Pólo da UTAD concluiu Ciclo de Conferências: Muitas contradições na actual política de turismo - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Pólo da UTAD concluiu Ciclo de Conferências: Muitas contradições na actual política de turismo

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Pólo da UTAD concluiu Ciclo de Conferências: Muitas contradições na actual política de turismo

Teve lugar, no passado dia 26 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal em Chaves, a quinta e última conferência do ciclo “TURCHAVES, que turismo(s) para o século XXI?”, organizado pelo Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e pela licenciatura em Turismo do pólo da UTAD em Chaves. Esta conferência foi proferida por Rubén Camilo Lois González, antigo Director Geral da Secretaria-geral de Turismo da Galiza e, actualmente, professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, que desenvolveu a sua palestra em torno da pergunta “Pode existir o turismo sem as políticas?”
O académico Rubén Lois está perfeitamente posicionado para fazer uma análise crítica/científica/objectiva da sua experiência como responsável pelo desenho da política turística da Galiza entre 2005 e 2009. Foi o que fez na sua bem assistida palestra, ao longo da qual apontou inúmeras contradições que caracterizam o mundo actual da política do turismo.
Começou por dizer que o turismo, embora tente incentivar massas, promove, cada vez mais e de forma mais explícita, experiências únicas; algo que é feito através de imagens idealizadas do destino que, ao longo das últimas décadas, quase não mudaram. Como exemplo utilizou as Canárias, que continuam a ser vendidas como destino de sol e praia com imagens correspondentes óbvias. Concluindo de forma cínica, que na área do turismo as campanhas promocionais acabam por ser bastante conservadoras, apesar de todo o aparato em redor tentar transmitir o oposto. Alertou também para o facto que a criação de uma imagem de um certo país (ou região) não apenas serve para “puxar” turistas a deslocar-se, mas que a mesma imagem deve ser capaz de atrair investimentos estrangeiros noutros sectores. Através de uma imagem de vinhedos ilustrou que, hoje, as paisagens têm um valor acrescido por serem cada vez mais promovidas como se fossem “denominações de origem”.
A legislação foi outra contradição que assinalou: os países do sul da Europa costumam produzir muito mais textos reguladores que os do norte. Os primeiros, a seguir, orgulham-se da existência de um quadro legislativo forte, enquanto não criam os meios para controlar o cumprimento das leis que estipulam e, assim, acabam por constatar uma forte desobediência ao que é ditado de cima para baixo.
Quando analisa a relação entre as acções do Estado e os desejos do sector privado, constata outra contradição: o Estado costuma exceder na formulação e produção de regulamentos (muitas das vezes para garantir a qualidade e proteger os interesses do consumidor) por ser uma tarefa mais facilmente quantificável, enquanto o Privado têm todo o interesse em menos “ordenação” e mais “promoção”, algo que nem sempre exprime claramente por se encontrar numa situação de dependência, numa relação clientelar.
Detectou mais uma contradição a nível de escala. Reflectindo sobre o facto que o turismo, hoje, é uma actividade global, o que implica que todos os destinos competem com todos, constatou que, muitas vezes, a promoção e a definição de políticas turísticas são mais eficientes a escalas inferiores. Referiu que a Organização Mundial de Turismo se limita a produzir estatísticas e a fornecer exemplos de boas práticas e que a União Europeia ainda não defende uma política de turismo comum, enquanto as verdadeiras acções são levadas a cabo a nível do país/da região/da cidade que se quer destacar.
Mais em particular, relativamente à política (por exemplo a nível de uma região) perante os destinos turísticos (por exemplo a nível de cidades), sublinhou outra contradição: é preciso encontrar um equilíbrio entre os interesses de destinos maduros, já bem conhecidos e que pretendem manter altos números de visitantes, e os interesses de novos territórios que se querem distinguir no mapa.
Está prevista a organização de um segundo ciclo TURCHAVES na primavera de 2011, pelo qual se conta de novo com o apoio da Câmara Municipal de Chaves e da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia).

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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