Provença Francesa – Marselha e Alpes

De volta às viagens no velhinho continente europeu e à boleia de uma low cost, aterrei na principal cidade da Provença francesa – Marselha. E prontamente arranquei agarrado ao guiador de um automobile para uma etapa do petit tour de France. A Provença francesa, geograficamente localizada no sul de França, é banhada pelas águas cálidas do Mediterrâneo, albergue de muitos (e reconhecidos) artistas. Vincent Van Gogh, foi um dos que imortalizou nos seus quadros a sua paisagem e quotidiano. Deixou também lá parte de si, ao diminuir a sua capacidade auditiva para apreciar ou enlouquecer com o cantarolar do símbolo da região – a cigarra.

A cor roxa da lavanda perfuma de harmonia e alegria os campos em linhas dinâmicas, que transmitem pontos de fuga na paisagem sem fim. Deslizando pelas curvas e contra curvas, quase adormecido por estas lindas pinceladas expressionistas que coloriam o horizonte, acordei deste sonho na primeira paragem desta viagem, a cidade de Arles. Património mundial desde 1981, Arles tem alguns dos mais importantes monumentos romanos fora de Itália. O mais emblemático é La Arene d’Arles, visivelmente inspirada no famoso Coliseu de Roma, actualmente casa de muitos espectáculos musicais e corridas de touros.

Por becos e ruelas que ainda transpiram inspiração para as mais variadas telas, percorri a cidade em busca dos cantos e recantos de uma das mais conceituadas exposições internacionais de fotografia, Les Rencontres d’Arles. Ainda está lá, na Place du Forum o café com a sua esplanada e o seu toldo amarelo como as estrelas de uma noite de 1888, em que Van Gogh retratou num quadro que até hoje recordamos. Passear por Arles e redondezas é como viajar dentro de um dos seus quadros traço após traço, sentindo a intensidade imposta pelo artista na caracterização do seu enquadramento.

De tela em tela saltei para o refrão de uma música bastante conhecida, “Sur le Pont d’Avignon”. Melodia que nos faz atravessar o rio Ródano e subir a encosta de Avignon até ao Palácio dos Papas, onde diversos papas estabeleceram a sua residência. Mas Avignon não vive só de pontes e papas, todos os anos desde 1947 realiza um festival de teatro que invade as ruas, representando mil e uma peças, um pouco por todo o lado desde calçada à mais famosa sala de espectáculos, publicitadas num amontoado de posters colado ao virar de cada esquina.

Típica plantação de lavandas na Provença

Partindo para o prémio de montanha, “pedalei” para o monte Ventoux, o mais alto da região, para dar uma olhadela aos Alpes e quem sabe encontrar o famoso diabo da verdadeira volta da França. De volta à magia dos campos roxos e perfumados, sob um Sol abrasador de Agosto, vesti a camisola amarela e arranquei para o contra-relógio final que me levaria ao ponto de partida. Marselha, segunda cidade de França, é o maior porto comercial do país banhada pelo ar quente vindo do norte de África, carregado de cheiros intensos e novas culturas que enchem de vida o velho porto e os mercados de rua, que por momentos nos levam a atravessar a fronteira para os fervilhantes e coloridos souks (mercados árabes).

Lá no alto da colina, a basílica Notre-Dame de la Garde, protege a cidade com uma vista esplendorosa sobre o labirinto de casas e prédios perdidos, até que os nossos olhos esbarram contra a imensidão azul esverdeada que nos hipnotiza… não cansa olhar para o mar! No porto, o constante movimento de embarcações faz crescer uma vontade que só termina quando sentimos a proa a cortar as águas límpidas do Mediterrâneo e vemos a cidade a ficar para trás… não resisti e parti para um passeio pela costa para conhecer as famosas calanques.

Escarpas brancas em parte engolidas pelo mar, recortam a costa oferecendo locais paradisíacos e escondidos para desfrutar o sol bronzeador do Mediterrâneo. O fim do dia caía quando atraquei no velho porto cosmopolita, decidido a aproveitar os últimos raios de Sol, estafei numa simpática esplanada numa praça vizinha. Bebi um pastis, bedida anizada que se dilui em água, e preparei-me para a última etapa… o jantar! A bouillabaisse esperava por mim num dos muitos restaurantes. Prato típico de Marselha que data desde dos tempos do domínio grego, consiste basicamente numa mistura de vários peixes, crustáceos e especiarias cozidos, acompanhados com pão e vegetais. 

Ora para que entendam bem, bouillabaisse é sinónimo de caldeirada! Sabe bem, mas como disse o empregado de bigode que me serviu. Não há caldeirada como a nossa!”. Concordo.

Viagens de jose farinha   

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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