Progetto Leonardo

Viajar numa terra estrangeira dá sempre muito entusiasmo, mas ter que viver ali pode assustar. E é mesmo o que eu provei antes de vir para Portugal. Mas “quem não viaja não conhece o valor dos homens”, diz um antigo provérbio moresco. Foi assim que decidi enfrentar esta aventura chamada “Progetto Leonardo”. Trata-se de um período de estadia num país estrangeiro para efectuar um estágio de trabalho e aprofundar ou aprender uma nova língua. A vantagem de fazer parte de uma grande família chamada Comunidade Europeia é também esta: mudar-se para um país estrangeiro, viver ali, trabalhar, tudo sem complicações, como se fosses atrás de um canto para a tua casa. Quando os limites não existem tudo se torna mais fácil e mais lindo.

E assim, entre mitos e lendas, raízes e tradições longínquas, encontrei-me em Viseu. Cidade do heróico Viriato, do genial Grão Vasco, do astuto D. Duarte, dos doces pastéis de nata, do cheiro a bacalhau em qualquer lado, da característica tuna e dos corados azulejos. Cá conheci um povo delicioso, cordial, e sempre alegre, um povo humilde no sentido mais positivo do termo. Esta é, seguramente, a lembrança do povo português que trarei no meu coração, um povo que adorei conhecer. Depois de três semanas de curso intenso de língua portuguesa, já consegui ir ao supermercado e comprar fiambre em vez de desodorizante para o ambiente. Parece uma estupidez, mas a verdade é que conseguir pedir o que queremos não é tão simples. Ao princípio também era muito frustrante. Todavia a minha casa em Viseu foi, sem dúvida, sempre muito perfumada!

O verdadeiro problema era jantar num restaurante. Quantas refeições para experimentar… Mas como percebia o que levavam?! Sabia perguntar “o que leva?”, dado que aprendi numa aula de português. Mas a resposta que se seguia àquela pergunta era incompreensível para mim. Só conseguia ouvir sons insólitos para uma italiana, como eu, e assim, acabava sempre por pedir a primeira coisa que conseguia com uma pronúncia que os empregados de mesa me percebessem… E lutei muito com esta maravilhosa língua…Ninguém pode imaginar quantos meses passaram antes de conseguir pedir um lanche, e isto porque na minha cabeça continuava a chamar-se sandeche e assim continuava a comer um simples pãozinho com fiambre e queijo em vez de provar uma das especialidades típicas de Portugal. Agora, em vez de comer um lanche, dia sim, dia não, falo bastante bem a língua de Viseu.

Sem dúvida que as coisas melhoraram depois ter começado a trabalhar, pois era obrigada a praticar a língua… E onde melhor do que numa empresa de criadores de comunicação global? A Studiobox! Aqui conheci o que se chama de “trabalho criativo”… Eu, que estudo ciências políticas, nunca pensei que pudesse conseguir usar um programa gráfico. Encontrei o que estou à procura desde há muito tempo, um trabalho que me estimulasse! Realizei logótipos, flyers, mupis… E não são assim tão péssimos! O que é realmente importante é que aprendi a transferir ideias para o papel para que a minha criatividade aparecesse, que ansiosamente esperava para vir à à luz do dia. E quem sabe, mesmo eu que estava à procura do meu caminho na vida, encontrei o trabalho que poderia ser o meu futuro!

Afinal, posso afirmar que esta experiência foi útil para mim! Sem dúvida nenhuma! Além da experiência profissional, encontrei amigos, conhecidos, uma cultura diferente, onde vivi dias inesquecíveis e vi lugares cheios de história e fascínio. Não posso negar que ao princípio não foi nada fácil. Sentia-me um peixe fora de água, pois não conhecia uma única palavra de português, a história do país… Era tudo desconhecido, e nem sequer conhecia nenhum dos meus companheiros de viagem. A solidão acompanhou-me muitas vezes, as dúvidas assaltaram a minha mente mais que uma e duas vezes, mas no final fiquei contente por ter partido para esta aventura. O meu conselho para todos aqueles que se depararam com uma situação do género mas que têm dúvidas é: tentem! Não têm nada a perder mas tudo a ganhar.

Agora eu sinto-me mais forte, mais segura de mim mesma, e mais rica… É Óbvio que este último adjectivo não é em termos económicos, mas sim em termos de enriquecimento cultural, emotivo e perceptivo. Viajar ajuda-te a conhecer o mundo e outras culturas, ajuda a conhecer-te a ti próprio e a tornar-te quem amanhã tu serás. Santo Agostinho dizia: “o mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem só uma página”. Eu comecei a folheá-lo e com entusiasmo posso dizê-lo! Há pessoas habituadas a viajar continuamente, a deslocar-se de um país para o outro, habituadas a ficar longe da sua própria casa, pessoas que sabem conviver consigo mesmas…bem eu não sou uma delas…se não me emendasse não seria uma delas. Esta experiência serviu-me para compreender que posso caminhar com as minhas pernas e que a solidão às vezes pode ser uma grande companheira de viagem, não necessariamente o monstro que geralmente desenhamos na nossa mente. Encontra a solidão e encontras-te a ti mesmo. Encontra a solidão e nunca estarás sozinho.
Os limites não existem. “Nós somos o que queremos ser”.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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