Plásticas

Poderá parecer inoportuno, fútil ou gasto inútil de papel falar de rugas; mas nem tanto. E dá para arejar!

As plásticas, sempre as associei a uma mentalidade frívola e vazia que muda de nariz conforme a moda. Mas de súbito, ao rever-me na idade dos outros, comecei a olhar serenamente e com outros olhos os milagres da cirurgia estética «comedida e inteligente». Ou seja, tudo o que ameace a saúde mental _ se ameaçar _ pode e deve ser reparado. E no meio-termo mais uma vez parece estar a virtude.

Não falo obviamente de um olho estrábico, de uma orelha de abano ou de um nariz retorcido (provavelmente mais convincente que um nariz virado ao céu). Falo ostensivamente de rugas. E de idade.

É bonito saber envelhecer. Será. Mas nem sempre isso acontece; e, na maioria das vezes, a idade é uma afronta frente ao espelho. Lá que as rugas são o passado cravado em sulcos, disso não temos dúvidas. Mas em nada contribuem para o nosso défice de auto-estima.

Vejamos, a maioria das mulheres pinta o cabelo; ao invés dos homens enaltecidos pelo charme dos seus cabelos brancos. Por sua vez, a juventude herculeamente plastificada é, de tal forma idolatrada, que o factor idade mais do que um entrave é um insulto. Por conseguinte, cada um cuide de si!

Não falo de obsessões. Daquelas mulheres, que as há, que se operam por dá cá aquela palha e que mais parecem múmias paralíticas; e, que já nem sequer têm olhos, nem expressão e vivem aterrorizadas com os estragos dum sorriso, dum raio de sol, duma lágrima ou de qualquer ruga expectante ou subjacente. Isso já não é estética, é perturbação.

Quem gosta de envelhecer? Ninguém! É uma espiga. Quanto às plásticas e à perda de «identidade», o facto é que mudamos de imagem( segundo os entendidos) de sete em sete anos, muitas vezes ao ponto de ficarmos irreconhecíveis. Aquela de: «Estás igual há vinte anos atrás!» É duvidosa.

Ora, se tudo se altera em nós, inclusive as ideias, porquê tantos pruridos na melhoria da imagem, se a dita identidade já não nos pertence por inteiro?

Mas falando em casos concretos, constato na maioria das mulheres, uma inconfessada mágoa face ao envelhecimento. Uma delas, nada mundana, ao olhar o espelho disse-me num misto de humor e raiva: «Tenho a cara toda plissada!» .Outra, igualmente inteligente e na casa já dos oitenta, comentava: «Tenho horror a plásticas! mas desgosta-me o meu pescoço enrugado; se fosse mais nova dava um jeito nisto». E alisava _ o com a mão, como se nesse gesto se produzisse o milagre.

À maioria das mulheres falta-lhes coragem e sobra-lhes preconceito. Temem intervenções e badalações. (Ninguém gosta de ser velho, e muito menos de o proclamar). Por isso, cada qual sabe «as linhas com que se cose!»

Haja é bom senso e… liberdade!

E se um dia se afoitarem e prescindirem de papadas caninas, borrifem-se e sejam felizes! Desde que vos não «plastifiquem o sorriso e a alma» e não vos passem a cara a ferro, mulheres, ponham-se belas! Para vocês mesmas. E vão ver que a vida e o mundo vos sorri docemente; e os homens (já agora) não tenham dúvidas! também.

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Faça uma Pergunta ou Comentário
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Última atualização da página: 13/01/2018 às 3:08 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)