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