Pequenos porquinhos na engorda

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018 - Publicado a 23 de junho de 2010

Pequenos porquinhos na engorda

De uma forma linear, toda a gente sabe que a comida de restaurantes fast-food, os doces e os refrigerantes que damos a comer às nossas crianças lhes “fazem mal”. Mas, se é assim, porque continuamos a fazê-lo? Porque continuamos a comprar os rebuçados e os refrigerantes, as batatas fritas e chocolates como se fossem um bem essencial? Há quem diga que os pais resolvem os remorsos da falta de tempo para dedicar aos filhos oferecendo-lhes rebuçados e chocolates. É como se o sorriso de contentamento das crianças quando têm nas mãos aquela guloseima que viram anunciar na televisão comprasse o seu afecto… Pessoalmente, não concordo na totalidade com este ponto de vista, mas concordo com quem diz que estamos a transformar as nossas crianças em porquinhos. Pequenos porquinhos na engorda.

A alimentação de muitas crianças pode comparar-se à de animais em engorda: rica em alimentos muito calóricos, fáceis de obter e com custo reduzido. Pensem se os alimentos referidos acima não se enquadram nesta descrição…

Muitas vezes, os pais atribuem as culpas para o consumo destes produtos por parte dos seus filhos a influências externas ao núcleo familiar: aos amigos, ao bufete da escola, aos avós que “enchem o miúdo de doces”… Não podemos negar o poder das pressões externas, como a publicidade sedutora ou a interacção com consumidores inconscientes, que levam a consumir estes produtos, mas é preciso que os pais não esqueçam o seu papel de educadores. Um bom educador deve ter a capacidade de limitar o consumo dos produtos que refiro. Uma vez por outra, uma alteração a um regime saudável é tolerada, especialmente nas crianças, mas é necessário que essa “vez por outra” não passe disso mesmo.

Paralelamente a estes hábitos alimentares, um número cada vez maior de crianças passa a maior parte do seu tempo em actividades que são pouco exigentes fisicamente. Os jogos de computador substituíram o saltar à corda e a televisão o brincar à apanhada… Percebo que num meio urbano a falta de espaços verdes ou a questão da criminalidade limitem o exercício físico das crianças a actividades seleccionadas, com horários programados e despesas que nem todos podem suportar (a natação, a ginástica, as artes marciais…), mas é necessário arrancar as crianças do sofá! E para o fazer, nada melhor que o exemplo dos mais velhos. A prevenção da obesidade e a promoção de uma alimentação adequada nas crianças deve ser feita o mais cedo possível e através de exemplos correctos, tais como: Fazer exercício, pelo menos ao fim de semana, substituir os refrigerantes por água, guardar os doces apenas para as ocasiões festivas.

Um bom pai não quer ver o seu filho imóvel no sofá, a desviar os olhos da televisão apenas o suficiente para encontrar o pacote de batatas fritas que está ao alcance da mão. Um bom educador não quer ver as suas crianças transformadas em porquinhos na engorda.