Sustentabilidade - Abordagem da Diabetes - Fotos Antes e Depois
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Sustentabilidade – Abordagem da Diabetes

Sustentabilidade – Abordagem da Diabetes

Uma das palavras mais em voga nos últimos tempos é “sustentabilidade”. Fala-se da sustentabilidade da Segurança Social, da sustentabilidade das políticas ambientais, da sustentabilidade dos recursos energéticos, da sustentabilidade da produção de alimentos, da sustentabilidade da Economia…

Das florestas amazónicas às reservas de atum, das reformas dos trabalhadores às políticas de crédito, tudo se espera que seja ou venha a ser sustentável. Numa breve passagem pelos motores de busca na internet encontramos mais de quatro milhões de hits para “sustentabilidade”, sendo ainda mais impressionantes os quase 28 milhões na versão em inglês. Na incontornável Wikipedia “sustentabilidade” é um conceito sistémico, relacionado com a continuidade dos aspectos económicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Curiosamente, esta é uma palavra que tem muito a ver com a nossa abordagem da diabetes. Na realidade, a diabetes é uma doença complexa que, como paradigma de doença crónica, exige uma perspectiva de longo prazo.

 Esta perspectiva de longo prazo deve estar bem presente na gestão das nossas atitudes e na definição das nossas intervenções, partilhada com os restantes elementos da equipa, centrada e integrando a pessoa com diabetes. Estamos a falar de décadas e, cada vez mais, de períodos que podem corresponder à maior fracção da própria existência. E, neste contexto, é sabido que não é começando com um sprint que se ganha uma maratona.

Na diabetes deve ser considerado o aspecto fundamental da sustentabilidade da vivência individual e familiar. Intervir na diabetes envolve sempre uma intervenção no estilo de vida, algo de intrinsecamente humano e pessoal. Quando, por exemplo, propomos um plano de actividade física moderada e regular devemos ser exigentes mas realistas. Temos de saber insistir com a sensibilidade de reconhecer que podem haver legítimas limitações (temporais, financeiras, físicas ou outras), mas com a clarividência para demonstrar que aquilo que muitas vezes é referido como “impossível” mais não é do que uma imponderada alocação de prioridades.

Ao propormos actividade fisica, devemos fazê-lo de forma estruturada, ainda que porventura menos ambiciosa, de modo a proporcionar as melhores condições para que a prática seja sustentável. A ponderação das prioridades é muitas vezes substancialmente alterada quando a magnitude dos benefícios se torna evidente.

Também no que toca à “dieta”, rodeada como está pelas mais subjectivas instâncias da nossa vivência, devemos empenhar-nos no desenvolvimento de uma intervenção sustentável, o que pressupõe rigor e diversidade, mas igualmente adaptabilidade ao enquadramento de cada pessoa. Mesmo a autovigilância glicemica tem de ser perspectivada na sua dimensão temporal, envolvendo compromissos dinâmicos que proporcionem o máximo de informação relevante com um mínimo impacto na qualidade de vida imediata.

Um ponto essencial a considerar é a dinâmica terapêutica, por oposição à inércia que muitas vezes caracteriza a abordagem desta doença. Uma actuação proactiva e atempada, com um controlo exigente das glicemias desde as fases mais precoces da doença, traduzse quase sempre em evidentes ganhos na regulação metabólica, com redução da incidência futura das complicações crónicas e com atenuação da variabilidade glicémica.

É desta forma que se torna possível poupar o pâncreas endocrino e porventura evitar (ou, pelo menos, minimizar) a característica progressão da doença, tornando a sua abordagem muito mais… sustentável.

Terapêutica

O desenvolvimento de novos fármacos pretende também responder directamente a esta questão. Moléculas já disponíveis entre nós, como as tiazolidinedionas e os agentes que actuam no eixo das incretinas, assumem o objectivo de corresponder a esta necessidade específica de sustentabilidade. Falamos aqui da sustentabilidade dos mecanismos de regulação do metabolismo dos hidratos de carbono, seja pelo melhor controlo glicémico per se, seja pela reversão dos processos patológicos, de que é exemplo a potencial regressão do processo de perda da capacidade funcional e de diminuição do número das células beta.

“Ao propormos actividade física, devemos fazê-lo de forma estruturada, ainda que porventura menos ambiciosa, de modo a proporcionar as melhores condições para que a prática seja sustentável”, sugere o médico.

Estando a concretização destas perspectivas ainda num plano algo teórico, a sustentabilidade conquista-se no dia-a-dia com a utilização racional e exigente das várias opções terapêuticas de que actualmente já dispomos. A insulinoterapia atempada é um dos pontos fundamentais para a manutenção do controlo metabólico e para a conservação funcional da reserva de células beta que se fará sentir nas ocasiões críticas.

Tratar bem a diabetes é, acima de tudo, prevenir. Esta abordagem preventiva é também, em si própria, um fardo adicional que terá de ser sustentável nas suas diversas vertentes, com natural preponderância para a área cardiovascular. Também por isto, e além disto, perante a polifarmacoterapia que caracteriza a abordagem desta doença, devemos propor esquemas terapêuticos abrangentes mas pragmáticos e individualizados.

Daqui também se depreende que as associações fixas, usadas criteriosamente, tenham um papel cada vez mais relevante. É óbvio que quando falamos de diabetes e sustentabilidade devemos sempre considerar as questões económicas e o financiamento dos cuidados de saúde. No entanto, a lógica subjacente à nossa intervenção médica é a de que uma intervenção precoce e eficaz, ainda que mais dispendiosa no imediato, se reflicta numa menor ou mais tardia incidência das complicações crónicas, estas sim, responsáveis por um elevadíssimo custo humano, social e financeiro.

É deste conjunto de intervenções que poderá resultar uma abordagem sustentável da diabetes. É desta sustentabilidade que poderemos esperar uma melhoria do panorama desta doença, tanto ao nível socioeconómico como, e sobretudo, ao nível da pessoa com diabetes.

Pedro Carneiro de Melo
Director – Serviço de Endocrinologia do Hospital Pedro Hispano ULS Matosinhos
Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de diabetologia

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