Sentimento de culpa

Aprenda a viver sem culpas.

Não se culpabilize Esqueceu-se de telefonar à sua melhor amiga, deixou o seu filho na creche com febre, não foi visitar a mãe, comeu um chocolate. Diariamente tem mil razões que lhe fazem pesar a consciência. Siga os nossos conselhos para acabar com o sentimento de culpabilidade que lhe infernizam a vida.

A culpabilidade é conhecida por todos. Pequenos e grandes frequentemente se confrontam com este sentimento. Desde os bancos da escola que somos atormentados e andamos às voltas com a consciência por não termos feito os trabalhos ou por não termos estudado convenientemente uma lição. Em cada dia muitos de nós têm a impressão de não terem feito o que era preciso, de não terem dito o que era conveniente e sentem-se sempre em falta.
Uma das razões para esta culpabilidade latente, não estará no facto de queremos fazer coisas demais? Entre vida privada, vida familiar e carreira profissional, acumulam-se um sem número de obrigações. Este excesso de actividade exige fazer várias coisas ao mesmo tempo – nem sempre tão bem como gostaríamos, não porque as subestimemos, ou porque as consideremos pouco importantes, mas simplesmente porque, muitas vezes, é tarefa impossível. Daí esta má consciência que paralisa a nossa existência.

Pode fazer-se algo para a mudar? Certamente. Em primeiro lugar é preciso rever a nossa maneira de funcionar em certos domínios para acabar com os sentimentos de culpabilidade.

Evite deixar para amanhã o que pode fazer hoje. A perspectiva sistemática de adiar os pagamentos da água ou do telefone ou de marcar a tal consulta não a ajuda. O facto de estas tarefas não terem nada de agradáveis é mais do que razão para se desembaraçar delas o mais depressa possível. O atraso no seu cumprimento favorece os sentimentos de se encontrar em falta com os afazeres quotidianos. Organize-se. Faça as suas compras uma vez por semana com uma lista preparada antecipadamente. Assim, não se esquecerá do que precisa e não comprará em excesso.

Adopte uma melhor organização
Reconheça as verdadeiras prioridades. Aprenda a gerir o seu tempo. Como não pode fazer tudo vai ter de fazer as suas escolhas. Seleccione o que lhe parece mais importante e não pode ser adiado. Remeta as tarefas menos importantes para outro dia sem se sentir desgostosa nem com sentimento de que falhou. Este sistema de organização é também importante na vida privada. Quer se trate do seu companheiro, dos seus filhos, dos seus pais ou dos seus amigos. Nada de mais culpabilizante do que ter a sensação que os negligencia, que não lhes dá a atenção e o apoio que devia. Para não pecar por defeito de qualidade ofereça à sua volta momentos breves mas bons. Os poucos minutos que gasta a contar uma história ao mais pequeno, ou a saborear um jantar romântico com o homem da sua vida, quando os mais pequenos já estão na cama, serão bem mais gratificantes do que passar duas horas a enervar-se, com todos a solicitá-la ao mesmo tempo. Aprenda a tornar-se disponível, mas não se deixe arrastar pela engrenagem das solicitações. Assim a sua vida tornar-se-á mais fácil. Não hesite. Torça o nariz aos problemas de consciência e confira humor à sua vida. Fez um corte na dieta, os seus filhos queixam-se de deixar sempre a meio o jogo que faz com eles, o seu chefe diz-lhe que poderia ser mais desembaraçada? Em vez de fazer um drama destas críticas, sorria. Dirigir a sua vida é ainda a melhor maneira de não se culpabilizar.

Aceite que não é perfeita
Todas gostaríamos de ser a mulher perfeita. Ser mulher e amante, uma mãe compincha, uma boa amiga para sair e, bem entendido, fazer tudo bem sem nunca se fatigar nem enervar. Objectivo tão ambicioso, é normal que não seja atingido. Vire as costas a este complexo da perfeição tipicamente feminino, e aceite, sem se subestimar, que não pode controlar tudo.

Comece por aprender a dizer não. A mãe quer vê-la, a amiga necessita de um conselho, o seu marido projectou uma saída – e tudo no mesmo dia. Resista à tentação de dizer sim a todo a gente. Arrisca-se a não contentar ninguém e a ficar descontente consigo. Marque outro encontro explicando que estará mais disponível. Assim a sua consciência não a trairá. Aceite fazer-se substituir. O seu filho está doente e tem nesse dia um dossier importante para acabar. Em vez de se desdobrar heroicamente deixe-o com alguém de família ou com uma baby-siter. Não se trata um abandono – mesmo que ele lhe faça crer o contrário e se ponha a chorar no momento da sua saída. Explique-lhe que volta logo que possa. E não esqueça que o pai é tão qualificado como você para acompanhar as crianças ao médico.

Pense também em si
Enfim, lembre-se que a melhor maneira de acabar com a culpabilidade é pensar um pouco mais em si. Guarde um pouco de tempo para si e para as actividades que lhe dão prazer e que lhe permitem suportar e enfrentar melhor a pressão do seu quotidiano. Sentir-se-á mais descontraída e positiva ao desempenhar as suas tarefas. É benéfico para si e para os que a rodeiam e que dependem dos seus desempenhos. Não há nada de mais culpabilizante para os que lhe estão mais próximos do que vê-la sempre culpabilizada.

3 perguntas pertinentes

De que decorre o sentimento de culpabilidade?

A culpabilidade não vem nem está inscrita nos genes. Também não há um perfil tipo “culpável”. A educação e a ambiência familiar são determinantes. Uma criança pode ser culpabilizada pelas tensões existentes entre os pais, por ouvir com frequência frases do tipo “és mau”, “teria gostado de ter um rapaz”. Tudo isto se inscreve de maneira inconsciente na nossa memória. E marca o nosso desempenho e a nossa maneira de ser em qualquer momento da vida – puberdade, casamento, gravidez ou luto – criando um sentimento de culpa.

É mais frequente nas mulheres?
Sim, sobretudo em mães que trabalham e que têm a impressão de não se ocuparem bastante dos seus filhos. Ser ao mesmo tempo esposa, amante, mãe e trabalhadora exige bastante energia e espírito combativo. Muitas vezes repartidas por inúmeras tarefas, as mulheres sentem-se culpadas de não fazerem tudo ao mesmo tempo. Mas atenção, não associe maternidade e culpabilidade. Os pais cometem sempre erros por inexperiência, mas os mesmos são da responsabilidade de ambos.

Esta atitude tem aspectos positivos?
O aspecto positivo da culpabilidade é, por mais estranho que pareça, a sua face escura, escondida, a agressividade que ela encerra e que pode ser posta ao serviço do sujeito. Pode ser canalizada e transformada em energia construtiva.

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