Terapia Fotodinâmica em Dermatologia - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Terapia Fotodinâmica em Dermatologia

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Terapia Fotodinâmica em Dermatologia

A terapia fotodinâmica (TFD) é uma forma especializada de terapêutica que envolve o uso de uma luz em combinação com um fármaco fotossensibilizante e o oxigénio molecular, com o objectivo da destruição selectiva das células tumorais ou pré-tumorais. Pode ser usada para tratamento simultâneo de várias lesões malignas ou pré-malignas no mesmo paciente, sem risco de doses acumulativas, pelo que se podem efectuar as sessões que forem necessárias e sem os efeitos nefastos de outros tratamentos, nomeadamente da cirurgia dermatologica ou da radioterapia.

A TFD está particularmente indicada na dermatologia e oferece a vantagem, em relação à cirurgia, de ser um procedimento não invasivo e causando uma destruição mínima do tecido são em volta da lesão, devido à melhor penetração do fotossensibilizante no tecido neoplásico. Em 2002, o British Photodermatoloqy Group (SPG) publicou as guidelines para o uso da TFD aplicada à Dermatologia e fez a sua actualização em Dezembro de 2008, tendo mais uma vez reforçado a evidência e eficácia da TFD em queratoses actinícas (lesões cutâneas pré-malignas), doença de bowen e carcinoma basocelular variante superficial (CBCs) com uma espessura inferior a 2 mm. Em Portugal, à semelhança de outros países ocidentais, o CBC é o tipo mais frequente de tumor maligno da pele, com uma incidência de 65 por cento.

Apesar de este ser de evolução lenta e apresentar um baixo potencial de metastização, a lesão poderá tornar-se localmente invasiva e associar-se a uma morbilidade significativa. Atendendo a que o CBC se encontra associado a exposição solar crónica a probabilidade do seu desenvolvimento aumenta com a idade.

“A TFD está particularmente indicada na Dermatologia e oferece a vantagem, em relação à cirurgia dermatológica, de ser um procedimento não invasivo”, salienta a autora.

Técnica

Utiliza-se como produto fotossensibilizante o aminolevulinato de metilo (MAL), sendo o único aprovado em Portugal para TFD em meio hospitalar. Para se obterem os melhores resultados com o MAL é necessária uma preparação efectiva da lesão, com uma curetagem superficial para remoção das crostas e escamas do estrato córneo. Seguidamente, é aplicado o MAL em creme numa camada uniforme. A área é coberta por um penso oclusivo transparente durante três horas.

Durante este tempo o MAL vai levar a uma acumulação de porfirinas fotoactivas (PAPs) na celula tumoral, tornando-a sensível à activação pela luz. Antes da aplicação da luz faz-se a remoção do creme não absorvido. Para que o MAL possa actuar, este precisa de uma fonte de luz vermelha exterior.

Figura 1 – CBCs pavilhão auricular antes da TFD

A partir desta fonte de luz as PAPs (que são molculas fotossensiveis que fluorescem e emitem radiação em determinados comprimentos de onda), quando activadas pela luz vermelha e na presença de oxigénio, levam à formação de especies reactivas de oxigenio (ROS) que desintegram os componentes celulares (como as proteinas, lipidos e acidos nucleicos) conduzindo à morte da celula neoplasica.

Figura 2. – Após 12 meses de TFD.

A TFD com o MAL é bem tolerada, sendo o efeito mais comum a sensação de queimadura aquando da iluminação com a lâmpada.

Figura 3 – queratoses actinicas antes da TFD.
Figura 4 – Após 24 meses de TFD.

Conclusão

É uma técnica pouco invasiva em que o paciente não necessita de ficar hospitalizado sendo, por isso, um procedimento de ambulatório com uma cura rápida. Este método demonstra ser de grande interesse para doentes polimedicados e/ou de idades avançadas. A melhoria da qualidade de vida dos doentes com cancro é o objectivo principal da terapia fotodinâmica, pelo que ser centro de excelência é mais uma garantia na eficácia da luta contra o cancro.

TERAPIA FOTODINÂMICA É UM CASO DE EXCELÊNCIA EM PORTUGAL

A terapia fotodinâmica (TFD) foi iniciada em 2003, no Serviço de Dermatologia e Venerologia do hospital de Braga, usando o aminolevulinato de metilo (MAL) como fotossensibilizante na TFD para o tratamento de lesões pre cancerosas e cancerosas não melanociticas. Seguindo a prioridade dada por este hospital a esta técnica, o serviço foi reconhecido como Centro de Excelência em TFD pela European Society for Photodynamic Therapy (Euro-PDT), em 2006. No hospital de Braga, nos últimos seis anos, foram tratados com TFD 400 doentes e 1 500 lesões. A taxa de sucesso desta terapia é superior a 80 por cento.

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