Reabilitação Respiratória

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018 - Publicado a 11 de junho de 2010

O que é a Reabilitação Respiratória?
A Reabilitação Respiratória é uma modalidade de tratamento para doentes com doença respiratória crónica, que apresentem sintomas como tosse, dificuldade em respirar, cansaço fácil e frequentemente limitação na realização das suas tarefas do dia-a-dia. Em complemento da terapêutica com medicamentos, actua na doença e nos seus diferentes efeitos. É da responsabilidade do trabalho de uma equipa de médicos e técnicos, com formação específica e treino para planificar ou executar o chamado programa de reabilitação – conjunto de intervenções de acordo com a gravidade da doença e suas complicações.

Quais os objectivos da Reabilitação Respiratória?
Aliviar os sintomas, aumentar a capacidade e habilidade em lidar com o esforço causador de dificuldade respiratória, ou seja, contribuir para manter tanto quanto possível o estilo e tipo de vida de cada indivíduo, segundo as suas necessidades e desejo. São também objectivos da reabilitação, facilitar o funcionamento em ambiente familiar e social, assim como, contribuir para diminuir os custos com a saúde – quer os custos com os medicamentos, consultas e internamentos por agravamento da doença, quer os que resultam da perda de dias de trabalho ou por exemplo de uma reforma antecipada. Pode dizer-se que os seus objectivos se centram em melhorar o estado de saúde, a quantidade e qualidade de vida de cada um.

Que áreas de intervenção inclui a Reabilitação Respiratória?
A Reabilitação é capaz de influenciar positivamente os efeitos da doença respiratória particularmente: a má condição física, outras doenças associadas com é exemplo a doença cardiovascular, as alterações psicológicas que aparecem ou se agravam com a longa duração da doença (depressão e/ou ansiedade); é facilitadora do convívio com os amigos e outras pessoas, tornando de novo possível viver em sociedade e ao mesmo tempo conviver com a doença. Está cientificamente demonstrado que, para cumprir estas metas o programa de reabilitação deve incluir prioridades como: a informação e educação do doente / família, a interrupção do hábito de fumar, a intervenção a nível psicológico e social com vista a novas atitudes face à doença, a correcção de uma nutrição deficiente e o treino ao esforço dos músculos das pernas e braços.

Outras áreas de trabalho merecem ser valorizadas quando se trata de ganhos em capacidade física. Aprender a gastar menos energia e a controlar a respiração para aliviar a dificuldade respiratória na realização de um esforço, praticar regularmente actividade física / desporto, vão melhorar o desempenho diário, a dependência e a auto-estima.

Sem informação e educação para a saúde não há Reabilitação
Todas as intervenções que habilitem o doente e sua família a conhecer a doença, suas complicações e tratamento, vão prevenir, cuidar e promover a saúde respiratória. Trata-se de identificar o risco de doença (tabaco) para o evitar ou diminuir tanto quanto possível, valorizar os sintomas respiratórios (dificuldade respiratória / limitação de ordem física), procurar o médico com vista a um diagnóstico precoce da doença, reconhecer a sua gravidade e saber actuar perante uma agudização (medicação a fazer e quando procurar os serviços de saúde), conhecer os diferentes tratamentos e a forma correcta de os utilizar (técnica de inalação), planear as suas viagens e meios de transporte a utilizar. Estar informado é ser mais autónomo no controlo da doença e é não ser dependente dos outros e dos serviços de saúde. A educação para a saúde é uma parte da nossa EDUCAÇÃO. Cuide da sua saúde!

Estilos de vida saudáveis são a “filosofia” da reabilitação
Praticar actividade física – caminhar, frequentar regularmente o Ginásio, fazer desporto, ter uma alimentação saudável, saber lidar com o stress e ansiedade da vida diária, deixar o tabaco ou nunca o iniciar, são com certeza mudanças para uma vida com mais e melhor qualidade. Mas atenção! Obrigam cada um de nós a mudar comportamentos e estilos de vida, por vezes há muito tempo enraizados no nosso dia-a-dia. Só assim seremos mais responsáveis pela nossa saúde.

Não fume pela sua saúde e pela dos outros!
O tabaco é a maior causa de doença respiratória e cardiovascular. Também é responsável por diferentes tipos de cancro. Com a idade, o nosso organismo vai envelhecendo assim como o normal funcionamento de órgãos vitais como o pulmão e coração e mesmo os vasos sanguíneos. O hábito de fumar constitui uma enorme agressão para estes e outros órgãos, acelerando este processo até à morte. Assim o tabaco afecta as vias respiratórias, diminui a capacidade pulmonar, aumenta a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a quantidade de sangue bombeada pelo coração. Cerca de 90% dos fumadores ficam dependentes da nicotina entre os 5 e os 19 anos de idade. Quem fuma mais do que 20 cigarros por dia, vive em média 22 anos a menos que uma pessoa que não fuma. Em 2025, o cigarro matará 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Quem não fuma e está próximo do fumo do tabaco (fumador passivo), também está sujeito a estes malefícios – em 1998 havia no mundo 700 milhões de crianças fumadoras passivas.

Vale a pena deixar de fumar – ao fim de 1 ano a função pulmonar aumenta em 10%, melhorando a tosse e dificuldade em respirar e o risco de ataque cardíaco diminui para metade; ao fim de 10 anos, o risco de cancro de pulmão reduz para metade. Nunca inicie o hábito de fumar – proteja a sua saúde.

A actividade física também é Reabilitação?
Fazer exercício diminui o risco de doenças crónicas – cancro, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica), enfarte do miocárdio, diabetes e osteoporose. O fumador que pratica regularmente exercício tem menos probabilidade de vir a ter DPOC. Jovens e idosos, pessoas com ou sem doença, não podem mais ignorar esta realidade. Decida hoje mesmo cuidar da sua saúde, por si e pelos outros. Pequenas mudanças na vida do seu dia-a-dia são grandes passos para uma vida mais saudável e com mais qualidade – passe menos tempo sentado, faça jardinagem, evite usar o elevador, deixe o carro na garagem ou longe do seu destino, se utiliza transportes públicos saia antes da paragem habitual, vá a pé até ao café.

Faça um novo plano para a sua semana – caminhe pelo menos 5 dias durante 30 a 60 minutos ou faça uma outra actividade de que goste. Não esqueça que o exercício nunca o deverá cansar antes ser agradável e trazer-lhe bem-estar. Lembre que – se é magro não está dispensado de actividade física e se é obeso tem que se tornar activo para reduzir o risco de doenças. A actividade física está directamente relacionada com a nossa saúde.

Corrigir erros alimentares é Reabilitação?
Todos devemos ter uma alimentação saudável, isto é, completa, equilibrada e variada.
Completa, porque inclui alimentos dos diferentes grupos da roda dos alimentos, equilibrada quando comemos cada grupo de alimentos nas doses aconselhadas, e variada, sempre que comemos os diferentes alimentos variando no dia-a-dia, na semana e nas diferentes épocas do ano. A doença respiratória crónica conduz a mudanças no nosso organismo, manifestadas pela perda de peso e de massa muscular. A melhoria destas alterações pode impedir ou retardar a morte causada pela doença. Algumas regras devem ser levadas em conta numa intervenção nutricional: reforçar o pequeno almoço, iniciar as refeições principais com sopa variada, alternar peixe e carne em cada dia, reduzir as gorduras e o sal, incluir sempre vegetais e fruta na refeição e beber pelo menos 1,5 L de líquidos por dia, são regras para um bom regime alimentar. Deve dividir as suas refeições ao longo do dia e diminuir a quantidade em cada uma delas. Se está a perder peso, se emagreceu rapidamente nos últimos 3 a 6 meses ou se tem excesso de peso, deve ser ainda mais cuidadoso e procurar aconselhamento nutricional junto do seu médico ou técnico da especialidade.

Aprenda a viver com as limitações que a doença respiratória lhe causa – conserve a sua energia
As doenças respiratórias crónicas são causa de cansaço e dificuldade respiratória, quando se realiza um esforço mesmo nas tarefas do dia-a-dia ou actividade profissional. Existem técnicas de ajuda que podem melhorar a sua capacidade física, porque evitam que desperdice a sua energia. São regras básicas – estabeleça prioridades no seu dia, reduza o seu ritmo de acordo com os seus limites, planeie as suas actividades, realize as actividades que exigem mais esforço no período do dia em que se sente com mais energia, alterne trabalho e repouso, suba escadas degrau a degrau, faça algumas das tarefas se possível sentado e com os cotovelos apoiados, arrume o material que mais vezes usa, de modo a que fique em locais de mais fácil acesso – entre a altura dos seus ombros e da sua cintura. NUNCA se esqueça do controlo da sua respiração – inspire (meta o ar dentro dos pulmões) enquanto realiza o movimento que o cansa menos, e expire (deite o ar fora como quem sopra a uma vela), quando faz o movimento que lhe exige um maior esforço a respirar. Desta forma a sua dificuldade respiratória será menor, aumentando a sua independência, e satisfação.
Mantenha uma atitude positiva com a vida!
NÃO à frustração e sensação de invalidez!

Quais são os outros factores causadores ou agravantes da doença respiratória?
Para além do tabaco, há outros factores responsáveis pelo aparecimento ou agravamento da doença. A gripe, as infecções respiratórias/pneumonias, os poluentes no interior da habitação (detergentes de limpeza, perfumes, fumos de exaustão e gases (lareiras) ou ambiente de trabalho (químicos, poeiras), alterações de temperatura (“golpe” de calor ou frio, humidade), emoções (agressividade, ansiedade e stress), são situações perante as quais devemos estar alerta e saber como actuar. Assim: procure espaços bem ventilados livres do fumo de tabaco; evite cheiros intensos, fumos e nevoeiro; se estiver demasiado frio, agasalhe-se e cubra a boca e nariz com lenço ou cachecol; se estiver calor intenso, evite sair de casa, beba mais do que o habitual, não faça grandes esforços; afaste-se de pessoas doentes com gripe, constipação ou febre – lave as mãos se tiver contacto com pessoas infectadas; deve tomar anualmente e no Outono a vacina da gripe, assim como a sua família; informe-se junto do seu médico sobre outras vacinas; use máscara de protecção se o seu ambiente de trabalho for poluído; aprenda a gerir as suas emoções partilhando os seus sentimentos e preocupações com a sua família e amigos. Informe-se com o seu médico sobre o seu plano de acção!

Que doenças beneficiam da Reabilitação Respiratória?
A DPOC – doença pulmonar obstrutiva crónica – (lesão no pulmão, músculos da respiração e músculos dos braços e pernas), é o exemplo clássico de doença candidata a um programa estruturado de reabilitação. Quer isto dizer que todos os indivíduos com a doença, desde que com sintomas e limitação na sua capacidade de exercício, devem ser avaliados quanto à indicação de nele participar. Contudo, outras doenças respiratórias crónicas tais como: Asma moderadamente grave e grave, Bronquiectasias (dilatação anormal dos brônquios, expectoração abundante e infecções respiratórias frequentes), situações particulares de Sequelas de Tuberculose, deformações da caixa torácica (escolioses ou cifoses acentuadas a nível da coluna), são situações também a considerar, ponderando com critério o benefício esperado. A idade e o tipo de doença respiratória não impedem a realização de uma ou mais vertentes da Reabilitação. A facilidade de acesso e a motivação do indivíduo para este tratamento, são factores determinantes do programa e do seu sucesso.

Há outras situações a beneficiar de Reabilitação Respiratória?
Por exemplo, no caso de um indivíduo fumador e/ou com doença respiratória que vai ser operado e a cirurgia é de algum risco (cirurgia cardíaca, pulmonar), é frequentemente necessário uma preparação específica na fase pré-operatória e em caso de complicações, também na fase do pós-operatório. Nas situações de doença que têm indicação para transplante pulmonar e/ou cardíaco, a Reabilitação é uma intervenção não só importante como obrigatória, e obedece a um protocolo especificamente planeado.

Onde fazer e como ter acesso à Reabilitação Respiratória?
Hoje sabe-se que a reabilitação é uma abordagem terapêutica insubstituível, segura, eficaz e barata. É tão eficaz em doentes internados como em doentes ambulatórios ou mesmo em tratamento no domicílio. As maiores vantagens verificam-se aquando do tratamento efectuado no hospital mas no doente em regime de ambulatório – traz benefícios e é seguro em doentes graves, quando executado por técnicos treinados para tal. A Reabilitação realizada no domicílio pode ser mais conveniente para o doente e prolonga o benefício obtido no tratamento hospitalar. Actualmente, muitos hospitais, mas ainda em número muito insuficiente, dispõem de condições para efectuar Reabilitação Respiratória, quer na forma de um programa completo e bem desenhado, quer na forma de apenas algumas das suas vertentes.
Não hesite em procurar estes serviços. Procure o seu médico e informe-se.

O que pode fazer em sua casa?
Já vimos que se prolongar no seu domicílio o que aprendeu, por exemplo durante o período de um internamento, o que foi aconselhado a fazer numa consulta médica ou mesmo a seguir à realização de um programa mais ou menos completo de Reabilitação no hospital, o vai fazer sentir-se melhor e mais seguro na sua vida diária. Não esqueça esses ensinamentos – execute-os todos os dias ou pelo menos sempre que deles necessitar. Lembre a posição que deve adoptar quando a sua dificuldade respiratória se agravar – dobrado para a frente com os braços e cotovelos apoiados, mesmo em pé na paragem do autocarro; não entre em pânico perante uma crise – respire com calma, o mais lentamente que lhe for possível, deitando o ar para fora como se estivesse a apagar uma vela; quando se sentir no seu estado habitual, não esqueça que, quando mete o ar dentro dos seus pulmões, o seu abdómen deve deslocar-se para fora já que os pulmões cheios de ar o empurram; ao contrário, quando esvazia os pulmões de ar o abdómen deve encolher. Controle assim a sua respiração quando faz um esforço e verá que tudo se torna mais fácil. Se a sua doença lhe provoca produção de grande quantidade de expectoração, relembre o que fazer para mais facilmente a expulsar dos seus brônquios – não se esqueça de nessas alturas reforçar a ingestão de líquidos e tossir de forma eficaz, isto é, tossir após encher bem os seus pulmões de ar – mais expectoração sairá, com menos dificuldade e não irá ficar tão cansado. Não esqueça estes ensinamentos – execute-os todos os dias ou pelo menos sempre que deles necessitar.