Pegada da Humanidade

Cada ser vivo necessita de uma quantidade mínima de espaço natural produtivo para sobreviver. Os humanos, neste e noutros aspectos, são semelhantes às outras espécies. Na verdade, a nossa sobrevivência depende da existência de alimentos, de uma fonte constante de energia, da capacidade de os vários resíduos que produzimos serem absorvidos e, assim, deixarem de constituir uma ameaça, bem como da disponibilidade de matérias-primas para os processos produtivos. Contudo, o consumo tem aumentado significativamente, bem como a população mundial, pelo que o espaço físico terrestre pode não ser suficiente para nos sustentar.

Figura 1 – Crescimento da Pegada Ecológica Mundial entre 1961 e 1997.

Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida que ainda hoje existem teremos que viver de acordo com a capacidade de carga do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que fornecesse… Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é, portanto, essencial, pois só assim somos capazes avaliar se vivemos de forma sustentável. Isto não significa, claro, que se possa consumir e gastar mais ainda há capacidade disponível: pelo contrário, se queremos deixar espaço para as outras espécies e para os habitantes futuros, há que lhes reservar o máximo de espaço.

Em todo o caso a taxa de consumo de “capital natural” já é superior à sua taxa de reposição, pelo que não há qualquer desculpa para continuar com práticas agressivas do ambiente. E foi assim que nasceu o conceito de “Pegada Ecológica”. Criada por William Rees e Mathis Wackernagel (que se basearam no conceito de “capacidade de carga” e noutros como o “emergy” e o “MIPS”), a Pegada Ecológica permite calcular a área de terreno produtivo necessária para sustentar o nosso estilo de vida.

Foram escolhidas várias categorias de terrenos (agrícola, pastagens, oceanos, floresta, energia fóssil e construídos) e de consumo (alimentação, habitação, energia, bens de consumo, transportes, etc.). Um clamoroso exemplo deste consumo desmedido são os E.U.A, cada americano tem uma pegada ecológica de 9,5 hectares por habitante, enquanto o Bangladesh é de 0,5 hectares, se todos os habitantes do planeta tivessem a pegada ecológica dos Americanos seriam necessários 3 planetas Terra para sustentar este nível de vida.

Figura 2 - Pegada Ecológica por região, em 1996

Perante este negro cenário, corremos sérios riscos da “Pegada da Humanidade” esmagar a terra que a sustenta. Assistimos diáriamente e em directo a este declínio, mas como vivemos no nosso “cantinho da ignorância” não nos apercebemos do quão importante e urgente é este. Esta falta de informação por vezes não é culpa do cidadão comum, deve-se também aos nossos governantes ignorantes na matéria, ocupando cargos do foro ambiental sem terem formação na área em questão, tratam dos assuntos ambientais de uma forma desleixada e inapropriada, não têm sensibilidade para tratar destes problemas, que merecem a maior delicadeza possível, mas enfim, é a nossa realidade nua e crua.

Resta-nos enquanto cidadãos estarmos atentos e informados, perante esta situação, adoptarmos uma atitude de mudança e de esperança de um futuro ambientalmente mais promissor.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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