O que é Erisipela, tratamento, medicamentos, sintomas, cura e mais

Revisado por Equipe Editorial a 9 novembro 2018 - Publicado a 28 de agosto de 2018

O que é? A erisipela é um tipo de infecção cutânea que pode ser identificada pelo surgimento de ferimentos vermelhos e inflamações. Geralmente, o problema se manifesta abaixo da cintura, atingindo os pés e as pernas.

O nome incomum da doença chega a assustar, mas a erisipela é apenas uma dermatose infecciosa.

Além disso, a doença costuma ser reconhecida por algumas nomenclaturas diferentes, como esipra, maldapraia, zipla e zipra. Esses são os nomes populares da erisipela em determinadas regiões do Brasil.

Essa infecção de pele não apresenta uma regularidade muito exata. Isso significa que ela pode aparecer e se manter pelo resto da vida do indivíduo.

Em outros casos, a incidência tende a ser esporádica, com algumas manifestações ao longo do ano.

O problema é que, caso seja negligenciado, o quadro dessa infecção epidérmica pode evoluir e culminar no desenvolvimento de bolhas.

Nesses casos, tem-se a chamada erisipela bolhosa, uma vertente que pode conter bolhas com aproximadamente 10 cm de extensão.

O líquido do interior dessas bolhas pode ser translúcido ou conter uma tonalidade amarelada ou marrom.

Na presença de surtos recorrentes, a erisipela pode se transformar na elefantíase nostra.

Além disso, a infecção é constantemente confundida com a celulite infecciosa. Diferentemente da celulite “clássica”, marcada por irregularidades que se formam ao longo da epiderme, a celulite infecciosa pode provocar graves complicações de saúde.

Foto De Erisipela No Rosto De Mulher

A confusão existente entre essa celulite infecciosa e a erisipela decorre da semelhança dos sintomas de ambas.

A principal diferença entre elas é o foco de ação da infecção. Enquanto a erisipela é uma infecção superficial, a celulite infecciosa é profunda.

O que causa a Erisipela?

A erisipela costuma ser uma infecção bacteriana, provocada pela ação das bactérias Haemophilus influenzae e Streptcoccus pyogenes.

Ambas as bactérias entram no corpo através dos orifícios gerados por feridas na pele — até mesmo as unhas encravadas podem facilitar a penetração desses agentes infecciosos.

Uma vez dentro do organismo, as bactérias se espalham via sistema linfático.

No que diz respeito à possibilidade de evitar o contato com essas bactérias, essa é uma medida praticamente impossível, haja vista que elas são quase onipresentes.

É bem provável que, nesse momento, elas estejam na sua pele, por exemplo.

Quanto aos fatores que causam a infecção cutânea, vale a pena observar os seguintes:

  • Incisões realizadas em cirurgias;
  • Úlceras cutâneas;
  • Uso de heroína;
  • Típicas picadas de insetos;
  • Intumescimento das pernas — o diabetes é uma das doenças que ocasionam esse inchaço;
  • Psoríase ou outras enfermidades epidérmicas.

Como mencionado anteriormente, na maior parte das vezes a erisipela acomete os pés e as pernas.

No entanto, em cerca de 25% dos casos o problema atinge o rosto, quadros que possuem uma ligação com a manifestação com a dermatite seborreica.

Quais são os grupos de maior risco para contrair a doença?

Em relação às pessoas mais vulneráveis a contrair a doença, vale destacar:

  • Pessoas situadas na faixa etária que vai dos 2 aos 6 anos de idade;
  • Indivíduos idosos com idade superior a 60 anos;
  • Indivíduos com histórico de doenças cardíacas ou que atingem os rins e que podem levar ao inchaço dos membros inferiores;
  • Indivíduos com peso acima do ideal;
  • Diabéticos com índices de glicemia descontrolados;
  • Indivíduos com um sistema imunológico fragilizado;
  • Pessoas com patologias crônicas que enfraquecem a imunidade do organismo;
  • Indivíduos com problemas de circulação sanguínea nos pés e nas pernas;
  • Pessoas com comprometimento dos vasos linfáticos.

Diante desses sintomas, é altamente recomendável que se faça uma consulta médica.

Os sintomas da Erisipela

Imagem De Erisipela Na Face De Homem

Como principais sintomas, é possível destacar:

  • Febre;
  • Arrepios;
  • Formação de bolhas na pele;
  • Sensação de náusea acompanhada de vômito;
  • Ferimentos com coloração avermelhada.

Nos membros inferiores, a região da virilha pode apresentar as chamadas ínguas, que são caroços subcutâneos doloridos.

A temperatura dessa área também pode se elevar.

Como posso me prevenir da Erisipela?

A prevenção, propriamente dita, não existe. Contudo, é perfeitamente possível reduzir as chances de incidência dessa infecção ao se adotar certas medidas, como:

  • Evitar caminhar pelo chão com os pés descalços;
  • Priorizar o uso de meias de algodão;
  • Lavar bem as mãos com regularidade — o hábito reduz a produção bacteriana;
  • Tratar corretamente outras possíveis infecções cutâneas, como os eczemas e a psoríase;
  • Manter a pele bem hidratada, evitando que ela fique ressecada;
  • Tratar adequadamente os ferimentos que possam acometer a pele;
  • Evitar coçar a pele constantemente.

O diagnóstico da Erisipela

Assim como em qualquer outra doença cutânea, a erisipela é diagnosticada e tratada por um médico dermatologista.

Somente esse especialista é capaz de efetuar um diagnóstico preciso e, desse modo, propor uma abordagem terapêutica realmente eficaz para cada quadro infeccioso.

Geralmente, o dermatologista baseia o diagnóstico somente na observação clínica. Todavia, alguns médicos podem solicitar um exame sanguíneo.

Em algumas situações, até uma biópsia é considerada, a fim de precisar a espécie de bactéria responsável por aquele quadro de infecção.

Tratamentos para Erisipela

Existem 3 abordagens terapêuticas para tratar a erisipela:

  • Tratamento caseiro;
  • Tratamento medicamentoso;
  • Tratamento cirúrgico

Tratamento caseiro

Nesse caso, o tratamento consiste em alguns cuidados a serem tomados, como:

  • Ingerir muito líquido;
  • Não realizar muito esforço físico;
  • Manter as pernas e pés suspensos;
  • Aplicar compressas frias nas regiões infectadas;
  • Efetuar pequenas caminhadas — no interior de casa mesmo, sem exageros.

Benefície do óleo de amêndoa

O óleo de amêndoa é considerado um agente nutritivo e suavizante para a pele. Ele pode ser usado para combater infecções da pele e as bactérias que causam a inflamação e o inchaço.

Para melhores resultados aplique o óleo de amêndoa de forma regular nas regiões afetadas duas vezes ao dia.

Para conhecer alguns remédios caseiros suportados pela ciência acesse a matéria Remédios Caseiros para Tratamento da Erisipela.

Medicamentos

No caso do tratamento medicamentoso, os remédios receitados são usados durante cerca de 7 dias. Esses são os medicamentos mais comuns:

  • Cefradina;
  • Cefalexina;
  • Penicilina — em caso de alergia, pode-se substituí-la pela clindamicina, claritromicina, ou eritrominica;
  • Ciprofloxacino;
  • Ampicilina;
  • Amoxicilina.

Vale notar que a erisipela bolhosa costuma ser tratada com a aplicação da medicação por via intravenosa — procedimento feito em ambientes hospitalar.

Como alternativa, pode-se recorrer ao uso de cremes antimicrobianos (o ácido fusídico a 2% é um bom exemplo).

Cirurgia

A intervenção cirúrgica ocorre somente em casos de erisipela que sejam extremamente graves, quando há a necessidade de uma medida de urgência.

Esse quadro avançado e preocupante é caracterizado pelo desenvolvimento acelerado da patologia, provocando a morte de diversos tecidos do organismo.

Dessa forma, o objetivo da cirurgia reside na remoção do tecido comprometido com o fim de evitar a proliferação da infecção para outras partes do corpo.

Caso o tratamento não seja feito, existe alguma complicação?

Erisipela Na Perna

Uma vez que haja o diagnóstico de alguma patologia, ela precisa receber o tratamento adequado. Caso contrário, o indivíduo fica sujeito a sofrer as mais variadas complicações.

Em se tratando da erisipela, as possíveis complicações são seguintes:

  • Desenvolvimento de quadros infecciosos nos ossos e nas regiões articulares;
  • Desenvolvimento de abscessos;
  • Risco de a infecção atingir o cérebro — desde que a erisipela acometa o rosto e esteja próxima da região ocular;
  • Formação de coágulos sanguíneos;
  • Infecções nas válvulas sanguíneas;
  • Morte tecidual;
  • Contaminação do sangue — quando as bactérias atingem a circulação do sangue.

Como em qualquer outra situação que envolva a saúde do organismo, a erisipela precisa ser tratada o mais rapidamente possível.

Portanto, em caso de suspeita da doença, não deixe de buscar auxílio médico especializado.