Rastreio do cancro do intestino pode salvar vidas - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Rastreio do cancro do intestino pode salvar vidas

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

O Rastreio do cancro do intestino pode salvar vidas 

O cancro do cólon e do recto mata cerca de 10  pessoas por dia, em Portugal. A “cura” está no rastreio atempado, que  permite ver a lesão e removê-la antes de se tornar cancerosa. Isabelle  Cremers, presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva,
falou do importante papel do médico de família na prevenção desta  patologia oncológica.

A presidente da SPED alerta que “ter mais de 50 anos, não ter queixas do intestino e sentir-se bem são três boas razões para fazer o rastreio”.

No passado dia 10 de Abril, o estádio do Jamor foi palco para a campanha de prevenção do cancro do intestino, uma acção realizada no âmbito da final da Taça de Portugal de Futebol Feminino.
Isabelle Cremers, presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED), explicou os objectivos da iniciativa.  Ao distribuir t-shirts e folhetos informativos, a também chefe de serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, alertou os presentes que “ter mais de 50 anos, não ter queixas do intestino e sentir-se bem são três boas razões para fazer o rastreio” do cancro responsável por mais de 3300 mortes em cada ano.

Qual a incidência do cancro do cólon e do recto no nosso país?

O cancro do cólon e do recto, vulgarmente designado como cancro do intestino, tem vindo a aumentar progressivamente em Portugal.
Neste momento, há cerca de 6500 novos casos por ano e morrem entre nove a 10 pessoas por dia. Este cancro atinge igualmente homens e mulheres e a faixa etária que corresponde ao aparecimento de novos casos é a partir dos 60 anos, daí que o rastreio deva ser iniciado a partir dos 50.

O que pode inverter o aumento que se tem verificado nos últimos anos no número de novos casos e de mortes causadas pela doença?

O rastreio porque, ao contrário dos outros cancros que podem ser rastreados, como o da mama ou do colo do útero, nos quais quando se observa algo já estamos perante um cancro, o do intestino permite ver a lesão antes de ser cancerosa; podemos detectar o pólipo e removê-lo. Portanto, realizar o rastreio atempadamente e da forma correcta, segundo as recomendações internacionais, é fundamental para diminuir o problema. Depois, a prevenção primária, que inclui fazer desporto, praticar uma alimentação saudável e não fumar, é igualmente importante.

A equipa da SPED disribuiu t-shirts e folhetos durante a final da Taça de Portugal de Futebol Feminino, que se realizou no Estádio do Jamor.

O que pode e deve fazer o médico de Clínica Geral para ajudar a combater este problema?

Os nossos colegas de Medicina Geral e Familiar são fulcrais nesta luta, porque são eles que as pessoas conhecem, é neles que confiam e são eles que podem passar a mensagem, instruir os utentes para a necessidade de rastreio e, de uma forma organizada, pedir os exames necessários. Os exames de rastreio devem ser pedidos a todas as pessoas a partir dos 50 anos e devem ser realizados de cinco em cinco anos, se não se encontrarem lesões e se não houver antecedentes familiares de cancro. O médico de família deve conhecer a história familiar da pessoa, sobretudo em termos de cancro do intestino, que tem uma certa tendência hereditária. Deve pedir os exames de rastreio, registar o resultado desses exames e elaborar o plano sobre aquilo que o doente deve fazer.

Como surgiu a ideia de divulgar este rastreio na final da Taça de Portugal de Futebol Feminino?

Esta ideia surgiu há uns meses, com o objectivo de utilizar a mediatização que tem o futebol para transmitirmos a mensagem às pessoas. Contactámos a Federação Portuguesa de Futebol, que nos abriu as portas.
Fizemos uma primeira acção num jogo da Selecção Portugal – Hungria, em 10 de Outubro do ano passado. Desta vez, foi a Federação que nos convidou a associarmonos a esta final histórica: é a primeira vez que uma final da Taça de Portugal de Futebol Feminino se realiza no Estádio do Jamor.

Aqui estamos com a nossa tenda, a pedir às pessoas para vestirem as nossas t-shirts verdes, cor da nossa mascote que simboliza o pólipo do intestino que pretendemos remover. Queremos fazer uma grande mancha verde no estádio, para chamar a atenção das pessoas e dos meios de comunicação social para a nossa mensagem.

O que esperam alcançar com esta iniciativa?

Diminuir a incidência e mortalidade do cancro do intestino, em Portugal. Queremos passar a mensagem a todas as pessoas: aos utentes, para que peçam o rastreio ao seu médico de família, a este para que peça o rastreio aos seus utentes, à comunicação social para que divulgue a nossa mensagem, e às autoridades de Saúde para que proporcionem os meios que nos permitem fazer isto, que ainda são limitados.

Qual o papel do Estado no acesso generalizado da população de risco ao rastreio?

Neste momento, os exames de rastreio não estão disponíveis a toda a população e é evidente que precisamos da ajuda do Estado para proporcionar os meios necessários para que todas as pessoas tenham acesso a eles. O acesso à endoscopia baixa está um pouco difícil em Portugal e queremos alertar também para essa dificuldade e pedir ajuda para ultrapassá-la.

Que vantagens podem resultar da generalização de programas de rastreio?

Uma menor incidência de cancros resulta numa melhor qualidade de vida. A pessoa que tem um cancro vai sofrer com a sua família, durante algum tempo, às custas de um tratamento por vezes penoso, demorado e caro. O tratamento de uma pessoa com cancro do intestino pode custar entre 25 a 30 mil euros, mas fazer o rastreio sai mais barato.
Além disso, ao prevenir a doença, previne o sofrimento. É muito importante que as pessoas tenham em mente que é quando se sentem bem que vale mais a pena fazer um rastreio, pois permite apanhar as lesões pequeninas e facilmente curáveis.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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