Sífilis: Sintomas, Causas e Tratamento

Publicado por Equipe Editorial a 5 de outubro de 2017 - Atualizado em 1 outubro 2018

A sífilis é uma infecção bacteriana sexualmente transmissível, a qual é tratável durante os estágios iniciais.

Sem tratamento, ela pode causar deficiências, distúrbios neurológicos e até levar à morte.

A doença é causada pela bactéria Treponema pallidum (T. pallidum). A sífilis possui três estágios: primário, secundário e terciário.

Em 2015, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos apontou que 60% dos casos de sífilis afeta os homens que praticam sexo com outros homens ou com homens e mulheres.

A sífilis é tratável com antibióticos, principalmente nas fases iniciais, e não é curável sem tratamento.

Alguém que esteja preocupado com a possibilidade de possuir alguma doença sexualmente transmissível (DST) deve consultar um médico logo que possível.

A Sífilis é Causada Pela Bactéria Treponema Pallidum

Alguns fatos sobre a sífilis

Nesse momento, é possível conferir apenas alguns aspectos principais sobre a sífilis. Informações mais detalhadas estão contidas no artigo principal.

  • A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) que pode se agravar seriamente se não houver tratamento.
  • Ela é transmitida por meio do contato sexual com feridas, conhecidas como lesões sifilíticas. O uso compartilhado de maçanetas ou mesas, por exemplo, não transmite a doença.
  • O tratamento precoce com penicilina pode curá-la.
  • Após o tratamento, a sífilis não reincide — mas isso pode acontecer mediante uma nova exposição à bactéria causadora da doença. Logo, o fato de alguém contrair sífilis uma vez não o impede de contrair a doença novamente.
  • As mulheres podem transmitir a sífilis para o feto durante a gravidez, o que pode acarretar consequências potencialmente fatais ou ligadas a problemas de má-formação.
  • A infecção pode permanecer inativa por até 30 anos antes de retornar como uma sífilis terciária.

O que é a sífilis?

A sífilis é uma infecção provocada pela bactéria T. pallidum, sendo transmitida por contato direto com um sifilítico com lesões na pele e nas mucosas.

Uma ferida pode surgir na vagina, ânus, reto, lábios e boca.

É mais comum que a doença seja transmitida durante a atividade sexual vaginal, anal ou oral.

Mais raramente, ela pode ser transmitida através de beijos.

O primeiro sinal da sífilis é uma ferida indolor sobre os órgãos genitais, reto, boca ou superfície cutânea.

Algumas pessoas não percebem essa lesão devido ao caráter indolor.

Essas lesões desaparecem naturalmente, mas as bactérias permanecem no corpo, se não houver tratamento.

A bactéria pode permanecer latente no corpo por décadas antes de despertar e atingir alguns órgãos, incluindo o cérebro.

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Causas e fatores de risco

A Sífilis é Transmitida Através De Feridas, úlceras Principalmente Presentes Nos Orgãos Genitais

Como dito anteriormente, a sífilis é causada pela transferência da bactéria T. pallidum de uma pessoa para outra durante a atividade sexual.

Contudo, a doença também pode ser transmitida da mãe para o feto durante a gravidez ou no parto — essa é a chamada sífilis congênita.

A sífilis não é transmitida por meio do contato compartilhado com objetos, como maçanetas e vasos sanitários.

Imagens Reais

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Quem corre o risco de contrair sífilis?

Pessoas sexualmente ativas correm o risco de contrair sífilis.

Dentre as pessoas que correm mais risco, estão:

  • aquelas que mantêm relações sexuais desprotegidas
  • homens que fazem sexo com outros homens
  • aquelas que possuem o vírus HIV
  • as pessoas que possuem múltiplos parceiros sexuais

Além disso, as lesões sifilíticas também aumentam o risco de se contrair o HIV.

Sintomas

Sífilis Nas Mãos

A sífilis é classificada em três fases, com variados sintomas associados a cada etapa.

No entanto, em alguns casos é possível que não haja nenhum sintoma durante vários anos.

As fases de contágio são a primária e a secundária. Ocasionalmente, há uma fase latente.

A sífilis terciária não é contagiosa, mas apresenta os sintomas mais perigosos.

Sintomas da sífilis primária

Os sintomas da sífilis primária são provenientes de uma ou várias lesões sifilíticas (igualmente chamadas de cancros duros), que são redondas, rígidas e indolores. Elas aparecem cerca de 3 semanas após a infecção.

As lesões sifilíticas desaparecem dentro de 3 a 6 semanas. Mas sem tratamento, a doença pode progredir para a próxima fase.

Sintomas da sífilis secundária

Dentre os sintomas da sífilis secundária, estão:

  • uma erupção cutânea não pruriginosa que se inicia no tronco e se espalha para todo o corpo, incluindo as palmas das mãos e solas dos pés. Ela pode ser rugosa, vermelha ou marrom-avermelhada
  • aparecimento de verrugas geniais, anais ou orais
  • dores musculares
  • febre
  • dor de garganta
  • inchaço dos gânglios linfáticos
  • perda desigual do cabelo
  • dores de cabeça
  • perda de peso
  • fadiga

Esses sintomas podem desaparecer algumas semanas após aparecerem, ou retornar várias vezes no decorrer de um período mais prolongado.

Não tratada, a sífilis secundária pode progredir para as fases latentes e tardia.

Sífilis latente

A fase latente pode durar vários anos. Durante esse período, o corpo forcene abrigo à doença sem exibir sintomas.

Posteriormente, pode-se desenvolver a sífilis terciária. Por outro lado, é possível que os sintomas nunca mais retornem.

No entanto, as bactérias T. pallidum permanecem inertes no corpo e, por isso, sempre há um risco de reincidência.

Mesmo que os sintomas não se manifestem, o tratamento ainda é recomendado.

Sífilis tardia ou terciária

A sífilis terciária pode ocorrer de 10 a 30 anos após o início da infecção, normalmente após um período de latência, durante o qual não há nenhum sintoma.

Os sintomas incluem:

  • lesões no coração, vasos sanguíneos, fígado, ossos e articulações
  • aparecimento de “gomas” — inchaços nos tecidos flácidos que ocorrem em qualquer parte do corpo.

Por causar lesões nos órgãos, a sífilis terciária pode, muitas vezes, ser fatal.

Neurossífilis

A neurossífilis é uma condição médica na qual as bactérias atingem o sistema nervoso.

Ela é frequentemente associada às sífilis terciária e latente, mas pode surgir a qualquer momento após o estágio primário.

A neurossífilis pode ser assintomática durante um longo intervalo ou aparecer gradualmente.

Os sintomas incluem:

  • demência ou alteração do estado mental
  • caminhar anormal
  • dormência nas extremidades do corpo
  • dificuldade de concentração
  • confusão mental
  • dor de cabeça ou convulsões
  • problemas de visão ou perda da visão
  • fraqueza

Sífilis congênita

A sífilis congênita é grave e frequentemente fatal. A infecção pode ser transmitida da mãe para o feto através da placenta e também durante o parto.

Os números sugerem que, sem exames e tratamento, 70% das mulheres com sífilis apresentará algum resultado adverso durante a gravidez.

Os resultados adversos incluem morte fetal precoce, nascimento prematuro ou com baixo peso, mortes neonatais e infecção em recém-nascidos.

Os sintomas em recém-nascidos incluem:

  • nariz em sela — deformação caracteriza pelo achatamento da ponte do nariz.
  • febre
  • dificuldade de ganhar peso
  • erupção nos órgãos genitais, ânus e boca
  • formação de pequenas bolhas nas mãos e pés — elas se transformam em uma erupção avermelhada (a qual pode ser saliente ou plana) que se espalha pelo rosto
  • Líquido aquoso nasal

Crianças mais velhas (até 7 anos, aproximadamente) e alguns jovens podem manifestar:

  • dentes de Hutchinson, ou anormais, em forma de chave de fenda
  • dor óssea
  • perda de visão
  • perda auditiva
  • inchaço nas articulações
  • problema ósseo na parte inferior das pernas
  • cicatrizes de pele ao redor da genitália, ânus e boca
  • partes cinzas ao redor do ânus e da vagina

Em 2015, a OMS confirmou que Cuba foi o primeiro país do mundo a erradicar a sífilis congênita.

Exames e diagnóstico

Um médico realizará um exame físico e perguntará sobre o histórico sexual do paciente antes de executar exames clínicos para confirmar a sífilis.

Os exames são:

  • Exames de sangue: estas podem detectar uma infecção atual ou passada, como os anticorpos para a doença estará presentes por muitos anos.
  • Secreções corporais: pode-se avaliar a secreção de uma lesão sifilítica de fase primária ou secundária para diagnosticar a doença.
  • Líquido cefalorraquidiano: podem ser coletado através de uma punção afim de ser analisado para atestar qualquer impacto sobre o sistema nervoso.

Se houver um diagnóstico de sífilis, os demais parceiros sexuais devem ser notificados para que possam se submeter a exames de diagnóstico da doença.

Aa centrais de atendimento de saúde locais estão disponíveis para notificar os parceiros sexuais quanto à exposição e risco de possuírem a sífilis.

Esses locais realizam o exame e, se necessário, o tratamento.

Também é recomendado que se faça um teste de HIV.

Quando fazer o exame de sífilis

Muitas pessoas não sabem que têm uma DST.

Então, é aconselhável conversar com um médico ou solicitar um exame:

  • Depois de ter relações sexuais desprotegidas
  • Se você tiver um novo parceiro sexual
  • Se você tiver múltiplos parceiros sexuais
  • Se um parceiro sexual for diagnosticado com sífilis
  • Se você for um homem e tiver relações sexuais com outros homens
  • Se você tiver sintomas associados à sífilis

Qualquer pessoa que desconfie da sífilis ou outra DST deve falar com um médico logo que possível.

O tratamento precoce pode curar a doença.

Tratamento

A sífilis pode ser tratada com sucesso nas fases iniciais.

O tratamento precoce com penicilina é importante, pois a exposição prolongada da doença pode acarretar consequências fatais.

Durante os estágios primários, secundários ou tardio, os pacientes geralmente recebem uma injeção intramuscular de penicilina benzatina G.

A estratégia de tratamento dependerá dos sintomas e do período de exposição da pessoa à bactéria causadora da sífilis.

A sífilis terciária exigirá múltiplas injeções em intervalos semanais.

A neurosífilis requer penicilina intravenosa a cada 4 horas no decorrer de 2 semanas para remover a bacteriemia do sistema nervoso central (SNC).

Curar a infecção impedirá novos danos ao organismo, além de possibilitar a retomada de práticas sexuais seguras.

Todavia, o tratamento não consegue desfazer qualquer dano já ocorrido.

Às vezes, as pessoas alérgicas à penicilina podem usar um medicamento alternativo nas fases iniciais.

Durante a gravidez e na fase terciária, o indivíduo se torna insensível à penicilina para permitir o tratamento.

Após o parto, os recém-nascidos que foram expostos à sífilis no útero devem se submeter a tratamento com antibióticos.

Calafrios, febre, náuseas, dores e uma dor de cabeça podem ocorrer no primeiro dia de tratamento.

Esses efeitos estão relacionados à reação de Jarisch-Herxheimer e não indicam que o tratamento deva ser interrompido.

Quando é seguro ter novas relações sexuais?

O contato sexual deve ser evitado até que:

  • todo o tratamento seja concluído
  • um exame de sangue confirme que a doença tenha sido curada

Pode demorar vários meses até que os exames de sangue feitos para diagnosticar a sífilis alcancem um nível adequado, o que confirmaria o tratamento adequado.

Prevenção

Medidas preventivas para diminuir o risco de sífilis incluem:

  • abstinência de sexo
  • monogamia mútua a longo prazo com um parceiro não infectado
  • usar preservativo, embora ele proteja apenas contra feridas genitais, e não contra as demais, presentes no corpo
  • usar uma barreira gengival, ou um plástico quadrado, durante o sexo oral
  • não compartilhar brinquedos sexuais
  • evitar álcool e drogas que possam levar a práticas sexuais inseguras

Por fim, o fato de alguém ser infectado pela sífilis uma vez… não significa que essa pessoa estará permanentemente protegida da doença.

Afinal, mesmo que a sífilis esteja curada, ainda será possível contraí-la novamente.