Região de Vale do Douro – Um destino turístico de luxo

Uma série de novos projectos hoteleiros posicionam a Região de Vale do Douro como destino turístico de luxo.

Sete anos após ter sido consagrada Património Mundial da Humanidade pela Unesco, a região do Douro está a ser encarada seriamente como um destino de elevado potencial turístico, começando a atrair projectos de primeiríssima qualidade, direccionados para um segmento muito exigente. A reforçar a já existente oferta da região composta pelas típicas quintas e solares vinhateiros, estão a surgir unidades hoteleiras de luxo, que complementam o enoturismo com a possibilidade de desfrutar de momentos de puro conforto e requinte.

No Aquapura Hotel Douro rima com sofisticação e muito luxo. Um ano após a abertura, o investimento de 29 milhões de euros que reúne nomes sonantes como António Mexia e Diogo Vaz Guedes, é já uma aposta ganha. Localizada em Semodães, Lamego, a unidade hoteleira tem 50 quartos, campo de ténis, piscinas interiores e exteriores, restaurante-gourmet e o seu «ex-libris», um spa com 2200 metros quadrados.

“O Aquapura Douro Valley é o primeiro hotel de cinco estrelas da região e neste primeiro ano conseguimos uma reacção muito expressiva do mercado nacional e internacional. Tivemos uma reacção muito boa por parte do mercado norte-americano, brasileiro e europe”, Miguel Simões de Almeida, administrador do Aquapura Hotels Villas Spa.

Com diárias que variam entre os 240 (no quarto claustro) até aos 1470 euros para a suite presidencial, o hotel tem registado uma equilibrada procura de visitantes que se distribui equitativamente por nacionais e estrangeiros. Uma proporção que não se está a verificar na componente residencial do projecto, onde os compradores estrangeiros estão em maioria. Recorde-se que para além da unidade hoteleira, o projecto contempla ainda uma zona habitacional que se encontra actualmente em comercialização.

Projectado dentro do mesmo princípio de gestão, o Douro 41, que une os grupos Lágrimas Hotels e Bascol, quer abranger não só os turistas ocasionais mas também os apreciadores incondicionais da região que investem numa segunda habitação. Por isso, para além do hotel, a partir de Outubro começam a ser vendidas 25 «villas» de tipologias T2 e T3.

Quanto ao hotel, está em fase adiantada de construção, estando a data de abertura prevista para Janeiro do próximo ano. Tendo herdado o nome graças a várias coincidências que envolvem o mesmo número, o Douro 41, situado em Castelo de Paiva, está a 41 quilómetros do Porto, no quilómetro 41 do rio e tem 41 quartos. Todos com uma vista de cortar a respiração.

Equipado com um Spa Bamboo Garden, um restaurante-gourmet, piscinas e uma marina com amarrações para os proprietários das villas e visitantes, este desafio arquitectónico de 12 milhões de euros foi projectado pelo arquitecto João Pedro Serôdio.

«Está a ser uma obra muito complexa, com um grau de dificuldade muito grande pois o terreno tem um declive muito acentuado. O hotel desenvolve-se junto ao rio e vai-se encaixando junto da encosta, em vários pisos, com implantações diferentes. No final, irá ter uma cobertura vegetal de forma a que “desapareça” na paisagem», pormenoriza Miguel Júdice, administrador do grupo Lágrimas Hotels & Emotions.

Igualmente concebido para criar vivências únicas, o The Yeatman Hotel, do grupo britânico The Fladgate Partnership, desfruta também de vistas panorâmicas para o Douro, mas não está rodeado de vinhas, pois está localizado em pleno centro histórico de Gaia.

«No entanto, e apesar de estarmos na cidade, o nosso objectivo é fazer um hotel que permita vivenciar o que é a filosofia do Douro. Focalizado no prazer da gastronomia e do vinho. Quando o turista chega, só vê o piso térreo, mas depois vai descobrindo o hotel que está em patamares, um bocadinho a lembrar os socalcos do Douro» resume Francisco Afonso, futuro director do The Yeatman.

Eleito Projecto de Interesse Nacional (PIN) para o Estado Português, o lançamento da primeira pedra decorreu há quatro meses, na presença do ministro da Economia, Manuel Pinho. Com um investimento previsto de 30 milhões de euros e abertura prevista para Dezembro do próximo ano, o The Yeatman torna-se assim o primeiro hotel na zona histórica das Caves do Vinho do Porto, um forte pólo de atracção turística que recebe anualmente cerca de um milhão de visitantes.

O hotel vínico de luxo – pertencente ao grupo que produz e comercializa há mais de 300 anos as marcas de vinho do Porto Taylor’s, a Fonseca e a Croft – vai oferecer 12 suites e 70 quartos, todos com terraço e jardim privativo com vista panorâmica para o rio Douro e para a zona da Ribeira. Oferece um restaurante de alta gastronomia, bar especializado em Vinho do Porto, SPA de vinoterapia, piscinas exterior e interior panorâmicas.

A região do Douro tem actualmente uma oferta de 3.000 camas, um número que o responsável pela Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, considera manifestamente insuficiente para fazer face ao previsível aumento do fluxo de turistas. «O Douro é o novo destino turístico em afirmação, em Portugal. Precisamos aumentar as actuais 3.000 camas, o que significa que temos pela frente uma grande margem de progresso», considera este responsável.

Os novos empreendimentos turísticos que estão a surgir, nos anos mais recentes, vêm, na sua opinião, «elevar a qualidade a todos os níveis – de espaço construído, de serviço, de animação -, criando ainda um efeito de indução qualitativa do próprio mercado hoteleiro».

«A nossa estratégia centra-se na matriz “Quintas do Douro”, que abrange 21 concelhos da rota do Vinho do Porto. As quintas são um produto único e excepcional, e o Douro sendo património da Humanidade, é uma paisagem viva, cultural que assenta precisamente nesta matriz», resume Ricardo Magalhães.
Como refere Ricardo Magalhães, «existem já unidades hoteleiras em construção, inseridas na matriz “Quintas do Douro”», dando exemplos como a Quinta da Pacheca ou a Quinta do Pêgo.

Situada em Peso da Régua, a Quinta da Pacheca, criada no ano 1500, pertence à família Serpa Pimentel desde 1903, sendo produzidos sete tipos de vinhos diferentes, entre brancos, tintos e Porto. Há sete anos, a família resolveu abrir as portas da propriedade ao enoturismo e agora, resolveu dar mais um passo em frente ao apostar na construção de um hotel rural com 15 quartos. «A ideia do hotel surgiu porque os turistas que nos visitam sempre nos dizem que gostariam de passar cá uns dias.

O turismo de qualidade que vem ao Douro quer muito sentir a vivência nas quintas, por isso sentimos que tínhamos tudo para avançar», conta a responsável do espaço, Catarina Serpa Pimentel.

O responsável da Estrutura Missão do Douro garante que a exigência no enquadramento paisagístico destes novos projectos está a ser muito rigorosa. «Estamos numa área de valor paisagístico excepcional e por isso, o que se faça tem de acrescentar e não reter valor à paisagem vinhateira. Seremos exigentes para preservar este bem público», remata Ricardo Magalhães.

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