Terapia Autogénea

A terapia autogénea é uma técnica complementar de outras utilizadas no domínio da psicologia clínica que dirige-se a qualquer pessoa, tendo como principal objectivo o relaxamento, o domínio do stress e o bem estar físico e psíquico.

Depois de varios estudos resultaram duas vertentes terapêuticas: a vertente clássica (alemã) desenvolvida no início do século XX pelo alemão Johannes Schultz (1884-1970) psiquiatra e neurologista, e a vertente inglesa por Wolfgang Luthe. A terapia influenciou os ingleses e a sua administração tornou-se distinta da original (alemã), uma vez que foi desenvolvida e inovada. O método foi introduzido em Inglaterra em 1978 e hoje a British Autogenic Society (BAS) é a principal propulsora da terapia.

A vertente clássica é uma vertente mais flexível, que admite formas várias de instruir e dirigir os participantes, enquanto que a vertente inglesa é mais rígida, quer na terminologia adoptada quer nas expressões enunciadas durante a sessão da terapia. Outra das grandes diferenças entre as duas vertentes é que a alemã se dirige tendencialmente a pessoas saudáveis que se preocupam com a manutenção do seu bem-estar.

Por esse motivo, encaram a terapia como uma prática complementar, e até lúdica, que as ajuda a sentirem-se bem consigo mesmas. Já a vertente inglesa, além dessas vantagens, pode ser igualmente aplicada a pessoas com problemas físicos e psicológicos, ajudando-as na superação dos mesmos.

Com grande implantação na Alemanha, Áustria, Suíça, Inglaterra e Japão, a terapia autogénea começou a ser adoptada em Portugal por intermédio da psicóloga clínica Renata Schildberger, que manifestou interesse em desenvolvê-la e aplicá-la, tendo já obtido resultados positivos por parte das pessoas que aderiram à terapia.

Etapas da terapia autogénea

O primeiro passo para seguir a terapia autogénea é ter uma primeira consulta individual, onde é preenchido um questionário sobre o historial médico do indivíduo. Esse questionário é quase como um curriculum pessoal e pormenorizado de todas as doenças de que o futuro adepto já sofreu, a fim de dar a conhecer ao terapeuta todas as suas fragilidades e a ajudá-lo a compreender eventuais problemas que possam ocorrer.

Em seguida, dá-se início a um curso durante o qual se aprende uma série de exercícios de relaxamento. Segundo a psicóloga clínica Renata Schildberger, estes exercícios têm como objectivo desligar os sistemas de luta e de fuga relacionados com o stress e activar o sistema de descanso, relaxação e diversão.

Durante esse treino aprende-se também a praticar a concentração passiva, ou seja, promove-se a interiorização de uma atitude descontraída, sem esforços, a prática do pensamento positivo e o estado de total consciência durante os mesmos.

No seguimento dessa primeira consulta individual, na qual se preenche o questionário referido anteriormente, as técnicas são ensinadas individualmente ou em pequenos grupos. Normalmente, o curso consiste em nove sessões para um adulto ou cinco para uma criança com idade superior a oito anos. As sessões têm uma frequência semanal, com duração de cerca de uma hora e meia cada. No final do curso efectua-se uma sessão extra para avaliação de resultados e o esclarecimento de dúvidas.

Em cada sessão, o participante é convidado a adoptar uma de três posições confortáveis sugeridas pelo terapeuta e são dadas instruções que são seguidas mentalmente por todos (quando a terapia é em grupo). Os exercícios traduzem-se quase sempre na repetição de fórmulas que permitem o contacto mental com diversas partes do corpo.

Depois, lentamente, cada um vai entrando no estado autogéneo. Inicialmente o participante consegue alcançar esse estado por períodos curtos, mas com o treino assíduo e a persistência esse tempo de interiorização vai aumentando. Do estado autogéneo em si, dir-se-á que ele é distinto de pessoa para pessoa, uma vez que depende das experiências pessoais de cada um.

Controlar o stress

O stress é um facto incontornável e incontrolável na vida contemporânea. Sentimo-nos muitas vezes debaixo de pressão, quer por factores de ordem profissional quer pessoal. É verdade que certos níveis de stress são positivos, já que aumentam a nossa capacidade de reacção e melhoram o rendimento.

Mas se o stress for demasiado intenso ou prolongado, então o desgaste é excessivo, tanto física como psicologicamente, facilitando o surgimento de doenças.

Um stress elevado manifesta–se quase sempre por um leque variado de sintomas orgânicos e psíquicos; a vantagem da terapia autogénea, neste caso, está, em determinadas circunstâncias no controlo da pressão a que as pessaos se sujeitam diariamente e, noutras circunstâncias, na diminuição ou extinção dos problemas associados ao stress.

A situação de bem estar corporal e a de stress psíquico não podem coexistir, daí que as técnicas de relaxamento físico e mental proporcionadas pela terapia autogénea se destinem essencialmente à redução das consequências orgânicas da agitação diária e a sua aprendizagem seja útil para enfrentar factores stressantes, tanto antes, como após a sua aparição.

Estados de consciência

O consciente desempenha um papel vital na criação do nosso próprio mundo. Cada vez mais se torna evidente que o universo existe mais dentro de nós do que fora. Na terapia autogénea, através do relaxamento e do adormecimento sensorial, provocado pela isenção de estímulos externos, é possível que surjam memórias desconhecidas, reminiscências outrora esquecidas, que nos transportam para um mundo em que a única barreira mental é aquela que a nossa própria imaginação nos impõe.

Na medida em que se adopta o papel de observador passivo, também podem surgir memórias e sentimentos que pertencem a acontecimentos da vida inquietantes ou traumáticos, assim como dores relacionadas com ferimentos ou lesões antigas. Os exercícios terapêuticos complementares permitem a libertação e a descarga desse material de uma forma inofensiva.

Tal como nos sonhos nos aparecem cenas que pensamos nunca termos assistido e somos intervenientes de uma acção que, apesar de nos parecer destituí-da de sentido e totalmente desconexa, parte do mundo complexo que corresponde à actividade dinâmica da nossa psique, na terapia autogénea também acedemos a um estado alterado de consciência em que se torna possível fazer uma saudável higienização mental.

Este acesso a material inconsciente pode explicar a contribuição deste tipo de terapia para o aumento da criatividade e para o facto de as pessoas terem maior capacidade para se lembrarem dos seus sonhos e verem aumentada a sua imaginação.

À medida que as pessoas praticam a terapia autogénea e a introduzem no seu estilo de vida fazendo, dela uma prática corrente, relatam uma série de alterações positivas em relação à sua saúde, sentindo maior estabilidade emocional, menor ansiedade e maior capacidade para lidar com o stress.

Exemplo a reter
Em Inglaterra médicos e psicólogos aplicaram a terapia autogénea a doentes com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) declarada, no sentido de tornar menos penosa a sua reacção à doença e no sentido de proporcionar algum tipo de boa disposição.

Verificou-se que em 90% dos casos os doentes ganharam mais confiança nos tratamentos, tornaram-se mais corajosos e serenos na forma de encarar a vida e a doença e, sobretudo, mostraram combatividade e melhor capacidade para reagir à dor.

Aplicações Clínicas da terapia autogénea

A terapia autogénea tem sido aplicada em muitas doenças com bons resultados:
• Nos problemas como a insónia, a ansiedade e o stress a terapia proporciona uma melhoria significativa em poucas semanas, permitindo a libertação da dependência de sedativos e comprimidos de efeito calmante.
• Nas enxaquecas, artrite, colite e hipertensão a prática continuada da terapia melhora substancialmente os sintomas.
• Nos diabéticos a prática da terapia permite reduzir a insulina para metade.

Benefícios da Terapia Autogénea

Ao facilitar a criação de um estado de relaxação profunda, este método pode proporcionar, a qualquer pessoa que o aprenda, inúmeras vantagens:

• Melhora a saúde e equilíbrio emocional.
• Aumenta a capacidade para enfrentar o stress.
• Melhora a qualidade do sono.
• Reduz os níveis de ansiedade.
• Aumenta a energia e produtividade.
• Aumenta a criatividade.
• Desenvolve a intuição.
• Cura enxaquecas em 90% dos casos.
• Elimina fobias (quando a prática é continuada).
• Produz um Bem estar generalizado.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Esta matéria tem 3 Comentários
  1. retardo mental Reply

    Nossa! Muito massa realmente esse post sobre psicologia! Parab

  2. Mable Luppino Reply

    Penso exatamente como voc�! Parab�ns!

  3. Denny Beckett Reply

    Na psicologia nada � exato! Gostei do blog!

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 3:12 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)