Peidar Toda Hora Faz Bem ou Mal? Excesso de gases pode indicar disfunções intestinais graves

Publicado por Equipe Editorial a 3 de março de 2018 - Atualizado em 1 outubro 2018

Certamente, você não conhece ninguém que não arrote ou solte um peido ao longo do dia. Apesar de embaraçosos, esses gases fedorentos provêm de processos naturais que ocorrem em nosso metabolismo.

Não liberá-los – seja por meio de arrotos ou flatos – pode colocar a sua saúde em risco. Afinal, o equilíbrio do organismo é alterado. Dores, inchaços e incômodos frequentes podem ser um alerta para você procurar um médico!

Peidar Toda Hora Faz Bem Ou Mal

O cheiro do peido pode significar alguma doença?

O cheiro dos gases depende dos alimentos que você come e é o resultado dos gases produzidos no intestino delgado e no cólon durante a digestão. Um cheiro fedorento não significa nada nem nenhuma doença por si só, exceto pelo possível constrangimento em sair em um momento menos oportuno.

O consenso é que as proteínas animais, como os ovos ou a carne, causam mais gases com mau cheiro, enquanto a fibra solúvel (como a encontrada nas frutas e vegetais) pode causar gás, mas não cheira mal.

De quais elementos são compostos os gases intestinais?

Ao falar, alimentar-se e realizar atividades metabólicas, é comum o nosso corpo liberar e absorver gases. Quase que integralmente, os peidos e os arrotos são compostos de gás carbônico, metano, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio.

Porém, esses gases não são os grandes vilões da história. Ao contrário do que se imagina, eles não apresentam cheiro.

Os grandes vilões, na verdade, são os alimentos que contém alta concentração de enxofre – mais especificamente, o sulfeto de hidrogênio, que é liberado após reações químicas nas quais esses mesmos alimentos são quebrados.

Como os gases são liberados para o ambiente?

Imaginemos que o nosso corpo é um motor. Um motor funciona a partir da combustão entre o combustível e o comburente. Com o nosso corpo não poderia ser diferente, pois há uma reação com reagentes de um lado e produtos do outro.

Ao ingerir um alimento, seus componentes precisam ser degradados para fornecer energia ao indivíduo. Carboidratos se transformam em açúcares simples. Proteínas se transformam em aminoácidos.

Lipídios se transformam em ácidos graxos. O que não apresenta mais serventia é descartado. Os gases podem ser liberados da seguinte forma:

Através do arroto: os movimentos que fazemos ao mastigar e falar propiciam a entrada de gases no nosso organismo – mais especificamente, o oxigênio. Grande parte dos gases presentes no corpo são expelidos através da boca, por eructação (arroto).

Através dos flatos: as bactérias que contribuem para a flora intestinal, ao degradarem os alimentos, liberam gases como metabolitos. A produção de flatos, além de depender do próprio processo de digestão em si, está ligada à motilidade intestinal.

Entretanto, existem algumas causas que potencializam a produção de peidos e impossibilitam sua saída. São elas:

  • Fumar
  • Mastigar pouco
  • Mascar chicletes
  • Comer muito rápido
  • Não praticar exercícios físicos
  • Falar muito durante as refeições
  • Ser submetido a cirurgias frequentes no trato digestório
  • Uso de antibióticos e outros medicamentos
  • Dietas ricas em carboidratos, lipídios e enxofre

Pessoas que apresentam certos distúrbios também estão propensas a sofrer com o excesso de gases. Os distúrbios são:

  • Ansiedade
  • Diverticulite
  • Doença celíaca
  • Prisão de ventre
  • Gastroenterite aguda
  • Intolerância a lactose
  • Insuficiência pancreática
  • Neoplasias no trato digestório
  • Síndrome do intestino irritável
  • Supercrescimento bacteriano intestinal
  • Parasitoses – particularmente a giardíase

Quando o excesso de gases no corpo começa a ser preocupante?

Em grande parte dos casos, o excesso de gases por si só não indica problemas sérios nem doenças. Porém, acompanhados de fortes dores, inchaços e incômodos, denotam que sua saúde não está em perfeitas condições.

Se você está desconfiado, fique atento aos seguintes sintomas:

Excesso de arrotos acompanhados de desconforto

Após as refeições, é comum arrotar. O estômago libera gases, que precisam ser expelidos. Contudo, arrotos frequentes seguidos de uma sensação de desconforto e empachamento demonstram que há mais gases que o normal dentro do corpo.

Os arrotos crônicos podem mascarar um quadro de úlcera péptica ou, até mesmo, de refluxo gastroesofágico.

Peidar a toda hora, acompanhado de dores persistentes e desconfortos abdominais

Estima-se que uma pessoa solta, em média, de 10 a 20 flatos por dia. Como o próprio nome já diz, o excesso de flatos é um acréscimo a esse número.

Mas a situação começa a se agravar quando a presença de dores e inchaços se tornam contínuas.

Com o acúmulo de gases ao longo do intestino, a saída para o ânus fica totalmente obstruída. Dessa forma, ocorre um acúmulo de gás na parte interna do corpo e uma diminuição do volume expelido.

Para comportar os gases, o intestino sê vê obrigado a dilatar suas paredes.

A partir disso, não é difícil entender por que ficamos inchados e sentimos dores. Trata-se de um quadro de distensão abdominal.

Apesar de parecer simples, um quadro de distensão abdominal pode desencadear outras doenças – ou delatá-las.

É o caso da doença de Crohn, da síndrome do intestino irritável e do próprio câncer de cólon.

Em situações mais delicadas, a contenção do peido pode culminar na ‘’explosão’’ do cólon – ou, melhor dizendo, em um rompimento intestinal.

Como é feito o diagnóstico e tratamento?

Ao se deparar com esses sintomas, o recomendável é que a pessoa passe por uma avaliação com um especialista – o gastroenterologista.

Em um primeiro momento, o médico fará perguntas sobre seus hábitos alimentares e o seu estilo de vida.

Além do mais, cabe ao paciente apontar seu histórico médico e o de sua família. Isso fará com que o médico tenha mais precisão ao indicar os possíveis exames e tratamentos a serem feitos.

Normalmente, os exames sugeridos são laboratoriais e de imagem. Os laboratoriais consistem em identificar se o paciente é portador da doença celíaca, de parasitoses ou intolerante a lactose.

Já a sigmoidoscopia, endoscopia e colonoscopia são os exames de imagem que costumam proporcionar resultados mais consistentes.

Após o resultado, o médico avaliará qual o melhor tratamento a ser seguido. Caso a pessoa apresente problemas relacionados à dieta — o que é mais comum — , ela deverá evitar o consumo dos alimentos que propiciam o excesso de gases. Alguns deles são:

  • Abacate
  • Ameixa
  • Alcachofra
  • Batata doce
  • Beterraba
  • Banana
  • Brócolis
  • Carne de porco
  • Cenoura
  • Café
  • Chocolates
  • Couves
  • Feijão
  • Grão de bico
  • Gaseificados
  • Lentilha
  • Melancia
  • Ovos
  • Repolho

Se o paciente apresentar deficiência na produção de lactase – ou seja, intolerância a lactose – o consumo de leite e derivados deverá ser restrito ou suspenso.

Algumas coisas que pode fazer para reduzir a  flatulência:

  • Parar de fumar.
  • Introduza lentamente fibras mais insolúveis na sua dieta (pense no farelo e cascas vegetais comestíveis).
  • Limite o consumo de carboidratos, como macarrão ou milho.
  • Beba muita água fresca diariamente.
  • Não use palhas quando bebe.
  • Evite as bebidas carbonatadas (com gás).
  • Pratique Exercício físico diário (se for seguro).
  • Pare de mascar chiclete.
  • Desacelere e aproveite cada refeição.

Os Medicamentos também podem ajudar a atenuar dores e desconfortos. Na maioria dos casos, são prescritos ao paciente: Simeticona, Dimeticona, Almeida Prado 46, Finocarbo, Colimil e pastilhas de carvão ativado.

Já em outras circunstâncias, para pessoas que manifestam supercrescimento bacteriano intestinal, é indicado o uso de antibióticos. Deve-se ter cuidado ao usá-los, pois o excesso pode afetar seriamente a microbiota intestinal.

Em quadros mais complexos, é indispensável haver acompanhamento médico de forma periódica.

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