Fotos Antes e Depois

Óleo Essencial de Cipreste Azul: Benefícios, Propriedades e Aplicações

O óleo essencial de cipreste azul é destilado a partir de cascas lascadas e da madeira da árvore Callitris intratropica, através de um processo demorado.

Os compostos resinosos presentes na casca reagem, durante a destilação, com outros compostos aromáticos para criar aguaiazuleno, um composto anti-inflamatório semelhante ao chamazuleno, que dá ao óleo essencial a sua cor azul escura.

O óleo é principalmente uma nota olfativa de fundo e possui um aroma doce, lenhoso, balsâmico e herbáceo. É um excelente fixador de perfumes que se mistura bem com outras notas lenhosas, cítricas e com aromas “verdes”.

Cipreste Azul (Callitris Intratropica)

Origem

O nome do género botânico, Callitris, é derivado das palavras gregas calli (belo) e treis (três), em referência ao formato triangular das folhas em forma de escala que se dispõem em espículas de três.

O Pinheiro Cipreste é nativo da Austrália e cresce no Território do Norte (incluindo as Ilhas Melville e Bathurst), no norte da Austrália Ocidental, em Cape York e no nordeste de Queensland.

O seu alcance de altitude estende-se até aos 900 metros acima da linha do mar. Habitualmente, a árvore cresce em floresta aberta, mas também pode ser encontrada em floresta de terra firme, vinhas, floresta monçônica e na proximidade de florestas tropicais.

O Pinheiro Cipreste é uma árvore de tamanho médio a grande, com 15 a 45 metros de altura. A sua madeira é muito aromática, resistente às térmitas e bastante fácil de separar em lascas ou de queimar para acender as bocas do fogão.

Pode viver mais de 200 anos, portanto, o seu tempo de vida abrange a colonização europeia. A população de Pinheiros Ciprestes desceu drasticamente no Território do Norte, ao longo dos últimos 100 anos.

A teoria atualmente mais aceite afirma que os regimes modernos de fogos florestais são a causa dessa desflorestação.

A árvore suporta incêndios de baixa intensidade, mas morre com os incêndios de alta intensidade.

O óleo essencial de cipreste azul é extraído de árvores cultivadas, não de árvores selvagens.

História

Muitas plantas nativas da Austrália foram utilizadas como remédios caseiros durante milhares de anos pelos povos aborígenes australianos.

As plantas ricas em óleos essenciais têm constituído uma parte importante da Medicina Aborígene e são tradicionalmente processadas de diversas formas, tais como:

  • Esmagar manualmente as plantas ou colocá-las sobre pedras ou cinzas quentes, de forma a inalar os vapores produzidos.
  • Esmagar o material da planta e depois aplicá-lo como cataplasma sobre as áreas que necessitam de tratamento.
  • Extrair o material da planta em água quente e, de seguida, usá-lo como um líquido de lavagem para o corpo.

óleo Essencial De Cipreste Azul (Callitris Intratropica)

O povo Tiwi das Ilhas Melville e Bathurst e alguns grupos aborígenes do continente usam o Pinheiro Cipreste das seguintes formas:

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Como analgésico

As cinzas da madeira são misturadas com água e espalhadas sobre a região do corpo que se encontra afetada. São consideradas eficazes para aliviar as dores ligeiras e o sofrimento.

Como um líquido lavagem

Aproximadamente um punhado da casca interna recém-recolhida é esmagada e aquecida em cerca de 500 ml de água.

A infusão arrefecida é espalhada sobre o corpo e uma longa fita de casca interna é enrolada em torno do abdómen para aliviar as cólicas abdominais.

A infusão também é aplicada sobre feridas e cortes. É por vezes utilizada internamente para aliviar a dor e o desconforto abdominais.

Como um repelente de insetos

Deitam-se as cascas numa fogueira do acampamento para expulsar os mosquitos e os restantes insetos.

A primeira utilização conhecida da Callitris intratropica por colonos europeus foi realizada em 1905, por Sr. Joe Cooper, que moeu a madeira para fins de construção.

Ao mesmo tempo, R.T. Baker (o botânico económico) e H.G. Smith (o químico do óleo essencial) estavam a desenvolver o seu trabalho de mestrado que se intitulava “A Research on the Pines of Australia” (do português: Um Estudo sobre os Pinheiros da Austrália), no qual, entre outras coisas, se identificaram e definiram as características e propriedades da Callitris intratropica.

A resina do Pinheiro Cipreste e de outras espécies nativas de Callitris é conhecida como resina australiana sandáraca. Antigamente era utilizada como um revestimento para cápsulas “gastro-resistentes”, de modo a que as cápsulas não se dissolvessem no estômago.

O principal uso económico deste Pinheiro foi a utilização da sua madeira resistente a térmitas no norte da Austrália.

As primeiras plantações foram estabelecidas na Ilha de Melville, no início da década de 1960, e no Território do Norte do continente, nos anos correntes.

As fracas taxas de crescimento condicionaram a cessação das plantações de Pinheiro Cipreste. O Pinus caribaea e outras espécies foram utilizados em plantações posteriores, tanto em Melville como no Continente.

A devastação provocada pelo Ciclone Tracey em Darwin, no ano de 1974, levou à formulação de novos códigos de construção que desencorajavam a construção de casas emolduradas de madeira.

No final da década de 1970, o governo federal cortou o financiamento dispendioso das plantações de madeira no Território do Norte, conduzindo ao término do regime de plantação de madeira.

O início da produção de óleo essencial ocorreu em meados da década de 1990, utilizando originalmente uma plantação estabelecida no Território do Norte. O óleo foi promovido como um popular potencial composto para fragrâncias.

Atualmente, o óleo essencial de Cipreste azul continua a ser produzido, sendo extraído de forma sustentável das árvores plantadas.

Trata-se de um óleo essencial exclusivamente australiano que possui algum potencial terapêutico real. Acreditamos que a utilização contínua deste óleo por terapeutas e investigadores, tornará claras todas essas possibilidades.

Principais Constituintes do Óleo Essencial de Cipreste Azul, por Percentagem

Monoterpenos: alfa-pineno 1.00, delta-3-careno 0.34, p-cimeno 0.1, limoneno 0.18,  p-cimeneno  0.18.

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Sesquiterpenos: beta-elemeno 1,40, alfa-guaieno 0,83, eudesma-1,4(15),11-trieno 2,20, selina-4,11-dieno 1,82, eremofileno 3,38, delta-selineno 0,69, alfa-selineno 3,07, alfa- bulneseno 1,10, selina-3,7(11)-dieno 0,32, guaiazuleno 0,43.

Álcoois de Sesquiterpeno: elemol 1.57, guaiol 14.88, gamma-eudesmol 9.14, beta-eudesmol 5.29, alfa-eudesmol 5.13, bulnesol 8.43.

Sesquiterpenos lactonas: calitrisina 2,46, dihidrocalitrisina 9,30.

Sesquiterpeno furano: cis-dihidroagarofurano 2,80.

Também: borneol 0,17, alfa-terpineol 0,22, mirretol 0,21, 0,9 mirtenal, verbena 0,30.

Benefícios, Propriedades e Aplicações

óleo Essencial De Cipreste Azul (Callitris Intratropica)

Inflamação, dor, erupções cutâneas

Devido ao alto teor em sesquiterpenos, incluindo o guaiazuleno, é razoável esperarmos que o óleo essencial de cipreste azul possua propriedades anti-inflamatórias úteis.

Existe uma série de relatos anedóticos que afirmam que o óleo da planta possui benefícios tanto no alívio da inflamação como da dor, assim como no alívio das erupções cutâneas induzidas por alergias, picadas de insetos (como as moscas da areia, os mosquitos, as vespas e as abelhas) e na suavização das erupções provocadas pelo uso de fraldas.

Um pequeno estudo investigou a redução do eritema (vermelhidão da pele causada pela dilatação dos capilares sanguíneos em resposta à inflamação) provocado pela reação de sensibilização ao bálsamo-do-peru (Myroxylon peruiferum L. f.).

Induziu-se o eritema nos antebraços de cinco voluntários, através da aplicação da dose padrão de bálsamo-do-peru sobre uma área de aproximadamente 2cm x 2cm na face interna do antebraço, colocando um adesivo em contacto com a pele durante 4 horas. Os scores de irritação registrados enquadraram-se no intervalo de ligeiro a moderado (1,5-3,5).

Os adesivos foram removidos e aplicou-se óleo essencial de cipreste azul não diluído de forma aleatória sobre metade da pele que se encontrava irritada, usando aproximadamente 0,5 ml por área.

Os adesivos com o óleo essencial de cipreste azul foram substituídos conforme necessário, ao longo de quatro horas. Nenhum dos voluntários sofreu qualquer irritação da pele provocada pelo óleo.

Na remoção dos adesivos, todas as áreas tratadas apresentaram níveis reduzidos de eritema, com uma queda dos scores de irritação para o nível mínimo de 0 a 0,5.

Nos indivíduos do grupo de controlo, as áreas não tratadas permaneceram relativamente inalteradas no que diz respeito aos níveis de eritema e de irritação.

Psoríase

No caso da psoríase, o cipreste azul é potencialmente benéfico na redução da hipervascularização (aumento do número e da concentração de capilares sanguíneos) e da inflamação que caracterizam esta doença.

O uso de gel de Aloé Vera, de óleo vegetal de Tamanu e do extrato de Calendula CO2 com óleo essencial de cipreste azul poderá constituir uma mistura bastante útil.

Dores músculo-esqueléticas

No que diz respeito a queixas músculo-esqueléticas, existem relatos de que o óleo ajuda no tratamento da dor e da inflamação que acompanham as artralgias e o inchaço articular geral e também no tratamento da artrite reumatóide.

Verrugas, Varicela, Herpes zoster e aftas

O óleo essencial de cipreste azul parece ter propriedades antivirais, existindo relatos de que o óleo é benéfico contra as verrugas comuns (causadas pelo Papillomavirus), a zona (Varicela ou Herpes zoster) e as aftas (Herpes simplex).

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Queimaduras

O óleo também foi utilizado em pequenas queimaduras, para as quais se relatou uma redução significativa do tempo de cicatrização e da dor associada às lesões.

Congestão respiratória e nasal

Com um elevado teor em compostos de sesquiterpeno lactona, o composto pode ter alguns efeitos mucolíticos (diluição das secreções) úteis na congestão respiratória e nasal, como é o caso da atlantolactona, que também pode ser encontrada em pequenas quantidades no óleo de Inula odorante (Inula graveolens).

Trata-se apenas de uma teoria, pelo que o benefício necessita de ser demonstrado na prática.

Edema, varizes e hemorroidas

O óleo de guaiaco ou guayacol, extraído do pau-santo-falso (Bulnesia sarmienti) apresenta benefícios como descongestionante venoso e linfático, podendo ser útil nos casos de congestionamento linfático e edema, de varizes menores e de hemorroidas.

Os constituintes do composto são semelhantes aos do óleo de guaiaco e, por essa razão, é razoável sugerir que este possa também ser benéfico em tais problemas de saúde.

Segurança

Para que o composto fosse aprovado para uso na Austrália e no exterior, o óleo teve que ser avaliado pela Worksafe Australia, que exige a realização de testes de toxicidade animal.

O resumo dos testes demonstrou:

Tanto a toxicidade aguda oral como a dérmica são superiores a 2 gramas por quilograma de peso corporal – em comparação, isto significa que o óleo só é toxico acima dos 140 gramas para um adulto que tenha 70 kg de peso corporal.

Dada a composição do óleo essencial, a toxicidade aguda (DL50 – dose letal de 50%) é provavelmente superior a 5 gramas por quilograma de peso corporal. No entanto, estas doses nunca foram testadas.

Nos estudos realizados, o composto mostrou-se sensibilizador em 40% das cobaias, quando não diluído e aplicado sobre a pele desgastada e coberta.

O óleo essencial de cipreste azul foi classificado como irritante, quando aplicado na forma não diluída e coberto com um penso semioclusivo, sobre a pele (estudo realizado em coelhos).

Nenhuma irritação da pele ou reação de sensibilização alérgica foi relatada por indivíduos que utilizam o óleo e, na verdade, parece que ele possui benefícios anti-inflamatórios.

Recomenda-se que todos os óleos essenciais, incluindo estel, sejam aplicados sobre a pele na forma diluída, nunca na forma não diluída.

Resumindo, o composto não é tóxico nas habituais doses diluídas. Nos casos de pessoas com pele sensível ou que sofram de problemas de pele como o eczema, o óleo deverá ser diluído a 2,5% ou menos.

Recomenda-se que, nesses casos, se aplique sobre a pele uma pequena quantidade da mistura que será utilizada, para determinar a existência de alguma possível reação alérgica.

Nome Comum: Pinheiro Cipreste do Norte da Austrália, Karnitirrikani (linguagem das ilhas de Tiwi)

Nome Botânico: Callitris intratropica

Família: Cupressaceae

Partes da Planta Utilizadas: Madeira e Casca

Método de Extração: Destilação a Vapor

Referências

http://www.abp.com.au/
https://en.wikipedia.org/wiki/Callitris
http://www.eurekaselect.com/134175/article
http://keys.trin.org.au/key-server/data/

09. novembro 2017 by Rui

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