Roseiral da Quinta do Arco – Madeira

O roseiral da Quinta do Arco é um lugar de beleza ímpar. São 17 mil roseiras de todas a cores e tipos imagináveis. Na costa norte da ilha da Madeira, o azul do mar e o verde da floresta são a fronteira para um riquíssimo património natural que se esconde por detrás dos portões da Quinta do Arco. É nesta casa senhorial do século XIX, situada no Arco de São Jorge, que floresce o maior roseiral de Portugal e um dos poucos com tamanha diversidade botânica em todo o mundo.

A sinfonia de perfumes e de tonalidades dá a sensação de descoberta de um mundo encantado, afinal estamos perante uma colecção que reúne 1.550 variedades, para um total de 17.000 roseiras.

Em Abril, mês em que se inicia a floração, a natureza entra em delírio na Quinta do Arco, numa explosão de cores e de perfumes. É nesse mês que o roseiral está aberto ao público, todos os dias entre as 10:00 e as 18:00 horas. Só voltará a encerrar em Dezembro. Com o frio do Inverno na costa norte da Madeira, a beleza do roseiral fica adormecida até à chegada de um novo ciclo. As roseiras perdem as flores, as folhas caem e a mestria da poda é o segredo para o renovar do esplendor da floração novamente em Abril.

O bilhete para transpor o portão de ferro e entrar neste mar de rosas tem o preço de €5. Toda a visita é um hino ao silêncio, a uma contemplação desta reunião de uma tamanha diversidade de rosas. Só o rolar da gravilha a cada passo interrompe o silêncio ou então um som de admiração de um ou outro visitante. Cada caminho conduz-nos a um lugar especial para admirar o roseiral. Estar ali, na Quinta do Arco, é ter uma das sensações mais agradáveis que se pode experimentar.

No meio das flores, uma figura humana quase imóvel se destaca. O roseiral é cuidado por João Caldeira, um auto-didacta da jardinagem, que aprendeu tudo sobre rosas pelos livros, mas conhece todas as variedades do roseiral como as suas próprias mãos. Os traços rudes, característicos de quem viveu toda a sua vida no campo, contrastam com a delicadeza com que trata as plantas. «As rosas têm tanto de belo como de sensível», diz, numa espécie de poesia espontânea. «É quase como tratar de um bebé», acrescenta, antes de voltar a abstrair-se nas suas rosas.

A par de ser um espectáculo singular pela imagem imponente de um roseiral com uma área de 8 mil metros quadrados todo florido, este espaço reveste-se de um elevado interesse botânico uma vez que ali são cultivadas muitas espécies importantes, raras e também em vias de extinção.

A colecção nasceu da paixão que Miguel Albuquerque, actual presidente da Câmara do Funchal, sempre manteve por plantas, em especial por rosas, gosto deixado de herança por seu avô. As primeiras plantas foram-lhe oferecidas por uma mulher que o viu crescer e, em sua homenagem, baptizou um dos seus primeiros canteiros com o seu nome – o Jardim da Estela. Este canteiro também pode ser apreciado na Quinta do Arco.

Durante muitos anos, a colecção particular foi apenas um privilégio da família e amigos, mas tendo conseguido reunir nos seus jardins plantas de elevado interesse botânico, decidiu abrir os portões da sua quinta para partilhar um pouco do seu sonho com os visitantes.

A inauguração oficial do roseiral da Quinta do Arco foi a formalização deste compromisso. Nele coexistem roseiras históricas, como as do género Gallica, das primeiras roseiras cultivadas em jardins, cuja floração é única e dura quatro semanas ao ano, e as modernas como a Floribunda, que se transformou num grande sucesso comercial devido à floração contínua e às cores exuberantes.

Neste roseiral, estão representadas variedades de quase todos os países do mundo e algumas extremamente raras, como as roseiras-de-musgo, muito populares no século XIX, mas cujo cultivo e propagação estão limitados hoje aos coleccionadores. Cada uma destas plantas conta uma história, como a “Roseira do Imperador”, introduzida na Madeira pelo imperador da Áustria e rei da Hungria, Carlos de Habsburgo, aquando do seu exílio na Quinta do Monte.

Como não poderia deixar de ser, a roseira indígena da Madeira, a Rosa mandonii, uma planta rara que habita ravinas da Laurissilva e outros locais situados entre os 600 e os 1.600 metros de altitude, ocupa também um lugar cativo neste belíssimo jardim.

As rosas existem sobre a Terra há milhões de anos e são cultivadas pelo menos há três mil anos em jardins. E se a beleza de uma rosa impressiona, tal acontece também com a sua história, sendo sabido que grande parte dos híbridos foi concebido como forma de homenagem ou para perpetuar um grande amor.

Na Quinta do Arco, também o amor foi perpetuado com a criação de um híbrido com o nome de Elizabete Albuquerque. De flores pequenas, de um rosa-camurça aveludado, esta roseira, que produz flores ao longo de todo o ano, é a homenagem do proprietário do roseiral à sua esposa.

Neste roseiral, o trabalho em torno das roseiras não se limita apenas ao seu cultivo. Existe uma vertente de investigação e de criação de novos híbridos muito importante e que tem dado já os seus frutos. Novas roseiras foram concebidas, como a “Quinta do Arco”, uma roseira do tipo híbrido de chá, caracterizada por ter flores grandes perfumadas, com uma forma perfeita, de um cor-de-rosa forte, excepcionalmente intenso e brilhante, ou a “Lagoa”, uma roseira de trepar, com flores escarlates médias, produzidas em abundância e reunidas em cachos.

No final da visita, os sentidos, não só apreenderam a beleza que se impôs à visão, mas captaram a informação disponibilizada ao longo deste passeio de contemplação. O conhecimento ficou mais rico e a alma renovada. O portão fecha-se e, no horizonte, o colorido das rosas dá lugar ao verde da vegetação da escarpa. Inesperadamente, damos por nós a planear um novo regresso ao roseiral.

22. setembro 2011 by admin

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  1. eu sou madeirense e não saberei contar de melhor forma irei reblogar ponde os créditos e disendo muito bem do site

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