Trancoso - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Trancoso

A história não esquece a memória nalguns acontecimentos que reflectem um pouco a importância que Trancoso teve ao longo da sua existência, acontecimentos tão diferentes como os do casamento de D. Dinis com a rainha Santa Isabel ou os da batalha de S. Marcos. Com um passeio a pé vamos andar de mãos dadas com a rusticidade do granito das ruas estreitas que acolhem os visitantes de uma maneira especial. Por entre as sugestões de visita à cidade estão o castelo, as muralhas, as igrejas de Santa Maria de Guimarães (com algumas sepulturas antropomórficas), de S. Pedro, da Misericórdia, da Sra. da Fresta, a Casa dos Arcos, o Pelourinho, a Fonte Nova, o Convento dos Frades Franciscanos, as Capelas do Sr. da Calçada, de S. Bartolomeu e da Santa Eufémia, o Palácio Ducal e o quartel-general de Beresford.

A toponímia das actuais freguesias testemunha um passado de povos tão longínquos como os germânicos ou os romanos. Trancoso foi reconquistada aos Mouros entre 1053 e 1055 por Fernando I de Leão, mas logo depois recuperada pelos mouros em 1140, em desagravo do desastre de Ourique. D. Afonso Henriques acabou por representar um papel fundamental na recuperação do território e em celebração da vitória mandou erguer o Mosteiro de S. João de Tarouca. O monarca deu o primeiro Foral à vila entre 1157-1169 tendo-a doado aos Templários. D. Manuel assinou o Foral Novo em 1510.

Mas foi a partir do séc. XII e XIV que Trancoso se abriu ao desenvolvimento. A Batalha de São Marcos, travada durante a crise de 1383-85, representou um papel fundamental em jeito de prenúncio da vitória portuguesa em Aljubarrota. Nela, reza a tradição, os portugueses puseram os Espanhóis “a pão e laranjas”! Ainda hoje, no dia comemorativo da batalha, nos finais de Maio, a câmara distribui pão e laranjas às crianças junto do planalto de S. Marcos, onde a batalha se travou. Aqui se ergue uma capela que evoca as batalhas que por lá se travaram, uma delas que remonta ao tempo de D. Afonso Henriques contra os mouros. Para visitar este local, saia de Trancoso em direcção à Guarda e logo verá placas informativas do local.

Tal como hoje, a localização geográfica de Trancoso reflectiu sempre a importância deste território num corredor de passagem de gentes e de produtos. Testemunho disto são os pequenos troços de uma via romana que ligaria Guarda a Lamego (que ainda hoje se podem visitar) e a tradicional feira anual de S. Bartolomeu. A história da Feira começa aquando do casamento de D. Dinis com Sta. Isabel. O monarca ofereceu-lhe a vila como dote e instituiu a famosa Feira Franca que ainda hoje se constitui como uma referência. O evento, por si, data de 1273 por carta régia de Afonso III que autorizava a realização da mesma por quinze dias com privilégios a quem por lá se deslocava.

Quer para o percurso de estrada quer para o percurso todo o terreno sugerimos dois trajectos que exibem a sua beleza plena em duas épocas do ano, em particular na Primavera e no Outono. Ambos têm o mesmo ponto de partida e de chegada: Hotel de Turismo de Trancoso.

O percurso de estrada faz um périplo por algumas das freguesias rurais do concelho. A localidade de Torre do Terrenho chegou a pertencer ao concelho de Moreira do Rei até à sua extinção. A freguesia tem as suas origens num castro lusitano sobre o qual foi construído um castelo medieval. Agora, à beira da barragem da Teja, a localidade pode oferecer belos momentos de tranquilidade.

Para visita, sugerimos um olhar atento a um solar Barroco, conhecido como o “Solar dos Brasis” ou “Casa das Fidalgas” que encerra uma capela, também de estilo Barroco, a capela de Nossa Senhora da Penha de França com o tecto da Sala do Capítulo magnificamente decorado. Pena é o estado de abandono geral a pedir uma urgente intervenção.

Já na descida para o vale, surge a localidade da Prova. A freguesia está situada na base de uma elevação granítica conhecida por “Pendão” de onde se avista uma paisagem imensa. A Igreja Matriz, com traços dos primeiros tempos da nacionalidade, e a “Casa Grande” do séc. XVIII merecem uma visita.

Um pouco depois, estamos na estrada principal para regressarmos a Trancoso. Pelo caminho encontramos Moreira de Rei. A inegável importância desta localidade passa pelos testemunhos de ser vila e de ter sido sede de concelho, extinto em 1855, uma terra por onde D. Sancho II foi acolhido a caminho do exílio em Toledo. A história da vila de Moreira de Rei poderá descobri-la junto dos habitantes tendo como pano de fundo o pelourinho manuelino, a igreja matriz de estilo românico (séc. XII) ou junto do que resta das imponentes muralhas do castelo.

O percurso por fora de estrada tem um bom piso e não oferece qualquer tipo de complicações. Tem o seu início, também, junto à porta do Prado para, um pouco depois, entrar para terra junto a um estradão que coincide com o início de um percurso de BTT. O trilho segue ao longo de uma cumeada onde poderemos desfrutar de uma paisagem onde o horizonte se perde em terras viradas a Norte, de um lado e, de outro, a paisagem beirã da Serra da Marofa, à da Estrela e alguns domínios espanhóis.

Chegamos depois a Moreira de Rei. Trancoso é também terra de um conjunto de personalidades que fizeram dela um testemunho de outros tempos. São personagens lendárias Gonçalo Annes (Bandarra), o jesuíta João de Lucena e o prior Costa que teve 299 filhos, (214 do sexo feminino e 85 do sexo masculino), tendo concebido em 53 mulheres…

Bandarra é uma referência incontornável de uma personagem quinhentista que perdeu a fortuna e que, para seu sustento se transformou em sapateiro. A leitura da Bíblia e dos seus livros escatológicos fizeram dele um verdadeiro intérprete dos maus acontecimentos do seu tempo. Este “profeta” chegou a inquietar o Santo Ofício tendo sido ainda chamado “à pedra”. Os seus incontestados pensamentos escritos em forma de verso, que se aplicavam a interpretações desconcertantes, fizeram dele um homem famoso em tempos tão diferentes como os das perseguições aos Judeus, nas lutas da Reforma e Contra Reforma, na crise dinástica de D. Sebastião, na catástrofe de Alcácer Quibir.

As Trovas de Bandarra, quase sempre na clandestinidade, envolveram-se num misticismo que atravessou os tempos e ainda hoje dão que pensar… Nos “trilhos” da gastronomia, o prazer do bom garfo não se escapa em cada receita. Do cardápio da grande maioria dos restaurantes pode-se salientar o cabrito assado no forno à serrana, o bacalhau à S. Marcos, o ensopado de míscaros e enguias à S. Bartolomeu. O queijo da serra, o queijo de cabra e requeijão completam uma ementa fabulosa onde não pode faltar o paladar dos excelentes vinhos. O bolo de chocolate, a bola de ovos (o folar) e as tradicionais “Sardinhas Doces de Trancoso” completam a ementa.

Nota:

Trancoso é uma cidade portuguesa, pertencente ao Distrito da Guarda, região Centro e subregião da Beira Interior Norte, com cerca de 3 500 habitantes situada num planalto em que o ponto mais alto tem 898m de altitude. Foi elevada a cidade em 9 de Dezembro de 2004.

É sede de um município com 364,54 km² de área e 10 889 habitantes (2001), subdividido em 29 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Penedono, a nordeste por Meda, a leste por Pinhel, a sul por Celorico da Beira, a sudoeste por Fornos de Algodres, a oeste por Aguiar da Beira e a noroeste por Sernancelhe.

O principal centro ferroviário do município fica em Vila Franca das Naves-Trancoso, na linha da Beira Alta.

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