Que bem sabe uma sopa quente

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018 - Publicado a 24 de junho de 2010

Que bem sabe uma sopa quente

Os homens e mulheres da Pré-História começaram por se alimentar de bagas e frutos, de peixe e carne crus. A descoberta do fogo representou um passo de gigante na história da alimentação. No início, os alimentos eram colocados directamente sobre o fogo; mais tarde, compreendendo que teriam melhores resultados, os homens deixavam que as chamas se acalmassem para, sobre as brasas, colocarem os alimentos. Só milhares de anos depois (porque estas mudanças eram sempre bastante lentas) o homem terá descoberto como a água lhe poderia dar uma grande ajuda: passou então a colocar os alimentos (carne, peixe, plantas, etc.) em água quente. Desta nova técnica resultavam duas vantagens: por um lado, os alimentos tornavam-se mais tenros, saborosos e fáceis de mastigar e digerir; por outro, na panela ficava a água da cozedura, cheia de sabor e nutrimentos (mas isso só se viria a saber muitos milhares de anos depois…).

Sopas famosas ao longo da História

Na Pré-História é provável que se comessem muitos caldos de carne (mamute, bisonte, vaca), sopas de peixe e de alguns crustáceos (mexilhões, por exemplo).

Na Grécia ficou famoso um “Caldo Negro” da cidade de Esparta, feito com sangue de alguns animais misturado com vinagre e especiarias. Não consta que fosse fácil de engolir…

Em Roma, a sopa era um prato apreciado por todas as classes. O famosíssimo imperador Nero tinha o costume de, diariamente, comer um caldo à base de alhos-porros que acreditava fazer-lhe muito bem às cordas vocais (que tinham de estar sempre saudáveis para discursar sem problemas).

Na Idade Média as sopas foram muito populares: de favas, abóbora, ervilhas, couves, rábanos, toucinho… condimentadas com bastante canela e gengibre e mais tarde com açúcar. Era também costume colorir as sopas: açafrão para ficarem amarelas, leite de amêndoas para ficarem brancas.

A partir do século XVI, as cozinhas italiana e francesa deram o seu “toque de classe” à arte de preparar sopas. A primeira introduziu a novidade das massas e ervas aromáticas como o tomilho, os orégãos e a manjerona.

Em França, os cozinheiros davam o seu melhor: cremes, bouillons, consommés… baptizando as suas invenções com nomes de reis.

Em Portugal temos a canja (que, segundo alguns especialistas, terá vindo da Índia), o caldo verde (indispensável por altura dos santos populares), a sopa do cozido, as sopas de peixe (tão populares nos Açores e no Alentejo), as sopas de feijão e hortaliça e tantas outras.

Em Espanha, o “gazpacho” (com tomate, pepino, alho, pão e azeite); em França, a “soupe à l’oignon” (à base de cebola); em Inglaterra, a “oxtail” (sopa de rabo de boi); em Itália, o “minestrone” (feijão, massas e legumes); na China, a “sopa de ninhos de andorinha”.

Os legumes perdem muitos dos seus nutrimentos quando são cozinhados. A sopa tem a grande vantagem de não deixar “escapar” as vitaminas e minerais retendo-os na água da cozedura. A sopa tem ainda outras qualidades: é um prato económico, de fácil preparação, pode tomar os mais diversos sabores e texturas e é rica em nutrimentos de grande valor. Assim sendo, aqui fica a sugestão: é tempo de celebrar o Inverno com sopas portuguesas e de outras paragens.