Rins Policísticos e Doença Policística Renal

O que é? Determinada pela presença de diversos cistos que se desenvolvem nos rins de um adulto, a doença policística renal pode gerar complicações graves.

rim policístico

Causas da doença policística renal

De origem hereditária, a doença policística renal é classificada como autossômica dominante. Isso significa que, caso a mão ou o pai apresente o problema os filhos têm 50% de riscos de desenvolverem a mesma doença.

Entretanto, a doença policística renal não se resume apenas a uma questão genética, já que os cistos característicos da enfermidade podem conter manifestações subjetivas.

Desse modo, embora ainda não se saiba quais fatores ambientais possam contribuir para o aparecimento da doença, sua interferência no processo é dada como conclusiva.

Geneticamente, mais de 80% das pessoas que contêm rins policísticos apresentam uma alteração profunda do gene PKD1. Na parcela restante a transmutação se evidencia no gene PKD2.

Em se tratando da mutação ocorrida no primeiro gene (PKD1), a doença em análise tende a ser mais aguda, o que acarreta a aceleração da expansão dos cistos.

Por conta disso, os indivíduos que tenham problemas nesse gene ficam propensos a sofrer uma disfunção renal completa já após completarem os 50 anos.

Geralmente, a modificação genética do segundo gene (PKD2) produz efeitos menos intensos, culminando no avanço prolongado da doença.

Pessoas com esse tipo de doença policística costumam recorrer à hemodiálise apenas após ultrapassarem os 70 anos.

Devido ao caráter lento da mutação ocorrida no gene PKD2, é possível que boa parte das pessoas venha a falecer em consequência de outras patologias, sem nem sequer descobrirem a existência da doença policística.

Estima-se que dentre 1000 indivíduos, ao menos um terá seus rins atacados pela respectiva doença.

Trata-se de uma proporção baixa, o que demonstra o grau de normalidade da doença.

Além disso, para aproximadamente 5% das pessoas diagnosticadas com insuficiência renal crônica, a complicação advém da existência da doença policística. Com isso, essas pessoas são obrigadas a realizar hemodiálise.

Sinais apresentados pelos rins policísticos

Conforme relatado acima, a doença policística renal pode evoluir bem tacitamente durante longos anos. Por essa razão, trata-se de uma doença quase assintomática.

Quando os sintomas surgem, normalmente é um indício de que a doença já alcançou um estágio avançado.

Isso acontece porque os cistos formados nos rins, causa que motiva a doença, denunciam sua presença somente quando atingem dimensões bem extensas, condição na qual começam a ocasionar dores.

Assim, é comum que grande parte dos pacientes seja informada sobre a doença policística renal somente depois de efetuarem exames rotineiros.

Um deles é a ultrassonografia do abdômen, capaz de detectar a presença de diversos cistos formados nos rins.

Apesar da existência de cistos nos rins ser ponto de partida para o desenvolvimento dessas protuberâncias no pâncreas, fígado, ou qualquer outro órgão, a influência sobre esses outros órgãos não costuma resultar em complicações graves.

De forma geral, alterações na coloração da urina que pendam para o vermelho, possivelmente causadas devido à hemorragias internas, e as dores na região da coluna lombar são os dois principais sintomas da doença policística renal.

Esses sinais acometem a metade dos indivíduos que possuem rins policísticos.

Além disso, existem outras complicações do organismo que também podem evidenciar a presença da doença, como cálculo renal, insuficiência renal crônica, aneurisma cerebral, hipertensão arterial, infecção do trato urinário, e eliminação de proteínas através da urina.

De todas essas complicações, a considerada mais preocupante é a insuficiência renal crônica, já que ela tende a submeter o paciente ao desgastante procedimento de hemodiálise.

O grande problema é que a disfunção renal só é identificada quando os cistos formados nos rins já assumiram proporções muito amplas, ou seja, quando passam a substituir partes do tecido natural dos rins.

Isso decorre da deterioração tecidual dos referidos órgãos, o que acontece lentamente no decurso de décadas.

Uma das formas de se identificar a insuficiência renal crônica é por meio da medição dos índices de creatinina na corrente sanguínea.

O ideal é que as pessoas que possuem rins policísticos passem por esse procedimento ao menos uma vez ao longo de cada ano.

Complementando o exame que detecta a concentração de creatinina no fluxo sanguíneo, é altamente recomendado que o paciente também efetue uma ressonância magnética dos rins a fim de verificar qual foi o aumento do volume dos órgãos.

A taxa de referência neste caso é 1,5 litros.

Assim, caso o paciente tenha rins com crescimento superior a essa medida, isso significará que a progressão dos cistos ocorreu de forma muito acelerada no último período (a análise é igualmente realizada uma vez por ano).

Quanto à possibilidade de aneurisma cerebral, a complicação é diagnosticada em 8% (em média) dos pacientes portadores da doença policística renal.

A porcentagem de risco se amplia nos casos em que haja um histórico familiar favorável a esse tipo de aneurisma.

Relação entre a doença policística renal e o câncer de rim

Existe a crença errônea de que os rins policísticos aumentam a probabilidade de desenvolvimento de câncer nos mesmos órgãos, ou em qualquer outro órgão adjacente que desenvolva a formação de cistos.

Na verdade, os cistos não se transformam em câncer, mas tendem a acobertá-lo, dificultando a identificação dos tumores.

Isso se torna ainda mais frequente quando um determinado tipo de câncer detém aspecto bem similar a de um cisto, interferindo no diagnóstico preciso da doença.

Geralmente, um dos exames mais úteis para distinguir um cisto de um câncer é a ultrassonografia.

Caso ainda paire alguma incerteza, o médico responsável pelo caso costuma submeter o paciente a um exame complementar, que pode ser uma ressonância magnética, ou uma tomografia computadorizada.

Principais diferenças entre cistos renais e rins policísticos

É preciso esclarecer que o fato do paciente possuir alguns cistos dispostos de forma isolada sobre o rim não aponta, necessariamente, para a presença da doença policística renal.

É extremamente comum que pessoas que ultrapassaram os 50 anos tenham um, ou mais, cistos nos rins sem que isso implique a necessidade de tratamento, uma vez que existem variantes de cistos considerados benignos.

Nestes casos, não há risco de que os cistos causem danos aos rins, como a temida insuficiência renal crônica.

A grande diferença entre os cistos inócuos e os perigosos é que os primeiros surgem em decorrência da idade, com as primeiras aparições registradas quando o indivíduo está próximo da terceira idade.

Já os segundos, além de múltiplos e minúsculos, começam a se desenvolver durante a juventude.

Os cistos que caracterizam os rins policísticos também evoluem e se proliferam em um ritmo muito devagar, podendo levar décadas para que o indivíduo manifeste algum sintoma do problema.

Critérios adotados para diagnosticar os rins policísticos

Visando estabelecer diferenciações entre os cistos simples e aqueles responsáveis por causar a doença policística renal, foram criados alguns critérios usados durante os diagnósticos.

Dessa forma, admite-se que em pacientes com idade até os 30 anos é comum a presença de dois cistos, um para cada rim. Já aqueles com idade acima dos 30 anos, mas inferior a 60 anos, é comum que cada rim detenha dois cistos.

Enquanto isso, os pacientes com idade superior a 60 anos devem conter, no máximo, oito cistos, divididos em quatro para cada um dos dois órgãos.

Para concluir o diagnóstico da doença renal policística, além da quantidade excessiva de cistos nos rins, o médico leva em consideração se há registro de rins policísticos em outros membros da família.

Uma alternativa muito utilizada pelo corpo médico é a realização de exames determinantes, como a ressonância magnética, ou a tomografia computadorizada.

Essas técnicas permitem a visualização de todos os cistos diminutos não identificados na ultrassonografia.

Outro método recorrente é a análise dos genes PKD1 e PKD2, que podem apresentar mutações, conforme exposto no início desse artigo. Porém, deve-se ressaltar que devido ao elevado custo inerente às pesquisas genéticas, nem todos os laboratórios efetuam esse procedimento.

Uma vez que o diagnóstico para doença renal policística seja positivo, é recomendado que todos os parentes de 1º grau com idade acima de 18 anos passem por uma bateria de exames.

Desse modo, é possível perceber a doença logo no início, evitando que ela provoque consequências graves em futuro distante.

Como tratar rins policísticos

De fato, ainda não existe um método de tratamento que produza resultados significativos sobre os rins policísticos.

Quando um paciente é diagnosticado com o problema, as ações se voltam para uma tentativa de desacelerar o desenvolvimento dos cistos, evitando a ocorrência da insuficiência renal crônica, por exemplo.

Dentre as medidas adotadas para contenção dos cistos, a mais importante é a de gerenciamento da hipertensão. Afinal, o crescimento dos cistos está diretamente ligado à pressão alta, que deve se manter com índice inferior a 130 x 80 mmHg.

Os remédios mais prescritos para controlar o nível da pressão arterial dentro da doença policística renal são enalapril, lisinopril, enalapril, captopril, e derivados.

Outras alternativas medicamentosas são o losartan, irbesartan, candesartan, e telmisartana.

A utilização de um ou outro grupo de medicamentos deve ser pautada na existência, ou não, de contraindicações ao uso de algum deles.

Um possível fator que pode promover o desenvolvimento dos cistos é a desidratação corporal. Logo, quem tem doença policística renal sempre deve manter o organismo bem hidratado.

O intuito é diluir a urina para que ela não fique muito concentrada, impedindo que ela ganhe um aspecto amarelado denso e apresente um odor intenso.

Também existem alguns estudos – ainda inconclusivos – que estão investigando a relação entre o crescimento dos cistos e o consumo de cafeína.

Assim, é recomendável que os pacientes com a doença policística renal não consumam líquidos, ou alimentos, altamente concentrados na referida substância.

Em termos de remédios especificamente direcionados ao tratamento dos rins policísticos, vale a pena destacar o Rapamicina, e o Tolvaptan.

O primeiro exerce atividade imunossupressora, sendo bem comum durante as cirurgias de transplante de rins. Já o segundo inibe a atuação dos receptores de vasopressina, um hormônio antidiurético.

Os dois medicamentos ainda estão em fase de testes, não havendo ainda comprovação científica quanto aos possíveis benefícios em pessoas portadoras da doença policística renal.

Caso os pacientes cheguem à fase terminal da insuficiência renal crônica, as únicas possibilidades de tratamento são a contínua realização da hemodiálise, e a cirurgia de transplante de rins.

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Última atualização da página em 15/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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