Pancreatite Aguda

A pancreatite aguda é uma inflamação aguda no pâncreas. Este é um órgão situado atrás do estômago e que produz insulina e também enzimas (sucos digestivos) que ajudam a digerir os alimentos.

A pancreatite pode limitar-se a ocorrer uma vez ou pode reaparecer várias vezes. Em alguns casos, pode evoluir para pancreatite crónica.

Causas da pancreatite aguda

A pancreatite aguda pode ser provocada pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.

Cálculos (pedras) na via biliar, alguns medicamentos ou um traumatismo no abdómen (barriga) podem desencadear uma pancreatite. Pode também ser causada por infecção viral ou cancro.

Sinais e sintomas da pancreatite aguda

Habitualmente, a pancreatite manifesta-se por uma dor intensa na parte superior do abdómen, irradiando para as costas.

Esta dor pode estar associada a uma sensação de ardência ou a pontadas e pode durar vários dias. Por vezes, a dor alivia quando o doente se dobra sobre si próprio.

Outros sintomas podem incluir febre, náuseas (enjoos) ou vómitos. É possível que o abdómen fique inchado. Provavelmente, perderá peso.

Diagnóstico

Ecografia abdominal: Utilizam-se ondas sonoras para obter imagens do interior do abdómen (barriga). Estas imagens são observadas num ecrã semelhante ao de um televisor. Este exame indolor é feito com o paciente deitado.

Radiografia abdominal: Fornece uma imagem dos órgãos no interior do abdómen (barriga). O médico utiliza-as para detectar problemas tais como presença de cálculos (pedras) ou gás em localização anormal.

Análises ao sangue: Poderá necessitar que seja retirado sangue para análises. O sangue poderá ser retirado de uma veia da mão, do braço ou da dobra do cotovelo e será, depois, analisado para ver de que forma é que o seu corpo está a reagir à doença. Poderá ter de tirar sangue mais do que uma vez.

Tomografia computorizada: Este exame é conhecido por TAC. Uma máquina especial de raios X serve-se de um computador para examinar o abdómen (barriga). Os médicos analisarão as imagens para ver se há qualquer problema.

Antes da obtenção das imagens, poder-lhe-ão injectar uma substância de contraste por via intravenosa. Esta substância ajudará a visualizar melhor o abdómen nas imagens.

A TAC permite observar até que ponto o pâncreas foi lesado e identificar a presença anormal de líquido ou de infecções localizadas à volta do pâncreas.

As pessoas com história de alergias poderão ser também alérgicas a esta substância. Informe o seu médico se tiver episódios de alergia no seu passado.

Endoscopia: Este exame visa a avaliação do interior do estômago e do duodeno. O médico introduz um endoscópio pela boca até ao estômago.

O endoscópio é um tubo comprido equipado com uma iluminação adequada. Pode estar ligado a uma câmara, podendo-se, assim, obter imagens do estômago e do duodeno.

Podem retirar-se amostras (biopsias) de tecido para análise. Na pancreatite aguda, a endoscopia só se usa se há dúvidas no diagnóstico.

CPRE: Este exame é executado durante uma endoscopia e serve para identificar pedras ou lesões nas vias biliares ou nos canais pancreáticos.

Uma substância de contraste é introduzida no tubo de endoscopia. A substância chega depois ao pâncreas e às vias biliares, a fim de facilitar a sua visualização nos raios X.

Se tiver pedras nas vias biliares, estas podem, por vezes, ser removida durante a CPRE. As pessoas com história de alergias poderão ser alérgicas à substância de contraste. Informe o seu médico se tiver episódios de alergia no seu passado.

A CPRE está indicada se há suspeita de litíase (pedras) biliar ou se há dúvidas no diagnóstico mas, habitualmente, é feita já fora da fase aguda.

Sinais vitais: Incluem a medição da temperatura, da tensão arterial, da frequência do pulso (contagem dos batimentos cardíacos) e dos ciclos respiratórios (contagem da respiração).

Colocar-lhe-ão uma braçadeira no braço para medir a tensão arterial. Essa braçadeira estará ligada a um aparelho que indicará a sua tensão arterial. Os seus sinais vitais são medidos para que o médico possa ver como está a reagir.

Cuidados a ter

Depois de ter alta:

Siga sempre as instruções do médico ao tomar os medicamentos. Contacte-o, se achar que os medicamentos não estão a ajudar ou que estão a ter efeitos secundários.

Não deixe de os tomar sem consultar o médico. Se estiver a tomar antibióticos, tome-os até ao fim do prazo indicado pelo médico, ainda que já se esteja a sentir melhor.

Mantenha uma lista dos medicamentos que está a tomar, incluindo a indicação de quando os deve tomar. Leve a sua lista de medicamentos ou os frascos dos comprimidos sempre que for ao médico.

Informe-se sobre a razão pela qual está a tomar cada um dos medicamentos.

Peça ao seu médico mais informações sobre os seus medicamentos. Se estiver a tomar medicamentos que o façam sentir-se sonolento, não conduza nem manuseie equipamento pesado.

É provável que lhe apeteça descansar mais. Lentamente, comece a aumentar o ritmo, a cada dia que passa. Repouse quando entender necessário.

Não beba bebidas alcoólicas. O álcool consome o oxigénio e obriga o coração e os pulmões a um esforço adicional. A ingestão de bebidas alcoólicas agrava certamente a pancreatite e piora o prognóstico.

Quando o médico lhe recomendar uma dieta normal, adopte uma alimentação saudável incluindo alimentos dos cinco grupos alimentares: fruta, legumes, pão, lacticínios, carne e peixe. Ingerir alimentos saudáveis pode ajudá-lo a sentir-se melhor e a ter mais energia.

Nas primeiras semanas, no entanto, será aconselhável alguma redução nas gorduras. Peça uma orientação dietética (dietista ou nutricionista) para este efeito.

Também lhe poderão solicitar que diminua a quantidade de sal na alimentação. Isto podê-lo-á obrigar a deixar de adicionar sal à comida.

O stress pode abrandar o processo de cura e originar doenças posteriormente. Dado que é difícil evitar o stress, aprenda a controlá-lo.

Aprenda novas formas de relaxamento (respirar profundamente, relaxar os músculos, meditação ou treino de biofeedback). Desabafe com alguém.

Contacte o seu médico se:

Voltar a ter dores abdominais (barriga) fortes, vómitos, inchaço, gases no abdómen ou dores musculares.
Continuar a perder peso sem razão aparente.
A pele ou a parte branca dos olhos começar a apresentar uma coloração amarela.

Procure imediatamente ajuda se:

Tiver arrepios acompanhados de estremecimentos ou febre acima dos 38ºC.

Riscos e Complicações da pancreatite aguda

A pancreatite aguda pode evoluir para uma necrose pancreática, com destruição do pâncreas, o que é uma situação muito grave.

A destruição do pâncreas leva ao aparecimento de diabetes, sendo necessário tratamento com insulina. Ainda na fase aguda, podem surgir derrames no tórax ou infecções no abdómen (junto ao pâncreas ou nas vias biliares).

As formas graves de pancreatite aguda podem levar a uma insuficiência renal (necessitando hemodiálise) ou a insuficiência respiratória (necessitando de ventilação assistida).

Na evolução da pancreatite, após passar a fase aguda, podem surgir quistos pancreáticos, pelo que se deve realizar controlo com ecografia ou TAC.

Se a causa da pancreatite foi a litíase (pedras) biliar, é importante que esta seja tratada por um cirurgião, caso contrário surgirão novos episódios de pancreatite aguda.

Se a causa foi o alcoolismo e se já houve episódios repetidos de pancreatite aguda, pode desenvolver-se uma pancreatite crónica, com dores persistentes e perda progressiva da função do pâncreas.

Tratamento

Uma pancreatite aguda obriga a internamento hospitalar, para vigilância e tratamento, pois é uma situação que rapidamente se pode tornar muito grave.

Em alguns casos, o internamento deve ser feito logo numa unidade de cuidados intensivos.

Análises – Para o diagnóstico e para avaliar a evolução poderá ser necessário fazer (e repetir ) análises ao sangue e à urina.

Sonda naso-gástrica – É um tubo fino, de plástico, colocado pelo nariz até ao estômago.

Na fase inicial da doença, fica ligado a um aparelho de aspiração, para impedir a acumulação de gases no estômago e para reduzir os vómitos.

Em alguns casos pode servir, já noutra fase, para alimentação.

Oxímetro de pulso – Este aparelho indica-lhe a quantidade de oxigénio que tem no sangue.

Um fio unido a uma pinça ou a uma fita adesiva é colocado na orelha ou num dedo da mão ou do pé, estando a extremidade oposta ligada a uma máquina. Os médicos utilizam esta máquina para ver se precisa de mais oxigénio.

Soros – Nos primeiros dias da doença, é provável que não possa tomar alimentos. Nesse caso, é-lhe colocado uma agulha numa veia do braço para serem administrados soros e medicamentos.

Em casos de evolução mais arrastada, pode ser preciso realizar uma alimentação completa através do soro (alimentação parentérica) durante vários dias. O soro é introduzido por um tubo (catéter) colocado numa veia do pescoço.

Medicamentos

Antibióticos: Poder-lhe-ão receitar estes medicamentos para o ajudar a combater as infecções que podem estar a complicar a pancreatite. Geralmente, são de administração injectável, no soro.

Analgésicos: Os médicos poder-lhe-ão receitar medicamentos para eliminar ou diminuir as dores. Estes medicamentos podem ser de administração injectável ou oral. Informe os médicos se as dores persistirem ou voltarem.

Dieta – Ao fim de poucos dias, se a dor e os vómitos passarem, como sucede quase sempre, pode começar a alimentar-se, passando gradualmente de líquidos para uma dieta de consistência normal, embora com redução de gorduras.

Cirurgia – Poderá necessitar de se submeter a uma intervenção cirúrgica para remover o cálculo biliar, se este estiver na origem da pancreatite, ou para drenar e tratar abcessos relacionados com a pancreatite.

Mais tarde, já fora da fase aguda, o cirurgião pode ter que tratar quistos que possam ter resultado da pancreatite.

Informação para profissionais de saúde e estudantes de medicina:

Pancreatite aguda – causas, sintomas e caracteristicas do diagnóstico

– Antecedentes de consumo excessivo de álcool ou litíase biliar.
– Início abrupto de dor epigástrica, que frequentemente se irradia para o dorso; náuseas, vômitos, febre baixa e desidratação.
– Dor abdominal à palpação, distensão.
– Leucocitose, elevação dos níveis séricos e urinários de amilase e dos níveis séricos de lipase; hipocalcemia e hemoconcentração nos casos graves; a hipertrigliceridemia (> 1.000 mg/dl) pode estar implicada na etiologia, assim como a hipercalcemia.
– Pode-se observar uma “alça sentinela” nas radiografias simples de abdome, indicando íleo paralítico localizado.
– TC para pacientes altamente sintomáticos ou com suspeita de abscessos.

Diagnóstico diferencial

. colecistite ou colangite aguda
. úlcera duodenal penetrante ou perfurada
. infarto mesentérico
. gastrite
. nefrolitíase
. aneurisma aórtico abdominal
. obstrução do intestino delgado

Tratamento

– Aspiração nasogástrica para náuseas ou íleo paralítico, reposição hidreletrolítica intravenosa imediata, analgésicos e antieméticos.
– Nutrição enteral precoce, por via oral ou sonda nasogástrica jejunal, se o paciente tolerar; do contrário, nutrição parenteral.
– Antibióticos (p. ex., imipeném) para infecção documentada ou evidências de pancreatite necrosante na TC; suspender os fármacos capazes de causar a doença, por exemplo, tiazidas, corticosteróides.
– Desbridamento cirúrgico agressivo para a necrose pancreática estéril, que não apresenta melhora clínica com medidas conservadoras ou para necrose pancreática infectada.
– Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica precoce com esfincterotomia para a pancreatite associada a icterícia e colangite devido à coledocolitíase.

Dica

Na pancreatite “idiopática” deve-se ouvir a história de uma outra pessoa além do paciente; em muitos casos, o álcool está implicado.

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Esta matéria tem 10 Comentários
  1. FLAVIA APARECIDA ALKMIM DOS REIS FLAVIA Reply

    boa tarde gostaria de saber o que pode acontecer com meu marido que o pancrea dele estava 770 com o tratamento abaixou mais o figado subiu isto tem mais o menos 15 dias ele esta em tratamento ainda mais ja bebel

  2. Bruno Reply

    Olá, estive internado durante 8 dias no Hospital Santa Paula, onde tive que ficar em jejum sem comer e beber devido ao pâncreas.
    Hoje completo 1 mês e 1 semana que estive internado, entretanto ainda sinto um pouco de dores do lado esquerdo da barriga, embaixo da costela, onde sentia quando estive internado. As vezes ela vem e desaparece, entretanto isso me incomoda.
    Fiz todos os exames possíveis, como por exemplo: Ressonância, tomografia, e a única coisa que apresenta foi a pancreatite aguda.
    Estou acompanhando com gastro verificar minha atual situação. Hoje só posso comer 3 vezes ao dia, ou seja, café, almoço e janta. Alimentos extremamente leves como por exemplo: Arroz integral, filé de frango sem óleo, salada e legumes. Essa é a minha alimentação atual e torce para poder comer como antigamente. Não posso comer doce durante um bom tempo. Sempre tive uma alimentação balanceada,mas tenho o metabolismo rápido e estou cada vez mais perdendo peso.

    Quero deixar registrado para ir acompanhando meu caso, e quem sabe alguém que tenha passa a mesma situação que a minha.

    Abraços.

  3. Fabianne Reply

    olá., sou Fabianne., tenho 25 anos., sofri um acidente de carro, há quatros anos atrás., desde então tenho tido., episódios de dores fortes na barriga do lado direito., pode ser pancreatite? E tem possibilidade de ter alguma ligação com o acidente que sofri?….. bjs e obrigado!!!!

  4. daniela Reply

    Ooi. Meu irmão teve pancreatite por causa de.bebidas ficou enternado no emergência e agora voltou a beber e directo Ele tem muita dor não consegue comer mas não para de beber o que pode acontecer Com ele

  5. TEREZA Reply

    Tive Pancreatite a menos de um mes por pedra na visicula estou aguardando para cirurgia, mas estou tendo dores e enjoos eu posso voltar a ter pancreatite novamente?

  6. Lucélia da silva santos santana Reply

    Ola! tive pancreatite aguda a quase um mês, hoje tive fortes dores abdominais.O que fazer? tem como tratar em casa?
    preciso voltar ao medico? A dor é chata mais suportável por enquanto.

  7. walmir Reply

    Boa tarde!
    Tive pancreatite por por pedra que soltou da visicula, tireu as pedra do canal e retirei a visucula, e agora quando vou ao banheiro dar diarreio, e tem dia que nem vou ao banheiro, mas quando vou da diarreio.

    Operei faz 18 dias.

    Pergunto essa diarreia vai durar quanto tempo se por cauxa da pancreatite ou da visicula.

    Quando vou poder beber cerveja de novo , quantos dias posso tomar uma?

  8. tania oliveira Reply

    ola, tenho 28 anos à +- 2 anos retireia a visicula mas uma pedra hoje com 1 cm apareceu dando muitas dores e consecutivamente enternamentos etc, sao colicas terriveis, vou ter que fazer uma nova cirurgia, meu medo é a demora dos exames, tenho medo de me dar uma pancreatite ja que ela esta no canal bem proximo. é isso entao ate ++++++++++++++++

  9. Carol Reply

    Olá Ruben! Tenho 25 anos e sofro do mesmo mal desde 8 anos de idade. Fiquei 10 anos sem ter crises mas, há 20 dias, ela voltou e fui internada novamente. Como minha pancreatite foi diagnosticada como idiopática, aparantemente não há o que fazer. A última sugestão que me fizeram foi um exame genético, que ainda não realizei…

  10. Ruben Reply

    Olá sou o Ruben, tenho 18 anos, sofro de pancreatite aguda há 8 anos, aparece mais ou menos de 4 em 4 meses e a dor abdominal tem duração de 4 a 6 dias, ja fui entrenado 3 vezes (fizeram me aquilo do tubo pelo nariz até ao estomago, etc) mas há anos para cá que já nao opto por ir ao hospital, aguento a dor em casa sem comer quase nada e passado 5 ou 6 dias volto à minha vida, será que isto nunca vai passar? gostava que houvesse uma cura para isto.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 2:25 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)