Principais doenças e complicações causadas pelo cigarro

Revisado por Equipe Editorial a 15 janeiro 2018 - Publicado a 13 de fevereiro de 2015

O tabagismo é um dos hábitos mais adotados ao redor do mundo, e também é um dos mais perigosos à boa saúde. Estima-se que mais de 1 bilhão de indivíduos sejam fumantes. Esse número alarmante coloca o cigarro como principal desencadeador de mortes evitáveis.

Principais doenças e complicações vinculadas ao uso do cigarro

Tornando mais clara a gravidade do problema, estatísticas mundiais apontam que, a cada dez registros de óbitos, um está diretamente vinculado ao consumo de tabaco. Isso equivale a dizer que uma pessoa morre a cada 6 segundos em decorrência de alguma doença desenvolvida devido ao uso do cigarro. Ao todo, são, aproximadamente, 6 milhões de mortes anuais provocadas pela ingestão regular do fumo.

Outro ponto estarrecedor e que comprova a tese de que o cigarro é uma arma extremamente letal advém da comparação com outras doenças de peso. Afinal, segundo os órgãos oficiais de pesquisa, o número de mortes atreladas ao tabagismo consegue ser superior àqueles ocorridos em consequência de acidentes no trânsito, câncer de mama, e até mesmo decorrentes de complicações ocasionadas pela AIDS.

Custos gerados pelo tabagismo

Além de um problema grave que afeta a saúde de milhões de pessoas, o tabagismo também provoca gastos exorbitantes. Contabilizando todo o custo mundial, são cerca de US$ 200 milhões por ano.

O custo oriundo do tratamento de fumantes em hospitais e unidades de saúde chega a ser 40% maior do que os recursos consumidos pelas pessoas que não são fumantes. Simultaneamente a isso, mesmo após sofrer várias restrições (como a proibição de vários países à veiculação de propagandas na TV) e ser obrigada a elevar assustadoramente o preço dos seus produtos, empresas ligadas ao tabagismo do porte da Philip Morris conseguem auferir margens de lucro acima das conquistadas por importantes grupos comerciais, como o Mc Donald’s, e a Nike.

No Brasil, por exemplo, o gasto com enfermidades vinculadas ao uso do cigarro gira em torno de R$ 1.500 milhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos pesquisas comprovam que, a cada dólar injetado em campanhas voltadas para diminuição do consumo de cigarro, o governo estadunidense consegue economizar US$ 50,00 do sistema público de saúde.

Por tudo isso, não é exagero afirmar que o tabagismo também provoca um imenso câncer no orçamento público que é destinado ao setor de saúde.

Os perigos ligados ao uso do cigarro

As doenças que acometem o sistema cardiovascular estão entre as causas mais frequentes de mortes vinculadas ao consumo do cigarro, seguida bem de perto pelo enfisema, bronquite crônica, e câncer de pulmão.

Pessoas que fumam regularmente e há bastante tempo sofrem uma redução próxima de 13 anos na expectativa de vida. Além disso, ao menos metade das pessoas que fumam morrerá em virtude de alguma enfermidade provocada pela ingestão do produto. Segundo dados dos Estados Unidos, naquele país cerca de 1/3 dos acidentes vasculares cerebrais, infartos do miocárdio, e outras doenças do sistema cardiovascular provém do uso assíduo do cigarro.

Ao analise um único cigarro, é possível identificar a presença de, aproximadamente, 5.000 compostos químicos, dos quais ao menos 400 são classificados como tóxicos ao corpo humano, e pouco mais de 50 possuem propriedades carcinogênicas, ou seja, responsáveis por produzir o desenvolvimento de tumores.

Dentre os compostos mais comuns e tóxicos que são inalados pelo fumante em cada cigarro estão o cadmium, arsênio, amônia, metanol, metano, alcatrão, hexamina, nicotina, e monóxido de carbono.

Principais doenças e complicações vinculadas ao uso do cigarro

Existe uma série de doenças que têm incidência muito superior sobre os fumantes. Quem fuma não está vulneral apenas à ocorrência do câncer de pulmão. Além deste tipo, as pessoas adeptas do tabagismo também estão mais expostas ao câncer de estômago, câncer de próstata, câncer de esôfago, câncer de laringe, câncer do pâncreas, câncer de cólon, câncer de colo do útero, câncer de bexiga, câncer de boca, e câncer de rim.

Aneurisma cerebral, artrite reumatoide, AVC, bromidose plantar, Alzheimer, doença de Chron, diabetes, dismenorreia, catarata, candidíase, celulite, hérnia de disco, hipertensão, hemorroidas, infarto (do miocárdio e fulminante), impotência sexual, infertilidade, incontinência urinária, insuficiência venosa, e insuficiência renal, laringite, menopausa precoce, neuropatia óptica, osteoporose, pneumotórax, psoríase, surdez, rinite alérgica, úlceras cutâneas, úlceras gástricas, gastrite, pneumonia, vaginose bacteriana, e trombose venosa profunda são outras doenças muito mais frequentes nos fumantes.

O problema do fumo passivo

Não bastassem todos os problemas acarretados a si mesmos pelos fumantes, o tabagismo também afeta as pessoas que estejam próximas à fumaça, mesmo que elas nunca tenham acendido um único cigarro em toda a vida. Devido à publicação de centenas de estudos científicos que corroboram o fumo passivo, as autoridades governamentais de todo o mundo decidiram restringir ao máximo os locais públicos onde os fumantes podem fumar livremente.

Essas pesquisas atestaram que um indivíduo exposto continuamente à fumaça do cigarro está propenso a desenvolver as mesmas doenças citadas acima. Portanto, a questão vai muito além do simples fato de grande parte das pessoas se incomodar com a presença do cigarro.

Também é verdade que a ocorrência de câncer em pessoas que não fumam é baixa. Entretanto, os riscos aumentam quando essas mesmas pessoas moram na mesma residência de um fumante. Majoritariamente, 90% das variedades de câncer atinge os próprios fumantes. Por outro lado, uma significativa parcela dos 10% que restam pertencem aos fumantes passivos.

Para exemplificar, uma pessoa que não fuma, mas vive com outra que é fumante aumenta em 20% a probabilidade de ser vítima de alguma doença cardiovascular, ou câncer, quando comparada com um indivíduo que não reside com fumantes. Além disso, pessoas que não fumam, mas convivem com fumantes apresentam uma expectativa de vida 15% inferior a de um indivíduo que não possui contato com fumantes.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, os mais jovens que sejam filhos de pais fumantes e fiquem em contato com o fumo passivo por durante 25 anos contêm duas vezes mais chances de criar um câncer nos pulmões.

Enquanto isso, os bebês que tenham sido gerados simultaneamente ao consumo de cigarro possuem o quádruplo de chances de sofrerem morte súbita. Além disso, cabe enfatizar que nestas mesmas condições o risco de má formação congênita é bem superior a uma situação na qual a gestante não tenha fumado durante a concepção do feto. Ainda sobre o período da gravidez, convém frisar que, mesmo que as mães não fumem durante a fase de gestação, caso elas entrem em contato com o fumo passivo os recém-nascidos podem apresentar um peso abaixo da média esperada.

Os benefícios de se parar de fumar

Os benefícios proporcionados às pessoas que param de fumar podem ser mensurados através do tempo decorrido a partir do último cigarro aceso.

Assim, após 72 horas o indivíduo já é capaz de notar uma sensível melhora da qualidade de respiração. 30 dias depois, a pele ganha uma aparência renovada. Do terceiro ao nono mês sem fumar, o funcionamento dos pulmões é aperfeiçoado em torno de 10%, e os problemas ligados ao sistema respiratório, como a tosse insistente, são dissipados.

Os benefícios não param por aí. Um ano após não acender nenhum cigarro, a probabilidade de infarto é reduzida por volta de 50%. Uma década depois, o risco de câncer de pulmão também é amenizado em torno de 50%. Por fim, 15 anos após parar de fumar a probabilidade de infarto se iguala a das pessoas não fumantes.

De uma maneira geral, quando o ex-fumante consegue ficar 15 anos sem se aproximar do cigarro a probabilidade de desenvolvimento de câncer é reduzida em torno de 90%. Contudo, essa taxa jamais será equivalente a de alguém que nunca tenha fumado.

É importante que se diga que não existem níveis seguros de consumo para cigarros, algo que já é bem enfatizado pelas campanhas antitabagistas existentes. Isso significa que não há um patamar no qual a concentração das substâncias contidas no cigarro seja inofensiva.

Em outras palavras, fumem um único cigarro ou dois maços diariamente, os fumantes continuam expostos a todos os riscos elencados anteriormente. O risco é permanente em todos os casos, apenas fica maior de acordo com a quantidade de cigarro ingerida.

Outro ponto que merece menção é a alternativa de não interromper completamente o fumo, mas diminuir o hábito em até 50%. Diante dessa hipótese, alguns estudiosos fizeram pesquisas para verificar se haveria algum benefício oriundo dessa queda parcial da quantidade de cigarros consumidos.

Todos os pesquisadores concluíram que a taxa de mortalidade desses fumantes permaneceu inalterada, ou seja, só consegue obter alguma vantagem quem realmente interrompe o hábito vicioso integralmente.

Como conseguir parar de fumar

Do total da população mundial adulta, 20% se declara fumante. Curiosamente, desses 20% a ampla maioria, 70%, admite que gostaria de interromper o hábito de fumar. Além disso, 40% dos fumantes confessa haver tentado parar de fumar ao menos uma vez. Infelizmente, a taxa dos que realmente conseguem largar o cigarro é inferior a 10%.

O grande problema em se tentar abandonar o vício do cigarro se deve ao fato da nicotina ser um composto psicoativo extremamente poderoso. Por essa razão, o cigarro é o elemento mais viciante do mundo.

Essa dependência física proporcionada pelo cigarro, mais precisamente pela falta de nicotina no organismo, faz fumantes assíduos apresentarem vários sintomas quando se veem impossibilitados de fumar. Dentre esses sinais de abstinência do cigarro estão a intensa vontade de fumar imediatamente, elevação do apetite, insônia, crises de ansiedade, sensação de angústia, irritabilidade constante, depressão, e dificuldade de se concentrar.

Se o objetivo for interromper o uso do cigarro de forma definitiva, no início o candidato a parar de fumar deverá se manter bem longe de bebidas alcoólicas e do café, duas substâncias que desencadeiam uma incrível e quase incontrolável vontade de acender um cigarro.

Quem decide parar de fumar deve ter ciência que, além da dependência física, o cigarro desenvolve um problema comportamental. A batalha contra o cigarro deve ocorrer nessas duas frentes. Por isso é importante se afastar não apenas do próprio cigarro, mas igualmente dos fatores que aguçam o consumo.

Em virtude disso, o uso de uma terapia psicológica deve ocorrer concomitantemente com o tratamento destinado à administração de remédios. Se o indivíduo não tiver um interesse profundo na interrupção do fumo, dificilmente a adoção de remédios (conforme os que serão exibidos na sequência) conseguirá produzir o efeito desejado. Mas, certamente, o uso desses medicamentos é essencial para largar o vício do cigarro.

Medicamentos usados em tratamentos para parar de fumar

Repondo a nicotina

A dependência de nicotina é um dos maiores obstáculos no caminho do fumante que deseja parar de fumar. Logo, no início, é vital proporcionar ao corpo algumas doses da substância. Isso é realizado através de spray nasal, goma de mascar, ou adesivos fixados na pele.

A proporção de nicotina presente nesses medicamentos é bem inferior à contida no cigarro. Assim, em vez de interromper o consumo do fumo e da nicotina ao mesmo tempo, é preferível parar de fumar, mas repor a nicotina por algum tempo.

Bupropiona

Esse é um medicamento antidepressivo reconhecidamente eficiente no que tange ao gerenciamento da dependência física de nicotina. Para conseguir a máxima eficácia no tratamento, a sugestão é para que a bupropiona seja ingerida por um período que vai de 12 a 24 semanas.

Vareniclina

Já a vareniclina interfere diretamente na recepção da nicotina efetuada pelo cérebro. É como se o mais importante órgão do corpo humano fosse induzido a acreditar que está recebendo nicotina. O período de tratamento da vareniclina é o mesmo adotado para a bupropiona.

Reações adversas dos medicamentos

Ambos os medicamentos indicados acima contêm uma série de reações adversas a serem consideradas. Além disso, também existem algumas contraindicações. Logo, os dois remédios só devem ser ingeridos mediante recomendação de um médico qualificado para isso.

Quaisquer tratamentos que envolvam remédios devem, obrigatoriamente, receber monitoramento médico a fim de que o paciente compartilhe benefícios, esclareça dúvidas, e tenha um suporte profissional apropriado durante toda a terapia.