Primeiro Encontro de Saúde Mental Mylan - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Primeiro Encontro de Saúde Mental Mylan

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Mylan promove formação pós-graduada em Saúde Mental 

Novas formas de abordar a doença

As relações da criatividade e do cancro com a  depressão foram duas temáticas abordadas no primeiro Encontro de Saúde Mental Mylan. Este contou com a participação de oradores nacionais e  internacionais e com uma plateia atenta a ouvir duas experiências novas no tratamento e abordagem das doenças mentais: A estimulação magnética e um programa de rádio.

A Mylan organizou o primeiro encontro de Saúde Mental com o objectivo de proporcionar momentos de formação pós-graduada a perto de uma centena de médicos.

No passado dia 17 de Abril, em Lisboa, decorreu a primeira edição dos Encontros de Saúde Mental Mylan. A farmacêutica especialista em medicamentos genéricos, com experiência na área da Psiquiatria e Neurologia, aposta na formação pós-graduada dos médicos. “Esta é uma iniciativa intrínseca à própria companhia, que quer estar sempre ao lado do médico, no sentido de proporcionar momentos de formação pós-graduada de grande qualidade”, afirmou o director-geral da Mylan, João Félix.

O encontro lançou a discussão em torno de temas como “o cancro na criança e no adolescente – a visão de um psiquiatra”, “a criatividade e a doença mental” e “a experiência da rádio dando voz à doença mental”. No futuro, a Mylan prevê a continuação destas reuniões formativas mas, sublinha João Félix, “o objectivo é continuar para fazer sempre mais e melhor”.
“Se é para fazermos mais do mesmo não fazemos”, diz o responsável, que acrescenta: “a continuidade desta iniciativa ajuda a consolidar a imagem que queremos passar da Mylan: não só empresa de qualidade, mas também de apoio continuado à formação pós-graduada”.

O que condiciona a criatividade

“A criatividade é um processo mental relacionado com novas ideias e conceitos”.
Foi deste modo que o director da Ar-razi University Psychiatric Hospital, em Marrocos, Jallal Toufiq, definiu a criatividade.
Na sua intervenção, intitulada “criatividade e a doença mental”, atribuiu algumas causas à existência de criatividade no ser humano, tais como “intervenção de Deus, processo cognitivo puro, ambiente social, personalidade, genética e, o mais relevante de todos, distúrbios mentais”.

O especialista referiu um estudo de Nancy Andreasen, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos da América, no qual foi avaliado o comportamento de 30 escritores e se concluiu que 80 por cento tinham, pelo menos, um episódio de depressão hipomaníaca ou maníaca. Jallal Toufiq disse ainda que “muitos estudos mostram que a prevalência de depressão bipolar em pessoas criativas é maior do que na generalidade da população”. Apesar destas referências, o psiquiatra conclui que não há provas efectivas da ligação entre a criatividade e as doenças mentais.

Rádio dá voz à doença mental

De Espanha, precisamente de Palma de Maiorca, veio a psiquiatra Alicia González. A especialista partilhou com a audiência uma iniciativa que empreende no âmbito do programa de reabilitação psiquiátrica e psicossocial da Gestão Sanitária de Maiorca (Gesma). “Rádio Taronja… dá voz à saúde mental das ilhas Baleares” é o nome de um programa de rádio feito por doentes mentais.
“Temos uma linha de trabalho que é partilhar experiências para que a doença mental não tenha os estigmas que até agora tem. São, muitas vezes, patologias desconhecidas e relativamente às quais se tem uma série de tabus”, contou Alicia González à SM, à margem do encontro. “Com este programa de rádio queremos aproximar a voz dos doentes dos outros cidadãos.

Este programa está baseado em experiências prévias, nomeadamente na Argentina e em Barcelona”, acrescentou. Durante 45 a 60 minutos, os doentes mentais falam de temas quotidianos “tentando mostrar que, apesar da doença, são pessoas com as mesmas motivações e direitos”. Os doentes são acompanhados por um profissional médico, podendo participar quer doentes quer utentes a fazer programas de centro de dia.

A também coordenadora de reabilitação do Gesma diz ainda que “os temas estão mais centrados nas consequências que a doença pode ter na vida quotidiana do que na patologia em si”. O programa está no ar desde Outubro. “Os ouvintes têm mostrado interesse em conhecer um ponto de vista que para eles era desconhecido. Muitas vezes ficam surpreendidos com a criatividade, a motivação e o sentido de humor dos doentes”, termina a psiquiatra.

Estimulação magnética transcraneal

A estimulação magnetica transcraneal da depressão é uma técnica utilizada diariamente em países como os Estados Unidos da América e o Canadá. Na Europa, contudo, é ainda uma ferramenta usada apenas em investigação. Para falar da estimulação magnética esteve presente um psiquiatra do Hospital Son Llatzer, de Palma de Maiorca. Mauro Garcia Toro explicou o processo: “É uma técnica que consiste em aplicar campos magnéticos intensos, capazes de atravessar o osso do crânio, na superfície da cabeça, para modificar a actividade cerebral. O que se pretende é modificar algumas depressões graves e persistentes, que não responderam à terapêutica normal, tais como medicamentos e psicoterapia”.

O especialista adianta que os resultados têm sido modestos, mas que, de um modo geral, este processo pode ser indicado para os casos de não adesão ao tratamento convencional.
De referir que depressões mais graves, como as psicóticas, “respondem mal a este exame”, esclarece Mauro Garcia Toro.

CANCRO, INFÂNCIA E MORTE

O coordenador do encontro da Mylan, José Matos, falou sobre a morte nas crianças e adolescentes com cancro. O psiquiatra defende que a melhor forma de a população jovem encarar a morte é transmitindo-se-lhes, desde tenra idade, que a morte é inerente à vida. “As crianças, ao longo da vida, deviam adquirir um conceito de morte mais maduro”, defende.

José Matos considera mesmo que “é importante que a criança tenha a vivência do que é um luto”. Com esta consciência, não transmitindo em larga escala a ideia de retorno associada à morte, como por exemplo relacionando-a com uma viagem, a criança poderá suportar melhor a doença, caso venha a acontecer.

Por outro lado, a boa comunicação com o doente é um meio eficaz para atenuar o medo da morte, quer no doente quer na família. A este elemento deve juntar-se a “psicoterapia individual, que contribui para a auto-estima e diminuição do sentimento de culpa”. A terminar, José Matos, também assistente graduado de Psiquiatria do Hospital dos Capuchos, afirmou que “deve dar-se liberdade à criança para que esta fale de toda a sua fantasia, sofrimento e solidão, porque só assim é possível aliviar a carga emocional”. De acordo com dados do especialista, 52 por cento dos doentes jovens com doença oncológica tem transtornos de adaptação. Ansiedade, pânico e depressão são algumas das alterações mais frequentes.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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