Rotary e a Poliomielite - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Rotary e a Poliomielite

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Rotary e a Poliomielite

A CRUZADA DO ROTARY. Uma panorâmica sobre a campanha histórica da organização para erradicar a poliomielite.

 

Em 1985, quando o Rotary lançou a sua cruzada de 20 anos para ajudar a vacinar todas as crianças contra a poliomielite, a comunidade da saúde pública duvidou tanto do compromisso a longo prazo da organização, como também da sua capacidade para realizar a tarefa. Na altura, o Rotary tinha pouca experiência de trabalho no sector da saúde pública. A maioria dos projectos eram baseados na comunidade e organizados individualmente por clubes rotários. Além dos intercâmbios de jovens e programas educacionais, o Rotary nunca tinha organizado uma campanha a tão grande escala mundial.

Hoje o Rotary alterou a atitude dos cépticos e melhorou a sua reputação internacional como uma organização de serviço do sector privado. O Rotary Internacional goza do estatuto consultivo junto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e ganhou a sua prestigiosa Medalha de Ouro “Saúde para Todos ” em 1993.

Em Dezembro de 1996, o Rotary foi o primeiro a receber a “Children´s Vaccine Initiative Jenner Award ” ( Prémio Jenner de Iniciativa de Vacinar as Crianças “pelas suas extraordinárias contribuições para o esforço de vacinação mundial. O prémio foi entregue para reconhecer o Rotary, não apenas pelos seus significativos subsídios de financiamento, mas também porque mobilizou milhões de voluntários para efectuarem inúmeras campanhas de vacinação.

Durante mais de uma década, o Rotary Internacional financiou a aquisição de quantidades maciças de vacinas da poliomielite, tanto para vacinação rotineiras como para os Dias Nacionais de Vacinação (DNVs), e realizou campanhas sociais ao nível da comunidade.

Os voluntários do Rotary também ajudaram a equipar e manter equipamento de refrigeração para transporte e armazenamento da vacina para os DNVs, mobilizaram milhões de voluntários para os postos de vacinação a até administraram as gotas de poliomielite às crianças.Hoje os rotários estão cada vez mais envolvidos no trabalho de sensibilização e no desenvolvimento de sistemas de rastreio eficazes para detectar e analizar os surtos.

Durante os primeiros DNVs da ìndia, em Dezembro de 1995, o Rotary contribuiu com U.S. $5 milhões para a vacina e recrutou 100.000 dos dois milhões de voluntários que ajudaram a pôr em funcionamento 500.000 postos de vacinação no pais inteiro durante dois dias. 87 milhões de crianças foram vacinadas na primeira campanha e 93 milhões na segunda.

No Peru, dez anos antes, 11.000 voluntários ofereceram os seus serviços como vacinadores, condutores, analistas de dados e publicitários. Os rotários também calcularam e garantiram U.S. $440.000 milhões para, publicidade, transporte gratuito e abastecimento para os DNVs no Peru.

Na China onde não existem clubes rotários, a organização deu um subsídio de U.S. $15 milhões para a construção de uma fábrica para a produção local da vacina da poliomielite.Mais recentemente, o Rotary arranjou fundos, para a rede mundial de laboratórios da poliomielite , fornecendo equipamento e trabalhadores de laboratório formados.

Durante a última década, o Rotary Internacional trabalhou em conjunto com a OMS, os Centros Americanos para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), UNICEF e outros parceiros para ajudarem a vacinar mais de um bilião de crianças contra a poliomielite. Como resultado, praticamente quatro milhões de crianças foram poupadas a uma vida com a doença.

O envolvimento do Rotary começou nos finais dos anos 70 com um compromisso de cinco anos para vacinar seis milhões de crianças nas Filipinas. A campanha foi o primeiro projecto sob a tutela do recentemente lançado Programa de Saúde, Fome e Humanidade (3-H) do Rotary e financiado por um Fundo do 75º Aniversário de U.S. 7,5 milhões.

O programa 3-H foi concebido para satisfazer a crescente necessidade de assistência humanitária no mundo inteiro, numa escala que nem os clubes rotários individuais, nem mesmo os distritos podiam empreender. Nas Filipinas, o Rotary Internacional provou – não só aos seus próprios membros, mas também à comunidade internacional, que podia trabalhar com sucesso com um ministério nacional da saúde para vacinar crianças. No espaço de quatro anos , foram aprovados projectos de poliomielite adicionais no, Haiti, Bolívia, Marrocos, Serra Leoa e Gâmbia.

Cada projecto teve a duração de cinco anos, providenciando protecção contra a poliomielite a sete milhões de crianças.

A partir daquela altura, já não havia forma de voltar atrás. Em 1982, o Rotary Internacional começou a planear o seu programa mais ambicioso até à data – vacinar todas as crianças do mundo contra a poliomielite até ao ano 2005 o 100º aniversário da organização. O Rotary não tinha ilusões de que podia realizar a tarefa sozinho. O seu objectivo era trabalhar em colaboração com agências de saúde locais, nacionais e internacionais, para promoverem e implementarem a campanha de vacinação mundial.

O Rotary Internacional estava bem colocado para lançar o seu ambicioso plano. Fundado nos Estados Unidos em 1905, os seus 1.2 milhões de membros são mulheres e homens de negócios e profissionais com um compromisso relativamente ao serviço voluntário.

Com uma rede mundial de mais de 28.500 clubes rotários em 158 países, tem a capacidade de mobilizar fundos e voluntários para galvanizar a opinião pública para campanhas de erradicação da poliomielite. Durante os anos tem exercido estas capacidades ao máximo.

Com o conselho e apoio do falecido Dr. Albert Sabin, que desenvolveu a vacina oral da poliomielite , o Rotary Internacional estabeleceu o seu novo programa – PolioPlus – em 1985. A organização lançou uma campanha de recolha de fundos no total de U.S. 120 milhões para financiar a aquisição da vacina para uma campanha de vacinação com duração de cinco anos. Nada foi deixado ao acaso. O Rotary contratou uma empresa de consultores de recolha de fundos, estabeleceu mais de 40 comissões para recolha de fundos e recrutou quase 4.000 voluntários do Rotary para formarem outros rotários sobre a necessidade de recolherem fundos para a erradicação da poliomielite. Pela primeira vez, os rotários olharam para além do seu próprio círculo de membros para recolherem fundos – e mesmo eles ficaram estupefactos com o secesso obtido. No espaço de dois anos, recolheram duas vezes mais do que o objectivo original, totalizando U.S. 247 milhões.

Durante este tempo, os rotários continuarm a vacinar crianças contra a poliomielite. o Rotary Internacional estabeleceu uma Comissão Especial da Vacinação, constituida por cinco membros, que trabalhou com profissionais para crearem manuais de vacinação para utilização pelos voluntários das comunidades no mundo inteiro.

Para convencer a OMS de que podia ser um parceiro eficaz na vacinação, o Rotary organizou DNVs no Paraguai – um pequeno país com cerca de 100 casos de poliomielite por ano. No espaço de cinco anos, o Paraguai estava livre da poliomielite. A seguir, o Rotary decidiu provar que podia repetir este sucesso numa escala muito maior. Em 1987, os rotários mobilizaram mais de 200.000 voluntários para ajudarem a orientarem umDNV no México que conseguiu abranger 13 milhões de crianças. Quatro anos depois, a poliomielite tinha siso erradicada daquele país.

Em 1988, como a cobertura da vacinação global aumentara e a estratégia de erradicação da poliomielite demonstrara funcionar nas Américas, 166 nações comprometeram-se na Assembleia de Saúde Mundial com o obvjectivo de erradicação da poliomieleite até ao ano 2000.

Entre 1988 e 1990, o Rotary trabalhou juntamente com a organização Pan-Americana de Saúde (PAHO) apoiando as campanhas de vacinação nacionais em 27 países na America Central e do Sul e nas Caraíbas. Na Colômbia, em 1989, os rotários lançaram uma campanha de mobilização social, trabalhando com a UNICEF e PAHO para informarem os responsáveis do governo local da importância crucial dos DNVs. Um ano mais tarde, os rotários no Equador negociaram com os trabalhadores de saúde locais uma forma de evitar uma greve ameaçadora que poderia ter impedido os DNVs.

Devido ao seu estatuto não governamental, o Rotary tem desempenhado um papel-chave nos esforços de vacinação transfronteiriços (Colômbia – Venezuela – – Equador e Peru ) e na entrega da vacina em áreas de conflito em El Salvador, Nicarágua e Peru. Na Bulgária e Roménia, os voluntários do Rotary conseguiram convencer os grupos minoritários étnicos a participarem nos DNVs, apesar da sua desconfiança profunda,então enraizada em relação aos programas governamentais.

Entretanto, os voluntários do Rotary de um outro país disponibilizaram-se para fornecerem aconselhamento e assistência prática a rotários de qualquer parte. Em 1985, rotários paraguaios com experiência de campanhas de vacinação porta a porta(“acções cirurgicas”), no seu próprio país, ensinaram estas habilidades aos rotários brasileiros.

Mais recentemente, em 1995, o Rotary providenciou a maior parte da vacina necessária para o primeiro ano da Operação MECACAR – uma campanha de trés anos que vacinou 58 milhões de crianças em 19 países vizinhos no ´Médio Oriente, Cáucaso e Repúblicas da Ásia Central.

Contudo ao longo dos últimos dois anos, o apoio do Rotary na erradicação da poliomielite tem-se focado menos no fornecimento da vacina ( embora continue a fornecer grandes quantidades de vacina para os DNVs) e mais no trabalho de sensibilização, mobilização social e rastreio. A mudança de ênfase é pragmática – baseada numa necessidade para usar da melhor maneira os restantes fundos disponíveis.

Em 1995, a OMS calculou que seriam necessários U.S. $ 120 milhões adicionais por ano, durante os próximos cinco anos (valor superior às contribuições existentes de governos e doadores ) para erradicar a poliomielite até ao ano 2000.

Praticamente 70% deste dinheiro destina-se à aquisição da vacina. Com o Rotary empenhado em providênciar U.S. 20 milhões por ano dos seus fundos remanescentes da PolioPlus, faltam ainda U.S. $ 500 milhões. Para piorar as coisas, o dinheiro era necessário urgentemente para comprar vacina para os próximos DNVs.

A resposta do Rotary foi estabelecer uma Comissão Especial para Sensibilização Internacional de alto nível. O seu papel é encorajar os governos a aumentarem o seu empenho na erradicação da poliomielite numa base global e a subirem o nível de financiamento. O seu sucesso inicial foi nos Estados Unidos, onde em 1995 e 1996, os rotários apresentaram-se perante o Congresso e foram influentes na garantia de aumentos substanciais nas atribuições governamentais para a erradicação da poliomielite. A proposta de orçamento americana de 1995 de U.S. $ 11.3 milhões para a erradicação da poliomielite foi aumentada em 1996 para $47.1 milhões($27.1 milhões canalizados através dos Centros para Controlo e Prevenção de Doenças e $ 200 milhões através da Agência Americana para Desenvolvimento Internacional , principalmente, para aquisição e entrega da vacina ).

Um ano mais tarde, o Congresso concordou com um aumento ainda maior – um total de $ 72 milhões.

Durante 18 meses, a Comissão Especial encontrou-se com representantes da União Europeia em Bruxelas e com quase 40% de potenciais governos doadores. Nem todos são países industrializados ricos.Também incluem uma série de páises na América Latina, por exemplo, onde a poliomielite foi erradicada. A comissão Especial do Rotary também abordou os fabricantes da vacina no sentido de encorajar donativos de vacina oral contra a poliomielites para os DNVs nos países endémicos da poliomielite.

Outra mudança no foco, é o ênfase crescente do Rotary no apoio a laboratórios e sistemas de rastrio – uma mudança imediata através de um aumento no número de doadores alternativos dispostos a providenciar a vacia. A maioria dos doadores prefere financiar a vacina porque tem um resultado visível, tangível – imediatamente medido por uma contagem das crianças vacinadas.

Mas os doadores estão relutantes em pagarem por áreas de programas menos atractivas como o rastreio, onde agora os financiamentos são criticamente necessários. A não ser que os sistemas de rastreio nacionais sejam melhorados, os últimos países endémicos do mundo serão incapazes de descobrirem as cadeias finais de transmissão do vírus da poliomielite e de conseguirem a vacinação porta a porta ( ” acções cirurgicas ” ). E os países que estão livres da doença serão incapazes de provar que a circulação do vírus selvagem da poliomielite parou – tornando impossível certificar que a poliomielite foi erradicada mundialmente.

Uma vez que o Rotary está menos constrangido do que os outros doadores no sentido em que canaliza os U.S. $ 100 milhões remanescentes dos seus fundos PolioPlus, está disposto a usá-los para tapar estas e outras falhas identificadas pela OMS. O Rotary financia sistemas de rastreio, paga salários aos médicos e o custo de técnicos laboratoriais formados. Além disso, clubes rotários, individualmente, lançaram projectos de escala mais pequena em certos países – ao abrigo do Programa Parceiros PolioPlus do Rotary – arranjando fundos para equipar laboratórios e auxiliar os responsáveis médicos no campo providenciando-lhes computadores,software, motas e outro equipamento. Durante 1995, os Parceiros Polio Plus – criados para encorajarem parceiros entre países livres e países endémicos da poliomielite – angariaram mais U.S.$ 1 milhão para a erradicação da doença.

Os rotários continuam a desempenhar um papel crucial na mobilização social preparando publicidade e material promocional para os DNVs e providenciando transporte para garantir que as crianças em áreas remotas têm acesso aos postos de vacinação.

O programa Polio Plus sublinhou o impacto potencial de aplicar as capacidades e Know-how do sector privado às necessidades sociais. Na altura em que a poliomielite estiver erradicada o Rotary calcula que terá gasto um total de U.S. $ 400 milhões na campanha – a maioria proveniente do investimento dos originais U.S. $ 247 milhões.

Mais ninguém alguma vez será capaz de atribuir um número exacto às centenas de milhares de horas de serviço voluntário investidas pelos rotários no mundo inteiro, no seu esforço para tornarem realidade o sonho de erradicação da poliomielite.

* Sheila Davey é autora de “Poliomielite : O princípio do fim “, uma publicação da Organização Mundial de Saúde financiada juntamente pelo Rotary Internacional e os centros Americanos para Controlo e Prevenção de Doenças.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

Participe no Forum. Deixe a Sua Dúvida ou Comentário

Campos de Preenchimento Obrigatório marcados com *