Torcicolo congênito: Conheça as Causas, Tratamentos e Exercícios Indicados para Fazer em Casa

Publicado por Equipe Editorial a 21 de setembro de 2015 - Atualizado em 24 outubro 2018

O que é: Um dos problemas músculo-esqueléticos congênitos mais frequentes é o torcicolo congênito.

Esta doença, desenvolvida durante a gestação do bebê ou no parto afeta os músculos do pescoço, sendo essencial um diagnóstico e tratamento precoce, de modo a se alcançar uma cura bem sucedida.

Conheça melhor este problema, e ainda, como se deteta e se trata o torcicolo congênito. Veja o antes e depois do tratamento.

foto de Torcicolo congênito

O que é?

O torcicolo congênito é uma anomalia ortopédica no pescoço, provocando o encurtamento do músculo esternocleidomastoideu, sendo causado por uma fibrose ou rotura muscular. (1)

Nestes casos, o bebê nasce com o pescoço virado para um dos lados da cabeça, tendo ainda algumas limitações na movimentação do pescoço.

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Este problema pode se desenvolver durante o desenvolvimento do bebê na gravidez, ou então, ocorrer durante o trabalho de parto.

Geralmente este problema é detetado lodo após o nascimento, ou então, no decurso dos primeiros meses.

Esta é a terceira causa mais frequente de músculo-esqueléticos congênitos, afetando entre 1% a 2% dos bebês recém-nascidos.

Em 20% dos casos, o torcicolo congênito pode ainda ser acompanhado de displasia da anca.

O torcicolo congênito é um problema que tem cura, mas apenas se for devidamente diagnosticada e tratada. Esta irá consistir em tratamentos diários de fisioterapia e osteopatia.

Em casos onde o tratamento conservador não for suficiente, e não houver melhorias ao fim de 12 meses, é indicada a cirurgia corretiva.

Causas

Não existem ainda certezas quanto às causas do torcicolo congênito, havendo no entanto alguns fatores que se acreditam estar na sua origem.

Assim, entre as várias explicações propostas para a causa do torcicolo congênito, incluem-se (2):

  • alterações genéticas hereditárias;
  • infeção peri ou neonatal;
  • isquemia arterial com insuficiência de fluxo sanguíneo;
  • posicionamento incorreto da cabeça na cavidade uterina;
  • traumatismo cervical que ocorre durante o trabalho de parto;
  • tumor cerebral.

Sintomas

Existem alguns sintomas e sinais que podem indicar a existência de um torcicolo congênito, sendo por isso importante estar atento a eles de modo a detetar o problema. Os sintomas incluem:

  • aparecimento de uma massa cervical móvel e dolorosa, de consistência dura, com cerca de 1 a 2 cm (não ocorre em todos os casos);
  • o bebê assume uma posição preferencial com a cabeça virada para um dos lados, sendo bastante evidente no final da segunda semana depois do nascimento;
  • limitação dos movimentos cervicais (pode não ocorrer em todos os casos);
  • rotação do pescoço, com o rosto a orientar-se para o lado oposto.

O diagnóstico do torcicolo congênito é realizado através da observação destes sintomas por parte do médico obstetra ou pediátrico.

Tratamento para torcicolo congênito

Nalguns casos, o torcicolo congênito pode curar-se espontaneamente, sem necessidade de tratamento.

Contudo, na maior parte dos casos, sem o devido tratamento, o torcicolo congênito pode levar a deformidades permanentes e consideráveis.

Algumas das complicações que podem surgir do não tratamento deste problema incluem deformidades cranianas, da coluna vertebral e faciais, dor crônica e incapacidade.

Na maior parte dos casos, à volta de 80%, o tratamento conservador é suficiente para a cura do torcicolo congênito. Este tratamento consiste num programa de medicina física e reabilitação. (3)

A fisioterapia para esta doença tem uma duração média entre 4 a 7 meses, sendo que é maior quanto maior a gravidade, e quanto mais tarde for detetado o problema e iniciado o tratamento.

Confira de seguida os vários exercícios que são realizados no tratamento fisioterapêutico do problema.

Exercícios de estiramento muscular passivo

Exercício fisioterapêutico 1 – Manobra de rotação queixo-ombro

Nesta técnica a criança está sentada, colocando-se uma mão em cima do ombro do lado que não está afetado para o estabilizar.

Com a outra mão roda-se cuidadosamente o queixo para aproximá-lo o mais possível do ombro do lado que está afetado.

Exercício fisioterapêutico 2 – Manobra de inclinação orelha-ombro

Também com a criança sentada, estabiliza-se o ombro do lado que está afetado, colocando a mão em cima.

Com a outra mão deve fazer um movimento de inclinação da cabeça em direção ao lado contrário da zona afetada.

Nestes exercícios a criança tem de estar relaxada, de modo a não criar resistência aos movimentos.

Cada manobra deve ser repetida 5 vezes, com uma duração de aproximadamente 10 segundos.

Estas técnicas devem ser realizadas duas vezes por dia.

Exercícios de estiramento muscular ativo

Nesta fase do tratamento os exercícios têm uma componente ativa e voluntária, sendo a própria criança a fazer os movimentos.

Com ajuda de vários estímulos táteis, auditivos e visuais, e em vários contextos, como no banho, a comer ou a brincar, a criança irá realizar exercícios de estiramento muscular.

Exercícios para fazer em casa

Para maior eficácia do tratamento para o torcicolo congênito, devem ainda ser incluídos cuidados a serem seguidos em casa, por parte dos pais, que são realizados integrados na rotina diária da família.

Estes cuidados consistem em exercícios e técnicas de posicionamento do pescoço e da cabeça.

Confira de seguida as técnicas a serem utilizadas em cada para casos de bebés o problema:

– Quando estiver no berço, posicionar o bebé de modo que ele tenha que rodar o pescoço para o lado afetado para conseguir ver algo que lhe chame a atenção, como a cama onde os pais dormem, a porta, a janela, etc.

Por exemplo, se o bebé tem um torcicolo congênito no lado esquerdo, deve colocar o berço de modo que o bebé tenha apenas uma parede nesse lado.

Ou seja, para ver algo que chame a atenção, ele terá que rodar o pescoço para a direita.

– Colocar a cabeça do bebé durante a alimentação numa posição que obrigue a criança a rodar o pescoço para o lado do músculo afetado.

Por exemplo, se o bebé tiver o problema no lado esquerdo, deve colocar a cabeça do bebé apoiada no braço direito para que ele tenha de efetuar o movimento de rotação do pescoço para o lado afetado e conseguir alimentar-se.

– Já em relação aos brinquedos, estes devem estar posicionados no lado onde o pescoço está afetado.

Assim, se ele tiver um torcicolo congênito no lado esquerdo, é nesse lado que deve colocar os brinquedos, acessórios e o mobile.

Cirurgia

Se na maior parte dos casos, o tratamento conservador é suficiente para ao fim de 12 meses o problema estar curado, em 20% nos pacientes podem não existir melhorias após um ano.

Assim, em crianças que ao fim de 12 meses tenham ainda algumas limitações, é necessário realizar o procedimento cirúrgico.

Estas limitações incluem: inclinação significativa da cabeça, limitação dos movimentos do pescoço, deformidade craniana significativa, persistência da massa cervical ou assimetria facial.

Para estes casos a cirurgia corretiva é mais indicada, tendo taxas de recuperação de mais de 85%.

Menino De Sete Anos De Idade, Com Torcicolo Muscular Congênito à Esquerda (A), E à Direita Após Libertação Unipolar (B).

Menino de sete anos de idade, com torcicolo muscular congênito à esquerda (A), e à direita Após libertação unipolar (B).