O que nos dão a comer no Algarve

O que nos dão a comer

É certo e sabido que no Verão o Algarve é procurado por milhares de turistas e praticamente todos vão fazer pelo menos uma refeição num dos muitos restaurantes espalhados pela região. A iguaria principal dessas refeições será porventura uma das muitas e bem afamadas espécies de peixe que parecem ganhar um novo sabor quando são saboreadas com o mar por perto. Mas será que essa fama corresponde à verdadeira qualidade?

Os números da Direcção de Saúde relativos a toxinfecções alimentares não permitem avaliar completamente a magnitude do problema. Uma grande parte fica por registar já que muitos afectados não chegam a consultar um médico ou mesmo porque os sintomas podem só aparecer algum tempo depois do consumo do alimento que as causou. Estes sintomas incluem diarreia, cólicas abdominais, vómitos e febre. Em casos muito graves podem levar a complicações sérias de saúde, como uma desidratação severa, ou mesmo à morte.

A única forma de prevenir estas situações será através da consciencialização dos empresários da restauração para as complicações que maus hábitos de higiene podem causar. E existe legislação específica que regulamenta os estabelecimentos de restauração relativamente às boas práticas de higiene e segurança alimentar, mas esta é ainda incompleta. A actual legislação peca por ser algo vaga e até as empresas que fornecem auditoria na área da segurança alimentar têm interpretações diferentes daquilo que os estabelecimentos devem pôr em prática. Para complicar ainda mais as coisas, a fiscalização é pouco activa e possui poucos meios para avaliar a totalidade dos estabelecimentos na região.

Os estabelecimentos devem, por lei, contratar funcionários com formação em boas práticas de higiene ou, na falta dessa formação, contactar uma empresa do ramo para a leccionar. Contudo, em muitos casos, esta formação é esquecida, principalmente porque é um investimento de tempo e dinheiro a que os empresários estão relutantes em aderir. Talvez se sintam mais inclinados a aceder quando forem fiscalizados e forem alvo de uma coima (que pode ir até aos 45 000 €) ou sancionados com o encerramento temporário do estabelecimento…

No fundo, cabe ao empresário, como elo importante no percurso dos géneros alimentícios, o controlo das condições dos produtos. E um bom controlo só lhe pode trazer vantagens: clientes satisfeitos, boa reputação do estabelecimento, concordância com a lei e boas condições de trabalho.

O consumidor pouco pode fazer para controlar a qualidade da sua refeição num estabelecimento de restauração. Mas nunca é demais recordar que um bom consumidor deve ser um consumidor atento e exigente. Se acha que algo não é feito da melhor maneira, reclame. Ponha de parte esse lado comodista tipicamente português, de quem se queixa pelas costas, e reclame. E use para o efeito o livro de reclamações. Lembre-se que o faz pela sua saúde.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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